| Douglas Reis |
| Deputado Estadual Cauê Macris, visitou o JC |
Uma Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) mais presente no Interior e dialogando com os municípios e a imprensa regional. Para o presidente da Assembleia, o deputado estadual Cauê Macris (PSDB), este é o caminho que a Casa de Leis do Estado deve seguir para aumentar seu protagonismo e participar da vida do cidadão. Macris esteve em Bauru há dez dias, para uma audiência na Câmara Municipal, quando o Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS) da Região Administrativa foi apresentado, conforme o JC divulgou na ocasião.
Em seguida, concedeu entrevista ao Jornal da Cidade, no Espaço "Café com Política", antes de seguir para a Marília, onde fez outra audiência, desta vez para mostrar os dados daquela região. Aos 34 anos, Macris tem base eleitoral na região de Americana e foi eleito presidente da Assembleia Legislativa no começo deste ano, para o biênio 2017/18. A seguir, os principais pontos da entrevista.
JC - A população acompanha com mais frequência as notícias das Câmaras Municipais de suas respectivas cidades e do Congresso Nacional. Parece haver um distanciamento da Assembleia Estadual, o senhor concorda?
Macris - De fato, existe essa percepção por parte das pessoas, porque o que é votado nas Câmaras Municipais e no Congresso (Câmara dos Deputados e Senado) afeta de imediato o cidadão, são medidas que a população vai sentir a curto prazo, no outro dia. Então, a própria imprensa acaba dando mais destaque. Já a Assembleia Legislativa vota muitos temas com impacto a médio e longo prazos. Vou dar um exemplo. Aprovamos, recentemente, a holding da Sabesp, que vai permitir que ela atue em áreas como resíduos sólidos, prestando serviços aos municípios. Isso vai impactar bastante nos próximos anos, mas é algo a médio prazo. As leis que a Assembleia vota que têm um impacto mais imediato são ligadas, em geral, ao Direito do Consumidor. Essas acabam repercutindo mais. Outra lei é a que permite o uso do celular em sala de aula para fins pedagógicos.
JC - E como mudar isso?
Macris - Eu acredito que a Assembleia também falha ao não se comunicar adequadamente. Precisamos estar presentes em todo o Estado, pois temos deputados de todas as regiões paulista. Mas hoje, a comunicação é apenas do parlamentar com a sua base, o que deve continuar e é importante, claro. Porém, é necessário fortalecer a comunicação da instituição. Estou em Bauru vindo de forma institucional, como presidente da Assembleia, não estou atrás de votos. A cidade e região já têm seus deputados (Pedro Tobias e Celso Nascimento) e esse trabalho de levar a Alesp de forma institucional é que estamos reforçando. Isso passa ainda pela TV e Rádio Alesp, Agência Alesp, disponibilizando notícias atualizadas aos órgãos de imprensa e um relacionamento mais próximo da instituição com a mídia regional.
JC - A transparência é outro ponto em que a Assembleia tem procurado mudar?
Macris - Exatamente. Estamos trabalhando com austeridade nos gastos públicos, procurando rever contratos, evitando aumentos com folha salarial da Alesp e dando mais transparência a tudo o que diz respeito às informações da Assembleia, pois se trata de dinheiro público. É direito do cidadão saber como está sendo gasto. Criamos o aplicativo "Fiscaliza Cidadão", na qual qualquer pessoa pode ver quanto cada gabinete de deputado gastou.
JC - O senhor é do mesmo partido do governador Geraldo Alckmin (PSDB), portanto da base aliada. Como a Assembleia tem atuado junto ao Executivo para que São Paulo se mantenha estável diante do cenário econômico atual?
Macris - O Estado de São Paulo segue nos trilhos porque tem rigor fiscal e isso tem que continuar. A discussão nesse assunto é constante. A PEC 5, por exemplo, quer que o teto salarial do funcionalismo paulista seja equiparado ao Tribunal de Justiça e não mais ao salário do governador. O impacto anual no Orçamento seria de R$ 1 bilhão, algo impensável hoje. E por ser uma PEC, se a Alesp aprovar, não tem como o governador vetar. Eu, como presidente da Assembleia, posso colocar isso em pauta ou não. A pressão é grande para que seja votado, mas eu disse que, enquanto for o presidente, não colocarei em votação porque não quero que a Assembleia carregue a pecha de ter tirado São Paulo do rumo. É uma questão de responsabilidade mesmo.
JC - Para finalizar, o momento político do País é delicado. Qual sua avaliação sobre os rumos que o Brasil vai ter nos próximos anos?
Macris - A sociedade não acredita mais na política, há uma descrença enorme. A lita tem que ser para separar o joio do trigo. As pessoas de bem que estão na política precisam mostrar que é possível lutar para melhorar. Hoje, os dois maiores problemas do Brasil são a corrupção e a má gestão do dinheiro público. Porque recursos, o País tem, não somos um País pobre, mas o dinheiro é que não é bem administrado. O que precisa mudar é a sensação de impunidade. As pessoas fazem o errado pela certeza de que nada vai acontecer. Na Assembleia Legislativa, estamos tendo o cuidado de deixar um legado, criando o cargo de Controlador Interno, que será ocupado por um funcionário concursado. Ele fiscalizará internamente as ações e o uso dos recursos que temos disponíveis lá.
Visita
Cauê Macris esteve em Bauru para apresentar o IPRS. O parlamentar foi recebido pelo deputado estadual Celso Nascimento (PSC) e pelos assessores do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), além do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), do presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola (PDT) e demais vereadores. Prefeitos, vice-prefeitos e vereadores da região também acompanharam a audiência na Câmara.