09 de julho de 2026
Política

Pacientes que participarão de ato pedem permanência do Branemark

Tisa Moraes e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Atendidas pelo Branemark, Nayde dos Santos Neves, Cecilia Aparecida Gabriel e Alice Petrolli vieram ao JC declarar apoio ao instituto

Pacientes que receberam tratamento ao longo dos últimos anos no Instituto Branemark irão dar um "abraço coletivo" no prédio da entidade amanhã, às 10h, como forma de protesto contra a possibilidade de encerramento das atividades. Conforme o JC vem divulgando, o instituto pode ser obrigado a deixar o imóvel, localizado na quadra 27 da avenida Nações Unidas, na Vila Universitária, por divergências sobre o número de atendimentos prestados, exigidos como contrapartida para a renovação da cessão da área pela Prefeitura de Bauru.

O ato contará com a participação de moradores de Bauru como Alice da Silva Petrolli, 80 anos, que conta ter tido a vida transformada há oito anos, quando ganhou um implante dentário do Instituto Branemark. Sem condições de custear o tratamento em uma clínica particular, ela sofreu por muito tempo com uma incômoda prótese, que machucava sua gengiva.

"Quando estava sozinha em casa, nem usava, de tanto que doía. O implante fica perfeito, melhorou muito minha qualidade de vida, assim como ainda pode melhorar a vida de muita gente. O instituto tem que continuar", defende.

Pequenos detalhes do dia a dia também mudaram na rotina de Cecília Aparecida Gabriel, 65 anos, que trocou a prótese inferior por um implante há três anos. "Já não estava comendo mais carne, maçã, que eu tanto gosto, e tinha problemas no estômago, porque não mastigava direito. Se não tivesse o instituto, eu iria morrer com todas estas dificuldades", observa.

Assim como ela, Nayde Moreira dos Santos Neves, 72 anos, recebeu todo atendimento de forma gratuita. Com uma prótese que insistia em desencaixar da boca, ela foi inscrita no Branemark pelo filho, sensibilizado com a situação da mãe. "Fui muito bem cuidada lá, recebi atendimento de primeira. Fiquei muito satisfeita com o implante e levantei as mãos para o céu", revela.

O IMPASSE

O instituto é alvo de investigação por parte do Ministério Público Estadual (MPE) desde o ano passado. Em setembro de 2017, o órgão interpôs ação civil pública, apontando, por meio de laudo, que o Branemark não garantiu o número mínimo de atendimentos gratuitos ao longo de dez anos de concessão. A entidade, contudo, refuta o argumento, sustentando que cada atendimento deveria equivaler a um procedimento e não a uma reabilitação completa.

Em audiência de conciliação realizada na 2.ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, uma proposta foi apresentada pela prefeitura, que envolve o uso de parte do prédio para atividades de saúde do município e a capacitação de dentistas da rede por profissionais do Branemark. Mas ainda não há, até o momento, uma definição sobre a situação do local.