08 de julho de 2026
Geral

Branemark recebe "abraço coletivo"

Ana Beatriz Garcia e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
“Abraço coletivo” no Instituto Branemark, que fica na quadra 27 da Nações Unidas, foi realizado na manhã desse sábado (11)
Também foram fixadas faixas em apoio ao instituto

Um misto de gratidão ao instituto e protesto contra a possibilidade de encerramento das atividades do Branemark levaram pacientes e apoiadores à sede da entidade, na manhã desse sábado (11), para um "abraço coletivo". O ato teve início às 10h e contou com cerca de 120 pessoas.

Conforme o JC vem noticiando, o instituto pode ser obrigado a deixar o imóvel, localizado na quadra 27 da avenida Nações Unidas, na Vila Universitária, por divergências sobre o número de atendimentos prestados, exigidos como contrapartida para a renovação da cessão da área pela Prefeitura de Bauru.

Para o vice-presidente da instituição, Maurício de Almeida Cardoso, a iniciativa dos pacientes em realizar o "abraço" é uma forma de retribuição. "A previsão era de chuva e, mesmo assim, tantas pessoas se organizaram para estar aqui. Isso mostra a gratidão desses pacientes. É uma forma de retribuir o que alcançaram e expressar solidariedade para com a instituição", comenta.

Na oportunidade, os presentes ainda fizeram uma oração conduzida pelo pároco da Igreja de São Benedito, padre Gustavo Crepaldi, e assistiram a um vídeo institucional com depoimentos de pacientes atendidos pelo Instituto Branemark. Por volta das 11h, a corrente de pessoas de mãos dadas "abraçaram" o prédio e finalizaram o ato entre palmas. O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo manifestou apoio ao ato com a presença delegada Graziela de Almeida Prado Piccino Marafiotti, representando o presidente Claudio Yiukio Miyake.

GRATIDÃO

Acompanhada do esposo, Edna Pedrina Valentin, de 57 anos, afirmou que a gratidão pelo implante dentário recebido há 10 anos, foi o que a motivou a participar do manifesto. "Eu estou aqui pelo bem que me fizeram. Fui muito bem atendida e cuidada por eles, tudo de graça. Acho uma injustiça tirar esse Instituto da nossa cidade", comenta a bauruense.

Malavolta Jr
"Não tenho medo de Imbróglio ficar sem o instituto só por mim, mas por todos que precisam", diz Fátima Candiani, paciente

Já Fátima Candiani, de 59 anos, ainda não concluiu totalmente o seu tratamento e teme pelo encerramento das atividades. "Tenho um implante em meu maxilar por conta de um câncer que tive. Faço o tratamento há 4 anos e, periodicamente, tenho que vir ao instituto. É preciso sempre fazer o acompanhamento da prótese", comenta. "Foi um tratamento que me custaria quase R$ 10 mil, mas não paguei nada. Não tenho medo de ficar sem o instituto só por mim, mas por todos que precisam", conclui.

Imbróglio

O instituto é alvo de investigação por parte do Ministério Público Estadual (MPE) desde o ano passado. Em setembro de 2017, o órgão interpôs ação civil pública, apontando, por meio de laudo, que o Branemark não garantiu o número mínimo de atendimentos gratuitos ao longo de dez anos de concessão. A entidade, contudo, refuta o argumento, sustentando que cada atendimento deveria equivaler a um procedimento e não a uma reabilitação completa.

Em audiência de conciliação realizada na 2.ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, uma proposta foi apresentada pela prefeitura, mas ainda não há, até o momento, uma definição sobre a situação do local.