| Thiago Navarro |
| A Estação de Esgoto ainda estava assim em fevereiro e de lá para cá pouca coisa mudou |
O ritmo lento das obras de construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa segue preocupando o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e a cidade. Após inúmeras reuniões e visitas técnicas, inclusive com vereadores, e uma audiência pública em agosto, a empresa responsável pelo projeto se comprometeu com a autarquia em apresentar soluções para as estacas-raiz, porém, o relatório enviado ao DAE foi inconclusivo e o impasse continua.
A Arcadis Logos, multinacional holandesa que adquiriu a Etep - empresa que fez o projeto original, em meados de 2010 e 2011 - ficou de apresentar ao presidente do DAE, Eric Fabris, uma resposta para o principal entrave da ETE, que é a capacidade de carga das estacas-raiz dos tanques de aeração. A posição foi dada pela Arcadis na última semana, mas não aponta uma conclusão definitiva ou apontamento que indique uma solução.
"Eles nos apresentaram um relatório em que não existe alternativa viável. Mas em engenharia, temos que apontar uma solução, para que a obra ande, ou faça alterações, enfim, algo que mostre o que precisa ser feito.
Na quinta-feira (amanhã), no período da tarde, irei até São Paulo para me reunir com eles, e ver se chegamos a uma solução", detalha Fabris, em entrevista ao JC.
O entrave na obra se concentra nos tanques de aeração. "Os outros setores já estão praticamente concluídos. E conforme a solução que for apontada para as estacas-raiz dos tanques de aeração, o mesmo pode ser adotado nos reatores anaeróbios", avalia o presidente da autarquia.
Ao todo, cerca de 2 mil estacas-raiz foram colocadas. De acordo com Fabris, as obras civis já têm 72% do total concluído.
"Do que resta, uns 10% ainda é possível tocar, e os demais dependem mesmo da solução para as estacas. Já a parte de aparelhos eletromecânicos está andando normalmente, dentro do previsto, são equipamentos que correspondem a aproximadamente metade do custo total da obra, e que demoram às vezes um ano para ficarem prontos, são feitos até no Exterior. Mas isso está dentro do prazo", reforça.
PRAZOS
Por enquanto, a Prefeitura de Bauru ainda trabalha com previsão de inaugurar a ETE até dezembro de 2018. As obras estão a cargo da empresa COM Engenharia, cujo contrato inicial era de R$ 129 milhões, mas que pode chegar a R$ 144 milhões com o ritmo atual. Desse montante, R$ 118 milhões devem vir do governo federal, a fundo perdido, e o restante do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), administrado pelo DAE e que já tem mais de R$ 166 milhões na conta.
Já a fiscalização é realizada pelo consórcio SGS-Enger/JHE, cujo contrato termina no final deste ano. O DAE informou que ainda estuda se abrirá licitação para contratar uma nova empresa fiscalizadora, ou se prorrogará o vínculo do consórcio atual.
A ESTAÇÃO
A ETE Vargem Limpa será responsável pelo tratamento de 95% do esgoto da zona urbana de Bauru. O restante já é tratado pela ETE Candeia, na região do Núcleo Gasparini, Pousada da Esperança e Vila São Paulo, além da ETE de Tibiriçá, que trata os dejetos do distrito. Esta última, inclusive, apesar de ter sido reformada há apenas seis anos, já apresenta problemas e uma nova estação precisará ser construída no distrito de Tibiriçá. Por fim, o DAE também praticamente concluiu a instalação dos interceptores nas margens do Rio Bauru e dos córregos na área urbana, restando poucos pontos de ligação e a transposição da margem esquerda para a direita do Rio Bauru, já nas proximidades da ETE Vargem Limpa.
'ANIVERSÁRIO'
O problema com as estacas-raiz começou no final do ano passado e se arrasta, portanto, há quase um ano. Na época, os testes realizados apresentaram resultados insatisfatórios em cerca de 80% das estacas. Novas provas de carga foram realizadas, e uma das possibilidades era a colocação de uma laje para ajudar na sustentação. Contudo, ainda não há definição, o que o DAE e a prefeitura aguardam por parte da Arcadis Logos, com reunião agendada amanhã.
Entre os problemas do projeto, estão ainda a falta de Acompanhamento Técnico de Obra (ATO), e a necessidade de elaboração de um projeto elétrico que não estava previsto anteriormente. Em agosto, o DAE chegou a afirmar que entraria na Justiça contra a Arcadis Logos, mas a empresa acabou aceitando retomar o diálogo, deixando o passivo já existente (falhas anteriores) para discussão em outra oportunidade. Porém, a autarquia ainda espera um desfecho que permita a finalização dessa parte da obra.