Para quem teve a oportunidade e o privilégio de passar pelos anos dourados em que o fascínio pelas novidades era evidente deve sentir uma pontinha de saudades e um gostinho de quero mais. Afinal, quem não se recorda...
Da Mesbla, pioneira no ramo de lojas de departamentos. Do aparelho de televisão Colorado RQ "preto e branco" com um seletor de canais e diversos botões. Do rádio de mesa Semp, transistorizado e sem válvulas, conhecido como capelinha. Do refrigerador Climax, de cores variadas e um puxador na horizontal para abrir a porta. Do relógio cuco e seu passarinho, que diante das horas cheias, emitia o som: Cuco! Cuco! Da cristaleira, peça indispensável na sala de jantar, onde se guardavam e expunham louças e cristais.
Da Casas Buri, tradicional em tecidos, confecções, cama, mesa e banho. Da máquina de escrever Remington, da destreza na hora de trocar a fita, dos iniciantes catando milho e do frenético: Tec, Tec, Tec... Da professora, que utilizava instrumentos de madeira (régua, esquadro, transferidor e compasso) para ensinar geometria no quadro negro. Do boletim escolar e suas notas vermelhas. Dos álbuns de figurinhas e de seus envelopes de cromos, que mais traziam "repetidas" do que as que faltavam para completar o álbum.
Da loja O Discão, especializada em discos de vinil, fitas cassetes e agulhas de cristal. Das brincadeiras de "bolinha de gude" e das táticas para acertar as bolinhas de vidro colorida, dispersas em um círculo. Da saída da escola, onde se tirava no par ou impar, qual a casa que iriam tocar a "campainha" e sair correndo. Do primeiro terninho com gravata borboleta, usado na cerimônia da primeira comunhão.
Das séries Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, Túnel do Tempo que deixavam a molecada com os olhos fixos na televisão. Do Volkswagen Sedan, apelidado de "Fusca" pelos brasileiros. Do quadro da Santa Ceia que ficava na parede da copa, de famílias tradicionalmente católicas. Do fogão Dako esmaltado, do botijão de gás e de suas capas plásticas floridas. Da máquina de costura Singer, do movimento manual por meio de um pedal, da habilidade em passar a linha na agulha, em recarregar a canelinha e ajustar a correia de couro.
Da Casa Ochi, um armazém de "secos e molhados" que vendiam por quilo, embalavam em sacos de papel e amarravam com barbante. Do feijão, que antes de ser utilizado, tinha que ser escolhido para retirar as pedras. Da máquina de moer carne, que para utilizá-la, era preciso fixá-la na lateral da mesa. Da lata de cera Parquetina e seu inseparável "escovão", que para dar brilho no assoalho, era preciso esfregá-lo com uma flanela. Do filtro de barro São João, que na primeira filtrada, deixava a água com um gosto horrível de barro.
Do letreiro da Pharmacia, isto mesmo, com "ph" e sem o "f"na palavra. Do pó compacto Cashmere Bouquet, indispensável na hora da maquiagem. Da pomada Minancora, utilizada para prevenir e tratar infecções da pele. Das Pílulas de Vida do Dr. Ross, que serviam para ajudar na digestão. Do vidro de Mercurocromo, para tratar dos "esfolados" deixado pelos tombos no quintal. Do sabão em pó Omo, que além de tirar as manchas e deixar as roupas mais brancas, foi o primeiro a ser lançado na cor azul.
Os tempos são outros, mas as lembranças vão surgindo e trazendo de volta recordações que a memória insiste em resgatar...