11 de julho de 2026
Política

Campos Machado lidera evento regional hoje e projeta PTB "campeão" em filiações

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr
Campos Machado também lança em Bauru, hoje, a Frente Nacional Contra Liberação da Maconha e da Cocaína

Com a presença de seu presidente estadual, Campos Machado, o PTB realiza, na manhã deste sábado (21), o Encontro Regional do partido em Bauru, que deve contar com a presença de lideranças de 37 municípios da região para discutir, entre outros assuntos, as estratégias da legenda para as eleições de 2018 e 2020. Desde ontem na cidade, Machado visitou o espaço Café com Política do JC, onde comentou a possibilidade de se lançar candidato ao governo do Estado e temas polêmicos como a descriminalização das drogas para uso pessoal e a elevação do teto salarial do funcionalismo público em um cenário de austeridade econômica.

Na reunião de hoje, além de lançar na cidade a Frente Nacional Contra Liberação da Maconha e da Cocaína, idealizada por ele, o deputado divulga a campanha estadual de filiações. A meta é tornar o PTB o maior partido do Estado em número de filiados até 31 de março de 2018.

"Estamos em terceiro lugar, atrás do PMDB e do PT. Nosso objetivo é fortalecer, entre simpatizantes e filiados, o amor ao partido, como se fosse uma família, sem traição", completa.

Leia abaixo, os principais trechos da entrevista.

JC - Lideranças dentro do PTB defendem sua candidatura ao governo do Estado como sucessor de Geraldo Alckmin. Esta é uma proposta que o senhor pretende abraçar?

Machado - Acho que é muito cedo ainda. A prioridade do PTB estadual e nacional é a eleição de Geraldo Alckmin (à presidência). Ele é um homem experiente e a única pessoa com condições de acalmar o País, a economia. O PTB foi o partido que mais cresceu no Estado no ano passado, conta com mais de 170 prefeitos ou vices e tem tudo para lançar um candidato, mas já fechamos apoio ao Alckmin e acredito que o PSDB dificilmente vai ficar sem lançar candidatura própria ao governo do Estado. Porém, fazendo coligação com quem quer que seja, queremos um lugar entre os quatro: governador, vice ou uma das duas vagas para o Senado.

JC - O prefeito de São Paulo, João Doria, vem sendo cotado como um nome à eleição do governo do Estado pelo PSDB. O PTB pode apoiar esta candidatura, assim como apoia Alckmin à presidência?

Machado - Em hipótese alguma. Quem o elegeu à prefeitura de São Paulo foi Geraldo Alckmin. E o que o João Doria faz? Acaba de tomar posse e comete o maior pecado que um político pode cometer: começa a caminhar pela estrada da traição. Para presidente, não vejo mais condições para ele concorrer. O futuro dele é sombrio.

JC - As eleições de 2018 devem ser atípicas devido à descrença do eleitorado sobre a classe política como um todo. Como os candidatos terão de lidar com esta adversidade para conquistar votos?

Machado - Há alguns anos, resolvemos nos aproximar dos segmentos sociais mais diversos. Hoje, temos 300 mil mulheres filiadas. Temos o PTB jovem, o PTB afrodescendente, o inter-religioso, sindical, da diversidade, dos aposentados, das pessoas com deficiência. Nós atuamos em várias frentes, dando atenção a todos os setores. Estamos confiantes.

JC - O senhor é idealizador da Frente Nacional Contra Liberação da Maconha e da Cocaína. Na sua avaliação, quais impactos a descriminalização de drogas para uso pessoal, um tema discutido no STF, poderia provocar?

Machado - A alegação do ministro (Luís Roberto) Barroso é no sentido de esvaziar os presídios. Para mim, o resultado será a lotação de cemitérios e hospitais, um pandemônio, caos total. Hoje, mais de 20% da população faz uso de drogas ilícitas, percentual que aumentaria com a liberação do uso. Quem defende a descriminalização não vive a realidade, nunca viu o drama de uma família de um usuário de crack. A propaganda que se faz das experiências no Uruguai e Estados Unidos é enganosa. Sou advogado criminalista e sei do que estou falando. Só a educação e a conscientização sobre os malefícios da droga são capazes de prevenir a dependência.

JC - O senhor é autor da PEC que eleva o teto salarial do funcionalismo público do Estado. Por que avalia que esta emenda é importante, mesmo diante do momento da economia, que demanda controle nos gastos públicos?

Machado - O salário de muitas categorias só poderia aumentar se o salário do governador (R$ 21,6 mil) também aumentasse, mas ele não aumenta. Com isso, muitos professores universitários, pesquisadores e delegados estão indo para outros Estados. Então, queremos alterar o subteto para o patamar da remuneração dos desembargadores (R$ 30,4 mil). O investimento para a implantação da PEC está escalonado em quatro anos: no primeiro ano, quase nada; no segundo, pouco; e só no quarto ano... como é que se pode prever o orçamento daqui a quatro anos? Conseguimos 20 dos 21 partidos na Assembleia Legislativa, com exceção do PSDB, para apoiar a proposta, mas o presidente Cauê Macris vem protelando desde fevereiro. Pela primeira vez, um deputado - no caso, eu - foi ao Judiciário para colocar o projeto em pauta. A ação será julgada na próxima quarta-feira pelo Pleno do Tribunal de Justiça e esperamos ter a liminar concedida.

JC - Os deputados do PTB que compõem a CCJ na Câmara votaram pela rejeição da denúncia contra Temer pelos crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa. Acredita que a decisão foi acertada?

Machado - Foi uma orientação da executiva nacional. Primeiro, porque nós fazemos parte do governo Michel Temer, estamos no Ministério do Trabalho (o titular, Ronaldo Nogueira, é filiado ao partido). E, bem ou mal, o Michel está conseguindo fazer a economia crescer um pouco, conseguindo recuperar os empregos. Hoje, o melhor é mantê-lo no cargo até o final do mandato. Em nome de quê iríamos criar um problema agora? Se ele deixasse a presidência, o presidente da Câmara dos Deputados, sem experiência administrativa, assumiria, ou então convocaríamos eleições diretas para um mandato tampão. Qual o benefício disso para o País? Fazer uma eleição tem um custo. Tem gente que torce pelo 'quanto pior, melhor', mas temos de pensar no que é melhor para o povo.

SERVIÇO

O Encontro Nacional do PTB de Bauru será realizado hoje, a partir das 9h, no Obeid Plaza Hotel, que fica na avenida Nações Unidas, 19-50.