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| Da esq. para a dir.: Carlos Braga; senador Valdir Raupp; e Maria Emília Gadelha Serra, da Associação Brasileira de Ozonioterapia |
A aprovação pelo Senado do projeto de lei que autoriza a prescrição da ozonioterapia em todo o País teve a contribuição de um bauruense. A convite do autor da iniciativa, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), o advogado e empresário Carlos Eduardo Faraco Braga foi um dos quatro convidados a participar da audiência pública realizada na semana passada, em Brasília (DF), com o objetivo de oferecer subsídios para a formação da convicção dos membros da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da Casa.
Com a aprovação por unanimidade, no dia 18, caso não haja recurso para votação em plenário, a matéria seguirá para comissões da Câmara dos Deputados, antes de seguir para sanção presidencial. "Este primeiro passo foi uma grande vitória no sentido de ampliar o alcance desta terapia para toda a população brasileira", comenta Braga, que também é professor de direito e ex-deputado estadual.
A ozonioterapia consiste na aplicação de uma fórmula composta por oxigênio e ozônio como forma de tratamento complementar para diversas doenças, incluindo o câncer. No Brasil, a prática é adotada desde 1975 de forma experimental, por ainda não ser reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Braga foi convidado para o debate após lançar, no final do ano passado, o livro "O que aprendi com o câncer", em que relata o drama vivido por ele quando descobriu um câncer no esôfago em 2012. Após se submeter ao tratamento de radio e quimioterapia, o organismo debilitado abriu espaço para uma infecção - uma esofagite por cândida.
Com 30 quilos a menos, ele recebeu alta hospitalar para se tratar em casa e, assim, evitar o surgimento de novas doenças oportunistas. Foi quando iniciou, em uma clínica, o tratamento com ozônio. "A radio e quimioterapia acabaram com o meu tumor, mas quem me reabilitou fisicamente e venceu a infecção, que era muito grave, foi a ozonioterapia, da qual ainda faço uso semanalmente", frisa.
RENOVAÇÃO
Em linhas gerais, Braga explica que o ozônio - formado por três átomos de oxigênio - contribui para a renovação com maior nível de oxigênio das células sadias e, ao mesmo tempo, para o combate às células cancerígenas, que dependem de um ambiente com pouco oxigênio para sobreviver. "Assim, ele atenua um dos efeitos colaterais mais graves da quimioterapia, a perda de imunidade, que pode levar o paciente a sucumbir por outras doenças", acrescenta.
A aplicação do gás, por sonda, pode ser feita por diversas vias - retal (a mais comum), vaginal, uretral, nasal, auricular, venosa muscular e dermatológica, bem como pela ingestão de água ozonizada, dependendo da recomendação médica. "Trata-se de uma terapia de custo muito baixo e consagrada mundialmente, já adotada em redes públicas de saúde na China, Rússia, Espanha, Portugal, Itália, Suíça, Suécia, México, Peru, Chile, Colômbia e em 23 estados dos Estados Unidos", enumera.
O bauruense reforça, contudo, que o objetivo, com a aprovação do uso da ozonioterapia, é aplicá-la como tratamento complementar à radio e à quimioterapia, que ele considera indispensáveis para a cura do câncer.
Durante a audiência, o relator da proposta na comissão, senador Edison Lobão (PMDB-MA), também deu seu testemunho sobre a eficácia da ozonioterapia, da qual é usuário após cirurgias nas cordas vocais. Segundo especialistas, ela funciona como terapia coadjuvante em doenças inflamatórias, infecciosas, circulatórias, queimaduras, feridas e até em pacientes autistas.