| Samantha Ciuffa |
| Elizeu Eclair (na frente) e Mayra Fernandes (com o microfone) |
A Prefeitura de Bauru e a Emdurb manifestaram, nessa quinta-feira (9) à tarde, o interesse em renovar o contrato da coleta e transporte do lixo orgânico, em reunião da Comissão de Obras da Câmara. O vínculo atual termina em 2 de janeiro, e o presidente da Emdurb, Elizeu Eclair, já havia anunciado ao JC nesta semana que a renovação deve ser efetivada. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) também já declarou que vai renovar o contrato.
A Emdurb pode fazer o processo com dispensa de licitação, desde que apresente preço semelhante ou abaixo do mercado. Para isso, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) está levantando preços junto à iniciativa privada. A titular da Semma, Mayra Fernandes, disse na reunião que cinco empresas responderam aos pedidos da pasta. Ela não revelou o valor de cada uma, mas variam entre R$ 165,00 e R$ 180,00 a tonelada. A secretária citou que, se necessário, uma prorrogação pode ser feita no contrato atual para garantir os serviços até a formalização do novo documento.
Atualmente, a prefeitura paga R$ 154,85 por tonelada coletada, mas a Emdurb gasta R$ 185,00, gerando quase R$ 2 milhões de déficit anual. Um novo contrato deve girar na casa de R$ 190,00 a tonelada, crê a Emdurb, que se baseia em preços praticados em outras cidades de médio porte.
TRANSBORDO
O encarecimento do preço da coleta em Bauru é justificada pela Emdurb pela distância do aterro privado de Piratininga. "Além de percorrer o setor da coleta, cada caminhão anda mais 70 quilômetros entre ida e volta do aterro. Isso significa mais gasto com combustível, pneus, manutenção, hora extra. E tem o pedágio, que consome entre R$ 32 mil e R$ 35 mil por mês", mencionou Eclair.
Questionado se teria outra alternativa de caminho até o aterro, sem o pedágio, foi citado que este é o único acesso pavimentado. Também foi colocada a possibilidade de uma área de transbordo, na qual os resíduos sólidos seriam levados pelos caminhões da coleta orgânica, e depois transportados por veículos maiores até o aterro, pagando menos pedágio. Mayra Fernandes destacou que isso foi discutido e cogitado, mas como a cidade terá uma Parceria Público-Privada (PPP) para a destinação do lixo (não para a coleta), uma área de transbordo não deve ser feita agora.
EXTRAS
A Emdurb alegou que gasta R$ 55 mil mensais com horas extras na coleta, sendo aproximadamente metade com motoristas, justamente pela distância do aterro. Eclair reforça que a despesa com hora extra precisa cair e defende que os coletores voltem a trabalhar 8 horas diárias e não mais 6 horas.
O Sinserm rechaça a possibilidade e defende que o ônus não pode ser jogado aos funcionários. Uma reunião entre Emdurb e Sinserm deve acontecer na próxima quinta-feira.
|
Equipes menores
Para reduzir o déficit e ter preços semelhantes ao do mercado, a Emdurb fez uma proposta de mudança na jornada de trabalho dos coletores. Uma das medidas seria a redução de quatro para três funcionários por caminhão. Questionado pelo vereador Fábio Manfrinato (PP) onde alocaria esses trabalhadores, Elizeu Eclair disse que alguns funcionários podem ser readaptados em outras funções, caso eles mesmos desejem, e dentro do que permite a lei, e também formar duas equipes de reserva na coleta, para situações como atrasos por quebra de caminhões.
O investimento em veículos, aliás, é um ponto crítico da coleta de lixo há vários anos. São 21 caminhões próprios, muitos deles em manutenção constante pela idade da frota, e a Emdurb ainda precisa alugar cinco caminhões, com custo mensal de R$ 60 mil, aproximadamente, o que totaliza cerca de R$ 700 mil anuais. Eclair destacou que as coletas orgânicas, seletiva e hospitalar são os únicos três centros de custo (prestação de serviço), de um total de 29, que são deficitários na Emdurb no momento.
|