09 de julho de 2026
Geral

Projeto Alegria: 18 anos doando tempo

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Renan Casal
Dione Mota (Zé Barbão) e Tamires Frank (Tutu) fazem mágica para a pequena Ana Clara Silva de Jesus, 6 anos

O Projeto Alegria abriga 191 voluntários, que doam aos pacientes e acompanhantes de três hospitais da cidade o que há de mais precioso: o seu tempo. Em comemoração aos 18 anos da proposta, houve uma campanha de doação de sangue, ontem pela manhã, no Hemonúcleo do Hospital de Base de Bauru. Na ocasião, mais de 100 pessoas participaram.

Entre elas, estava a pequena Ana Clara Silva de Jesus, de 6 anos, que se encantou diante da mágica dos palhaços Zé Barbão e Tutu. Mãe da criança, a estudante Gislaine Aparecida da Silva, de 30 anos, doava sangue. "Meu marido é meio medroso, mas ficou sabendo que teria essa ação e resolveu vir, afinal, é uma iniciativa muito boa, acho que assim é que se consegue chamar a atenção do público, com o lúdico", ressalta.

Presidente do Projeto Alegria, Tiago Vinício Alves, narra que tudo começou graças à psicóloga Maria Claudina, que pretendia levar os jovens para conhecer o ambiente hospitalar e, assim, fazer com que valorizassem a própria vida.

"No começo, o projeto era assistencialista, porque doava colchonetes, cobertores, pastas de dentes, escova de dentes, sabonetes etc. Como os Amarelinhos já faziam isso, a psicóloga teve a ideia de tornar o projeto mais humanizado, inspirada em Patch Adams", acrescenta.

AMPLIAÇÃO

Inicialmente, os voluntários trabalhavam somente no Hospital de Base. Depois, passaram para o Hospital Estadual e o da Unimed Bauru.

"As pessoas se comprometem a doar um pouco do seu tempo para dar alegria ao outro. O bem mais preciso, hoje, é o tempo. Quem se disponibiliza a perder uma ou duas horas do seu dia, da sua semana, para estar dentro do hospital?", questiona.

Até a assistente social do Hemonúcleo do Hospital de Base, Valéria Ferreira Nunes Coltri, entrou na brincadeira. "Esse tipo de iniciativa só motiva os doadores", destaca. Tanto que, só na manhã em que o projeto esteve no Hemonúcleo, mais de 100 pessoas doaram sangue. Em dias comuns, não passa de 40.

Quem também doou sangue ontem foi o auxiliar administrativo José Moysés Neto, de 27 anos, mais um integrante do Projeto Alegria. "Ajudar o próximo, salvar uma vida é o mais importante de tudo. Não custa nada, não leva nem 15 minutos", complementa.

EM FESTA

Conselheiro do Projeto Alegria, Dione Mota destaca que a iniciativa completou 18 anos em setembro, mas a diretoria decidiu celebrar o aniversário durante todos os finais de semana do mês de outubro. No primeiro, houve um churrasco de confraternização entre os voluntários.

No final de semana seguinte, os integrantes do projeto doaram fraldas geriátricas para os idosos da Vila Vicentina. No outro, houve uma palestra de capacitação sobre a segurança dentro do ambiente hospitalar, administrada pelos Terapeutas do Sorriso, de Marília. Os voluntários participaram, ainda, de uma oficina de atuação. Ontem, o Projeto Alegria realizou uma campanha de doação de sangue. Hoje, haverá uma oficina de contação de histórias no Teatro Municipal, das 14h às 16h.

"O mais legal é a gente poder não só comemorar, mas também fazer o bem e trazer as pessoas para fazer o bem. O objetivo é levar um pouco de alegria e esperança para quem está dentro do hospital, não só pacientes, mas acompanhantes, funcionários, enfim, a gente brinca com todo mundo", finaliza.

Colecionando histórias

Há quatro anos no Projeto Alegria, Tiago Vinício Alves coleciona várias histórias tocantes. Certa vez, ele entrou em um quarto de um paciente que estava em coma e, embora a família já tivesse alertado sobre a sua condição, começou a conversar com ele. "Disse que daria tudo certo. Nesse momento, ele apertou a minha mão. Dali para a frente, o paciente só melhorou e teve alta dois meses depois", relata, emocionado.

Já Dione Mota está no projeto há oito meses e acredita que o fato mais tocante se deu com o seu colega. "A gente faz uma florzinha de guardanapo, entrega para as pessoas e um colega fazia isso para uma paciente, que nunca se movimentava. Ela guardava todas e, quando piorou, pediu para as filhas guardarem as flores. Ela, infelizmente, faleceu, mas a iniciativa marcou a sua vida", conclui.