Um músico de corpo e alma
| Malavolta Jr |
| O músico e seu contrabaixo logo após entrevista no JC |
| Reprodução |
| Fábio Lima como regente do coral Amor e Luz do Ceac |
| Arquivo Pessoal |
| Aero Willys (1996): Fabinho é o primeiro do grupo à esquerda |
| Malavolta Jr. |
| Aos 10 anos, em entrevista ao JC, “a primeira da sua vida” |
| Arquivo Pessoal |
| Ainda garoto em primeiro recital de piano em Bauru |
Fábio Lima é movido pela sensibilidade. Foi assim que iniciou sua trajetória na música, ainda menino, e não mais parou. Pelo contrário: procurou expandir seus horizontes e se transformou em um regente atento e dedicado.
Com Beatles e, em especial, Paul McCartney como influência direta, Fabinho (assim chamado por amigos) não se omite quando uma causa social ou apresentação em entidades surge no caminho. Vai lá e faz.
Porque, para ele, a vida tem sentido assim: sempre compartilhando talento e conhecimento à luz do espiritismo (sua filosofia de vida).
"Eu sempre falo que tão importante quanto não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem para si é ir além: é fazer o que gostaria que o outro fizesse". A seguir, um pouco mais de sua trajetória e forma de se relacionar com o próximo.
Jornal da Cidade - Fábio, você só vai fazer 38 anos em dezembro. Mas quem te conhece sabe que tem mais de 30 anos como músico, uma vasta experiências em várias áreas. Como se explica isso?
Fábio Lima - Pois é, mas tenho prova! Esta foto [veja nesta página] é do meu primeiro recital ao piano, com a escola da professora Maria José Zanardi, com quem comecei. Iniciei ali e não parei mais. Até hoje a música é a minha vida, está na alma.
JC - Mas, certamente, você foi incentivado pela família, tem raízes artísticas?
Fábio - Nada [risos]. Pode acreditar. Meus pais sempre me apoiaram, claro, mas nenhum deles foi músico profissional. Não venho de uma família de músicos, meu pai era totalmente amador, tocou trompete, violão, mas nunca foi um profissional. Viram que eu tinha um certo dom e lá fui eu frequentar as aulas de piano e adorei. Minha melhor lembrança musical dessa época é "Arca de Nóe", de Toquinho e Vinícius, um clássico. Mas minha época de infância foi a do Balão Mágico, totalmente musical, muito bom.
JC - E depois veio o 'Xou da Xuxa'?
Fábio - E eu odiei [risos], mudei para o Bozo no SBT [mais risos].
JC - A maioria dos músicos sempre tem uma profissão paralela, no entanto, você vive da música.
Fábio - Graças a Deus. Tenho esse privilégio. E, aos poucos, minha vida se encaminhou para isso, foi acontecendo... fui professor, dei aulas particulares e também em universidade, na USC; faço arranjos, sou regente de coral, o Amor e Luz, do Ceac (Centro Espírita Amor e Caridade). E, até hoje, faço eventos, casamentos, que são para o músico muito interessantes.
JC - Então, tinha certeza de que seria assim? Nunca quis fazer outra coisa?
Fábio - Na verdade, a gente sempre tem alguma dúvida, mas quando chegou a hora de prestar vestibular, um ano antes de eu entrar na Unicamp, fui fazer como treineiro, para ver como é que era. Chego lá e a banca prática tinha o maestro Cyro Pereira, uma das referências do que eu estudava (Cyro foi diretor de orquestra dos antigos festivais da Rede Record e participou de programas como "O Fino da Bossa", apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues). Isso era 1996. Quando terminei a prova, ele disse: "Então, te vejo na aula", e eu ri: "vê nada". No ano seguinte, voltei, aí para valer e ele estava lá. E o legal é que ele até lembrou de mim. Assim, foi ótimo, foi demais ter professores renomados como Ulisses Rocha, Jorge Oscar e até Fernando Faro (o produtor do "Arca de Noé"), só gente que eu admirava. Depois da faculdade, fiz também pós-graduação em musicoterapia na Unaerp.
JC - Nesse meio tempo, foram inúmeras bandas, né?
Fábio - Sim, a primeira, quando estava ainda no colegial, chamava-se Ingratus. Mas as mais conhecidas em Bauru foram Aero Willys (vencedora da etapa bauruense do Skol Rock) e Wings Rock Show (tributo a Paul McCartney), além da Rubber Soul (que só tocava Beatles, refazendo a magia da lendária banda inglesa).
JC - Com a Rubber, você se tornou beatlemaníaco?
Fábio - Ao contrário! Fui para ela justamente por ser [beatlemaníaco] desde criança. Desde os 9 anos, adoro Beatles. Foi assim: até essa idade eu não conhecia Beatles. Minha referência eram os eruditos que aprendia no conservatório e eu já estava demonstrando um interesse pelo popular (se bem que adoro Chopin). Daí, um dia, a família toda foi à Discoteca de Bauru (o dono era o Silvio Faria) e, fuçando nos bolachões (discos de vinil), encontrei uma coletânea dos 20 maiores sucessos deles. Pedi para meu pai comprar e me encantei. Passei a comprar tudo deles e estudar e tocar. Minha primeira entrevista na vida foi nos 10 anos da morte do John Lennon, em 1990, para o Jornal da Cidade.
JC - Sério?
Fábio - Sim, eu tinha pouco mais de 10 anos e era fã incondicional. E o Silvio, o dono da Discoteca, me indicou. Afinal, era inusitado um garoto tão fanático. Eu tenho o jornal guardado, amarelado [risos], mas tenho até hoje. E vou dizer mais: ele (apontando para o fotógrafo do JC, Malavolta Jr., que fazia as fotografias desta Entrevista da Semana) fez as fotos.
JC - Que legal! Além de ser regente do coral Amor & Luz, você faz e sempre fez vários trabalhos voluntários. Você tem um lado solidário muito desenvolvido, né?
Fábio - Bom, sobre trabalho voluntário, algo bacana são shows beneficentes, como em 2003, com o Tributo a John Lennon (ganhamos até moção de aplauso da Câmara Municipal) com a Rubber Soul. Em 2010 houve outro com a Wings Rock Show, este ano, um grande Live Aid em tributo ao William Lee [músico de rua em São Paulo), reunindo as 12 principais bandas da cidade para, inicialmente, ajudar o William no tratamento contra um câncer e à sua família após sua morte. Ah! foi bacana também fazer o projeto "Viajando através da música" na Rádio Ceac em que, além da escolha do repertório, realizei entrevistas com alguns dos principais nomes do cenário musical bauruense, como Manu Saggioro, Luciana Nóbrega, Bitenka, André Turco, Marco Belinasi, para citar alguns...
JC - Você gosta desse trabalho solidário, esse lado social, ligado ao espiritismo...
Fábio - Veja, a questão do espiritismo não é para mim algo religioso. É, sim, uma filosofia de vida. A gente está aqui para se melhorar como ser humano, crescer, evoluir. Então, ajudar é uma questão de respeito ao próximo, tem mais a ver com espiritualidade. Eu sempre falo que tão importante quanto não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem para si é ir além: é fazer o que gostaria que o outro fizesse! É nesse sentido que eu atuo.
JC - Sem discriminação de credos...
Fábio - Exatamente. Não importa a qual religião pertença, o importante é contribuir.
JC - Fazendo um balanço deste seu momento...
Fábio - Foi um dos anos mais produtivos dos últimos 20 anos. Além do que já citei que voltamos com o show Tributo a Paul McCartney, fizemos shows comemorativos dos 10 anos da Banda Back com a formação original, organizamos os shows beneficentes Tributo a William Lee, comemoramos os 35 anos do Coral Amor e Luz com evento de gala no Teatro Municipal e com o lançamento do CD "Sementes do Amanhã" e, em seguida, nos apresentamos para mais de 1.500 pessoas na abertura de evento com Divaldo P. Franco em Bauru. Ah! E pessoalmente para mim foi muito importante, do ponto de vista familiar. Isso porque quando meus pais eram jovens, há 30 anos, eles fizeram parte do Coral Amor e Luz e veja bem, agora 30 anos depois. estou eu lá, regendo, isso é gratificante demais.
JC - Para finalizar, quais são os seus projetos para o ano que vem?
Fábio - Pretendo terminar a gravação do meu CD com canções autorais, que venho produzindo há alguns anos, no qual canto e toco todos os instrumentos. E também a elaboração de um ou dois CDs, totalmente instrumentais [piano solo], também apenas com composições próprias.
|
Perfil
Nome completo: Fábio Henrique Caires de Lima
Idade: 37 anos. Nasceu em 26/12/1979, em Bauru
Filho de: João José de Lima (Jota) e Elisabeth Maria Caires (Beth) - advogados
Família: Tem três irmãos, Daniel (52), Mário (46) e Vanessa (34)
Para quem dá nota 10: Jesus Cristo
Para quem dá nota 0: Para a mentira, traição, desonestidade e ingratidão
Livro de cabeceira: O Profeta, de Khalil Gibran
O que é Deus para você? Deus é Amor, essência da vida, inteligência suprema, está presente em tudo e em todos os lugares. Habita dentro de cada ser vivo, dentro de cada um de nós
Uma frase que o defina: "Quando nascestes, todos sorriam e só tu choravas. Viva de tal modo que, quando morreres, todos chorem e só tu sorrias"
|