11 de julho de 2026
Articulistas

Economia brasileira: o 'U' está se confirmando

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Quem acompanha meus artigos deve se lembrar que utilizei a figura da letra "U" para ilustrar o momento da economia brasileira no tocante ao seu crescimento. Diferentemente do "V", que demonstra queda no Produto Interno Bruto e logo ocorre a recuperação econômica e do "W", que indica queda, recuperação e depois novo mergulho na crise para somente depois deste ciclo iniciar a recuperação, o "U" indica processo mais lento do desempenho econômico.

Esclarecendo melhor. A recessão por dois anos, portanto, crescimento negativo, é a parte esquerda do "U", ou seja, indica a inclinação da letra, a base, mais longa do que o "V", demonstrando a lenta recuperação, para depois atingir a parte direita, que aponta para o crescimento econômico. Avalio que, gradativamente, o País caminha para o fim da barriga do "U". Isso se comprova na indicação de confiança de vários setores da economia e principalmente na recuperação do emprego.

Dados recentes do IBGE indicam que o desemprego no Brasil caiu no último trimestre, fechado em setembro para 12,4% diante do número que já teve seu ápice no primeiro trimestre deste ano de 13,7%. Evidentemente que esta variável tem que ser analisada em real dimensão, qual seja, equivale a força de trabalho, portanto, avalia quem trabalha e quem busca uma colocação no mercado de trabalho. Um dos fatores de queda é o crescimento da informalidade. Neste caso, esses trabalhadores estão se sustentando e deixaram de procurar emprego formal, reduzindo a estatística. Também cresce o número de brasileiros que estão trabalhando por conta própria. Cansados de buscar colocações no mercado formal e tradicional, iniciam carreira solo.

Apesar desta constatação, entendo que são etapas a serem cumpridas. O ciclo de recuperação do emprego se inicia precariamente e, aos poucos, chega ao mercado formal. De novo o "U" é comprovado. Um indicador que demonstra que as coisas estão mudando, para melhor, é a remuneração média do trabalhador formal: observou ganhos reais, ou seja, acima da inflação.

Vale destacar que mesmo entendendo que o País segue com um novo ciclo, agora de crescimento, isso ainda não é uniforme. A própria projeção de crescimento da economia para este ano comprova isso: setor primário que representa somente 5,5% do PIB poderá crescer acima de 10%, enquanto os setores secundários (indústria) e terciário (comércio e serviços) poderão apresentar crescimento negativo. Cada um de nós sentirá de uma maneira o resultado macroeconômico. Dentro de meu "otimismo realista", avalio que poderemos ter um fim de ano que, se não for dos sonhos, será melhor do que dos últimos anos, abrindo boas perspectivas para que a perna direita "U", a do crescimento, se confirme. É um longo caminho, mas que já teve seu início.