Por volta dos anos de 1982, século passado, eu residia em Imperatriz - MA, longe, portanto, dos meus familiares do interior paulista. Aquilo mexia um pouco com minha cabeça de criança. E recordo-me que num dos aniversários de meu irmão, vendo-o ganhar inúmeros presentes, indaguei minha mãe: E eu? E os meus presentes?
Minha mãe, de forma um tanto quanto seca, respondeu: Ora, é aniversário dele, não seu. Bem próprio de um humano, fiz beicinho e mimimi...
E eis que minha mãe deu-me uma lição inesquecível: Meu filho, o momento é dele e não seu, o aniversário é dele, não seu. Eu, inconformado, apelei: Sim, e o que eu faço? E ela deu-me uma aula de amor: Enquanto não chega sua vez, enquanto não é o seu momento, você vai para arquibancada e aplaude...
É assim que funciona na vida, meu filho, há o momento de todos, é preciso entender e aprender a aplaudir... Logo chegará o seu momento, então, seu irmão terá de ir para a arquibancada aplaudir.
Aquilo ficou gravado: É preciso aprender a aplaudir. Pois sim... Hoje, passados mais de 35 anos do ocorrido e no momento atual de nossa sociedade, percebo como se faz importante aprendermos a lição de que é preciso aprendera a aplaudir, é fundamental esperar o nosso momento e torcer para que o outro, em seu momento, seja feliz e tenha sucesso.
Quantas bobagens fazem os homens públicos porque não aprenderam a aplaudir? Deixam de prosseguir com boas ideias ou obras da gestão anterior simplesmente pela razão de não saberem aplaudir, dando continuidade às boas coisas que foram realizadas por outros líderes. Quantas oportunidades de viver uma boa relação perdem as pessoas porque ainda não aprenderam a aplaudir o outro em seu momento de luz, glória e sucesso.
Em geral somos solidários nos maus momentos, damos as mãos para as pessoas quando a fase delas está difícil. Somos os primeiros a manifestar solidariedade nos momentos de dor e luto alheio. Em contrapartida, temos dificuldades para aplaudir, temos sérios problemas em participar da "festa" alheia sem sentir um pouco de inveja.
Penso ser um alívio liberar-se deste sentimento de inveja e conquistar a capacidade de entender e aplaudir o momento do outro. Até porque, cedo ou tarde chegará nossa vez, e ficaremos muito felizes caso não tenha "olho gordo" em nossas vitórias. Mas antes que chegue nosso momento é preciso, primeiro, aprender a aplaudir...
O autor é colaborador de Opinião