O ministro da Educação, Mendonça Filho, disse nessa sexta-feira (10), em São Paulo, que o governo federal deve lançar, em dezembro, um programa de apoio à ciência e inovação no país, tentando aproximar o setor empresarial dos centros de pesquisa e de ciência e universidades com o objetivo de agregar tecnologia e inovação aos produtos fabricados no país.
O programa, explicou o ministro, pretende utilizar um fundo não contingenciável. “Ele vai funcionar para além do Orçamento, o que é uma lógica bem interessante. E vai aproximar projetos de pesquisa do setor produtivo, da inovação aplicada à prática do ponto de vista de conhecimentos, que agreguem novos produtos, novos valores à cadeia produtiva brasileira. E também apoiando jovens e cientistas outros que atuam em centros de pesquisa no Brasil”, explicou.
Segundo o ministro, a proposta de programa ainda está sendo fechada em parceria com outros ministérios e o gabinete da Presidência da República. “A lógica é aproximar, cada vez mais, a academia, centros de pesquisa e universidades junto ao setor produtivo e utilizar mecanismos que possam ajudar uma ampliação do setor empresarial na área do conhecimento, vinculada a novos desafios do ponto de vista tecnológico e de inovação que possam contribuir para o desenvolvimento do país”, falou.
Mendonça Filho foi a São Paulo participar de um almoço com empresários associados à Câmara de Comércio França-Brasil. No almoço, o ministro apresentou um panorama sobre o Ministério da Educação e a agenda de mudanças previstas na área para os próximos anos. “Boa parte dos presentes [ao almoço] trabalha em cooperação internacional na área educacional e outra parcela dos que assistiram e participaram do debate atua no setor empresarial, representando grandes e importantes empresas francesas com atuação no Brasil”, disse o ministro a jornalistas, após a palestra.
Enem
O ministro comentou também sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja segunda prova será realizada neste domingo em todo o país. Segundo o ministro, a abstenção na primeira prova, de cerca de 30% dos inscritos, foi considerada normal. “Bateu praticamente a do ano passado. O ano passado foi pouco superior a 29% e esse ano foi de 30% na primeira prova. Não sabemos como será o cômputo geral, mas deve ter pouca oscilação com relação ao primeiro dia de aplicação”, disse ele.
Com as mudanças propostas no Enem, Mendonça Filho disse que o governo pretende diminuir o número de abstenções, já que isso provoca prejuízos. “Infelizmente [a abstenção] é algo que a gente lamenta porque isso significa recurso empregado e não utilizado. O custo do Enem, por candidato, é de R$ 87. Então, se você tem 2 milhões de pessoas que não comparecem, são R$ 160 milhões com que nós nos preparamos com fiscais, salas, provas impressas, todo o esquema de segurança que estava apto a recepcionar 6,7 milhões e nem todos compareceram”, disse o ministro.
De acordo com Mendonça Filho, é preciso dar mais eficácia aos gastos do Enem. “Inclusive, a mudança para este ano de 2018 será no sentido de preservamos o direito à gratuidade para aqueles que vêm de escolas públicas e com perfil de baixa renda, mas quem se inscreve, mesmo sendo de baixa renda, e não comparece, aí ele não terá direito à segunda gratuidade, salvo com uma justificativa plausível [para a ausência]”, falou o ministro. “Não dá para a gente ficar jogando R$ 160 milhões fora em um país que necessita de investimento na área de educação”.