08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Esqueceram de mim!

Aguinaldo dos Santos, advogado
| Tempo de leitura: 3 min

Se há boa dose de verdade nas assertivas - "não há justiça sem advogado", "não há tratamento e restauração da saúde sem médico", e outras profissões, também se pode dizer com segurança que sem professores não há advogados, médicos, engenheiros e outros profissionais. Evidente que não se estabelece uma disputa entre os diversos profissionais atuantes na sociedade. Mas constata-se que a educação, considerada em seus vários níveis, é a base do desenvolvimento humano e social; fora dela desses domínios não há salvação!

Entretanto, infelizmente "temos um apagão de professores pela sua desvalorização". A falta de políticas que valorizem os profissionais da educação, são procuradas outras profissões, que oferecem melhor remuneração. O desestímulo vem dos baixos salários e condições de trabalho. Costumeiramente. atribui-se ao professor a responsabilidade exclusiva pelo aprendizado e o surto de indisciplina reinante nas escolas.

Nos últimos anos. percebe-se que o professor está sozinho. Jorram na sociedade pessoas despreparadas ocupando cargos que jamais poderiam ser de alguém que nunca entrou em sala de aula como educador. Técnicos que desconhecem a realidade brutal e indigna à qual estão submetidos os nossos profissionais de educação, estão se tornando ícones da educação...

Definitivamente, há algo errado com uma sociedade que não consegue dar ao ensino a prioridade que ele precisa ter, como importante ferramenta para a sua transformação e progresso. Cobrar do professor a necessidade de estar preparado, estudar e aplicar novas metodologias, utilizar novas tecnologias é fácil! Ser criativo e preparado é uma verdade, mas, é um absurdo cobrar o professor, sem que lhe sejam fornecidas condições de trabalho - é impossível! Como ser criativo com as classes superlotadas, alunos dispostos em cadeiras inadequadas, carência de material pedagógico auxiliar, salas-de-aulas desconfortáveis, horários e distribuição de carga horária por várias escolas, estabelecendo um corre-corre diário, sem contar ainda, com a indisciplina.

Não dá mais para o professor caminhar isolado. Só, está desamparado, largado impotente e de mãos atadas. O professor não precisa de "datas comemorativas", ele quer remuneração condizente com o importante papel desempenhado na sociedade, o funcionamento do ambiente de trabalho adequado, harmonioso e produtivo. Um país sério investe em educação e apresenta resultados palpáveis - não ilusórios

Não dá mais para o professor caminhar isolado, sem o apoio da sociedade. Não podemos ser iludidos com os números e propagandas enganosas de nossos governantes, que mostram escolas com prédios belíssimos, jornada integral para os alunos, com o intuito de ludibriar os incautos, mostrando uma educação em ascensão e com excelentes resultados.

Apesar de sua indiscutível importância, é frustrante para o professor a indiferença e o distanciamento dos governantes. O professor - herói anônimo "está só, esquecido"... apesar da luta insana dos seus representantes nas várias categorias, a inércia e omissão do Poder Público são patentes.

Ao professorado, em seu dia, lembrado por poucos, cabe a esperança de não permanecer sozinho tirar de seus ombros o peso da sensação de solidão e impotência no contexto escolar. Enquanto esse momento não chega, ele caminhará sozinho e se sentira sozinho.

O Poder Público e a própria mídia parecem ter esquecido os seus professores, o que, porém, não é novidade! É lastimável ! A própria comunicação social esqueceu e nos principais órgãos da imprensa falada e escrita não se viu qualquer destaque ao Dia do Professor - Esqueceram de mim!

Após estes reclames rendemos homenagem e consignamos elogio aos professores que têm procurado, ao longo dos anos, apesar da omissão dos governantes, dar contribuição para o ensino e educação das gerações. Parabéns, professores!