11 de julho de 2026
Esportes

Hoje, na série de artes marciais, o taekwondo

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Mauro Fujiyama demostrando chute tradicional do taekwondo

O JC traz a sexta reportagem da série Artes Marciais, que conta, aos domingos, como evoluíram as modalidades de luta em Bauru nos últimos anos. E o tema desta edição é o taekwondo, que originou-se na Coreia do Sul, no período de guerras, entre 1910 e 1945, unindo diferentes estilos de luta em pé e criando características próprias.

O taekwondo despertou o interesse do Comitê Olímpico Internacional (COI) e dos Jogos Abertos do Interior e Jogos Regionais de forma tardia e teve sua primeira participação demonstrativa em nível olímpico em Seul, em 1988, e só estreou como modalidade oficial em Sydney-2000. No Estado de São Paulo, virou esporte das "Olimpíadas Caipiras" somente dez anos depois.

Com duas medalhas olímpicas, o taekwondo brasileiro deve muito ao pioneirismo em Bauru, sendo uma das primeiras cidades da América do Sul a receber e propagar o esporte, em 1973, trazido da Coreia do Sul pelo mestre Young Nan Choi.

Para contar essa história, o JC entrevistou dois especialistas de Bauru, o renomado Mauro Hideki Fujiyama, bauruense chefe da equipe olímpica entre 2000 e 2012, com bronze em Pequim-2008, e o professor da nova geração Vitor Souza, ambos da Associação Bandeirantes, que é referência nacional.

FUJIYAMA: O LEGADO CONTINUA

Aceituno Jr.
Vitor Souza aplicando chute alto

Mestre bauruense faixa preta 6º dan, Mauro Hideki Fujiyama, 53 anos de idade e 43 de taekwondo, começou a treinar com o precursor sul-coreano Young Nan Choi em 1973, mas assumiu o legado em 1980, quando o seu mestre precisou cumprir a tradição local e regressar à família, em Seul. "O taekwondo bauruense literalmente colocava medo nos adversários de outras cidades nas competições dos anos 1880 e inícios dos anos 1990. A nossa modalidade nunca foi um esporte de massa. O funil é muito estreito e são poucos os que persistem até a faixa preta, porque temos um longo e rigoroso percurso de aprendizado e ético", explica.

Fujiyama foi chefe da equipe olímpica brasileira entre 2000 e 2012. Nos jogos de Pequim-2008, apesar de não ter recebido premiação, foi, sim, medalhista de bronze com Natália Falavigna.

O líder da Associação Bandeirantes - cuja sede onde ele dá aulas fica na Luso de campo - revela que nos primeiros 30 anos do esporte, sem tecnologia, era necessário o calejamento dos membros. "Com o passar do tempo, a arte marcial foi se tornando mais esportiva e hoje Bauru conta com aproximadamente 600 praticantes. Temos três sedes da Associação Bandeirantes, na Luso, na academia Saúde e Cia. e na academia Thiago Vianna. Tivemos grandes destaques no passado. Cito o Luciano Melo, Jesus Massari, os irmãos Daniel e Fábio Freitas, Analisse Pires, Oscar Barros, Vitor Souza e o Arildo Lima Junior, que foi presidente da Câmara Municipal em 2016", frisa. Hoje, o taekwondo bauruense de alto rendimento conta com Lucas Sampaio, Silvia D'Ávila e Gabriel Melo.

Fujiyama conta que o esporte passou a figurar nos Abertos e Regionais somente a partir de 2010. Segundo ele, Bauru foi dominante nos primeiros quatro anos dos Jogos Regionais, onde não poderia haver contratações e cada cidade tinha que usar força local.

O mestre avalia que o taekwondo de Bauru só perdeu a hegemonia porque São Caetano, Santos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos investem muito dinheiro e contratam competidores olímpicos, inclusive de outros estados, algo que a Semel de Bauru não consegue acompanhar. "Neste ano, nossos bauruenses conquistaram prata por equipes no Regional e no individual foram três ouros. Nos Abertos, temos um ouro individual masculino também, mas antes da era das contratações."

Fujiyama revela também que o taekwondo deixou de ter projeto social quando a sede da antiga Luso, situada no Jardim Estoril, foi vendida em 2010. "Tentamos levar os meninos para o nova sede, ao lado da (rodovia Marechal) Rondon, mas alguns acabaram desistindo. Buscamos parceria com ônibus para levar os meninos, depois acabou encerrando. Mas não desistimos e a Associação Bandeirantes vai tentar novamente, no ano que vem, retomar projeto social no Mary Dota e precisamos de apoio da Semel", destaca.

VITOR SOUZA: NOVA GERAÇÃO

Aceituno Jr.
Vitor Souza realizando chute duplo em Macaulay Naka e Lucas Castilho

Pertencente à nova geração e discípulo de Fujiyama, Vitor Souza, 34 anos, faixa preta 3º dan, comanda a sede da associação que fica na academia Saúde e Cia, na Vila Universitária. Ele revela que começou no taekwondo aos 9 anos, motivado pelos filmes de luta e pela técnica apurada dos chutes. Vitor Souza coleciona importantes títulos ao longo dos 14 anos como competidor. Ele é campeão brasileiro, tricampeão paulista, campeão pan-americano, campeão do Open da Argentina e possui dois ouros e uma prata em Jogos Regionais.

"Comecei a treinar na mesma academia fundada por Young Nan Choi, que era situada na rua Antônio Alves, 22-49. De lá para cá, o taekwondo bauruense nunca foi um esporte de massa e sempre foi marcado pela qualidade. Evoluímos muito também graças à tecnologia, que permite um sistema de pontuação praticamente perfeito, com sensores nos pés (calcanhar e dorso), no colete do tronco e no capacete", comenta.

Vitor Souza também avalia o taekwondo de Bauru como um esporte sazonal, onde a rotatividade é muito grande. Segundo ele, muitos começam, mas são poucos os que perseveram por anos. Dos atuais alunos, a maioria busca a luta como atividade física. O professor destaca também nomes que levam o taekwondo País afora e que travam lutas para manter o taekwondo bauruense entre os melhores do Estado. "A Analisse Pires eu vi ganhar muita coisa no esporte. Ela foi líder do ranking olímpico nacional em 1999 e disputou o Mundial do Canadá naquele ano. Em 2001, ela lutou nos Jogos Mundiais Universitários, na Coreia do Sul. O Silvio D'Ávila foi pentacampeão paulista, bicampeão brasileiro, campeão pan-americano no Chile, possui vários títulos regionais e foi campeão sul-americano", destaca.

Vitor Souza diz ainda que hoje são três os professores que seguem firmes, promovendo o ensinamento do esporte em Bauru. "Eu, o mestre Fujiyama e o Denilson Brandão, que começou recentemente a dar aulas, somos responsáveis por perpetuar o legado deixado por Nan Choi e manter viva a filosofia para as novas gerações."

SERVIÇO

Luso - rodovia Marechal Rondon, quilômetro 336. Tel: 3313-9565.

Academia Saúde e Cia - rua Caetano Sampieri, 4-80, Vila Universitária. Tel.: 98142-6030.

Academia Thiago Vianna - rua Octávio Mangabeira, 4-56, Jardim Carolina. Tel.: 98802-3263.