10 de julho de 2026
Nacional

Febre amarela: Prefeitura quer vacinar 2,2 milhões de moradores em SP

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 4 min

Em até dois meses, a Prefeitura de São Paulo prevê vacinar contra a febre amarela 95% da população da zona norte da capital, estimada em 2,4 milhões de pessoas. Para atingir a meta, a gestão municipal anunciou nesta sexta-feira, 27, que vai ampliar a campanha de imunização para todas as 91 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da região em até 30 dias. Atualmente, 37 UBSs estão fazendo a vacinação de moradores da zona norte.

Os postos vão funcionar com horário ampliado, de 7 horas às 19 horas, a partir da próxima semana. Até agora, o horário de funcionamento tem sido de 8 horas às 17 horas. Aos sábados, funcionará das 8 horas às 17 horas e, aos domingos, das 8 horas às 14 horas.

Na capital, já foram aplicadas 147 mil doses da vacina nas regiões do entorno do Horto Florestal, do Parque Anhanguera e do Cantareira desde o dia 20 de outubro. Por dia, cerca de 60 mil doses estão sendo aplicadas, de acordo com a administração municipal. O Ministério da Saúde vai enviar ao Estado mais um milhão de doses.

O secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, afirmou nesta sexta que na terceira etapa da campanha o objetivo é imunizar pelo menos 95% dos 2,4 milhões de habitantes da região norte da cidade - ou seja, 2,2milhões de pessoas.

Pollara afirma que a procura dos paulistanos pela vacinação aumentou nesta semana e volta a reforçar que "não há necessidade de que toda a população se vacine". Segundo o secretário, durante a campanha de vacinação contra o vírus no Rio de Janeiro, o governo federal "perdeu" R$ 2 milhões por pessoas de fora das áreas de risco que foram se vacinar sem necessidade.

A coordenadora do programa municipal de imunização da capital, Maria Ligia Nerger, diz que moradores do centro de São Paulo "não têm como entrar em contato com o vírus", já que o vírus está sendo transmitido na sua forma silvestre - nas matas - e não urbana.

Nos últimos dez anos, 10% da população paulistana já tinha recebido pelo menos uma dose da vacina. Até agosto deste ano, 300 mil pessoas foram vacinadas contra o vírus da febre amarela. A quantidade de doses ministradas é quatro vezes superior ao de todo o ano passado na capital: em 2016, foram aplicadas 70 mil doses.

Para Maria Ligia, o aumento tem relação com a proximidade dos casos de transmissão do vírus em macacos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Nos estados da região Sudeste, no auge da transmissão do vírus Haemagogus, foi registrada a morte de macacos pela população. A Prefeitura já se articula para evitar o mesmo comportamento na cidade.

"A Prefeitura está em alerta porque existe a possibilidade de que a população comece a se juntar para matar ou usar como desculpa para caçar", diz a diretora da Divisão de Fauna Silvestre da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, Juliana Summa. Segundo ela, por enquanto chegaram à pasta boatos de que macacos estariam sendo mortos na região de mata da zona sul da capital e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi acionada para atuar.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 16 carcaças de macaco foram levadas para análise desde o dia 9 de outubro, data de confirmação da morte de um Bugio, no Horto, pela transmissão do vírus Haemagogus. Um segundo animal foi encontrado morto no Parque do Anhanguera. Dois exames identificaram a presença do vírus. A Prefeitura aguarda o resultado do terceiro e último exame.

Há 15 parques fechados em São Paulo para prevenir contra o avanço do vírus. Os parques em que foi determinado fechamento ou restrição de acesso a partir de hoje ficam na zona norte. Na lista, estão unidades como o Lions Tucuruvi e o São Domingos. Os parques Anhanguera e os lineares Canivete e Córrego do Bispo, no extremo norte, já haviam recebido a mesma orientação na terça. Já o Horto Florestal e o Parque da Cantareira, estaduais, estão fechados desde a semana passada.

Aedes. A Prefeitura tem usado nebulização - fumacê - e visitas a imóveis na zona norte como estratégia de combate ao Aedes aegypti na região do Horto Florestal e do Parque do Anhanguera, na zona norte. A medida é de prevenção contra a febre amarela.

A pasta informou que equipes das Supervisões de Vigilância em Saúde (Suvis) atuaram em imóveis às ma