08 de julho de 2026
Articulistas

Vários vivas à viola

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Não sei, mas é provável que o nome do programa "Viola, Minha Viola" tenha saído dos versos de uma toada de um certo Amaro de Oliveira Monteiro, cantador em São Luís do Paraitinga (SP) na década de 1940. "Viola, minha viola / Foi feita de jacarandá / Quem toca esta viola / Vai no céu e torna voltá /".

O que sei é que, na trilha de abertura da atração da Cultura (que acabou, mas segue no ar com especiais), a voz que cantarola no fim "Eita programa que eu gosto!" é a do violeiro Paulo Freire.

Ele contou, certa vez, que queria tirar sua parte vocal da trilha, deixando só o instrumental, mas a apresentadora Inezita Barroso pediu para ficar exatamente como estava. Acertada decisão.

Freire já veio algumas vezes a Bauru, inclusive para show ao lado de Levi Ramiro, violeiro "dos bão" ali de Santo Antônio da Estiva, distrito de Pirajuí, seu reino encantado. Grande Levi, também artesão, como prefere se definir, e não luthier.

Tudo isso para dizer, conforme noticia o JC, que a viola e a música raiz resolveram pedir licença para embalar o fim de semana de Bauru. Sábado à tarde foi a vez de Gabriel Sater, filho de Almir, a tocar e cantar ali no Sesc.

Já o Sesi Altos recebeu, à noite, o grupo Viola Cabocla, de Araraquara, com o show "Do Bagaço à Cana". E hoje, às 10h, com ou sem chuva, no Jardim Botânico, será a vez da Orquestra Viola Cabocla - formada por músicos de Bauru e Agudos.

As três performances aqui citadas não economizam em clássicos do cancioneiro raiz (daqueles que empolgam e emocionam a resistente e talentosa comunidade sertaneja da cidade e redondezas).

De lambuja, para quem ficar em casa, tem justamente o "Viola, Minha Viola", logo às 9h, com resumo de participações de Almir Sater ao longo dos anos na atração.

Portanto, se você deixou escapar os shows de sábado, espero que tenha acordado cedo: a redenção violeira para essas perdas sempre pode se fazer presente. Profana ou religiosa, vários vivas à viola.

O autor é editor executivo do JC.