| Fotos: Malavolta Jr. |
| “Abraço coletivo” no Instituto Branemark, que fica na quadra 27 da Nações Unidas, foi realizado na manhã desse sábado (11) |
| Também foram fixadas faixas em apoio ao instituto |
Um misto de gratidão ao instituto e protesto contra a possibilidade de encerramento das atividades do Branemark levaram pacientes e apoiadores à sede da entidade, na manhã desse sábado (11), para um "abraço coletivo". O ato teve início às 10h e contou com cerca de 120 pessoas.
Conforme o JC vem noticiando, o instituto pode ser obrigado a deixar o imóvel, localizado na quadra 27 da avenida Nações Unidas, na Vila Universitária, por divergências sobre o número de atendimentos prestados, exigidos como contrapartida para a renovação da cessão da área pela Prefeitura de Bauru.
Para o vice-presidente da instituição, Maurício de Almeida Cardoso, a iniciativa dos pacientes em realizar o "abraço" é uma forma de retribuição. "A previsão era de chuva e, mesmo assim, tantas pessoas se organizaram para estar aqui. Isso mostra a gratidão desses pacientes. É uma forma de retribuir o que alcançaram e expressar solidariedade para com a instituição", comenta.
Na oportunidade, os presentes ainda fizeram uma oração conduzida pelo pároco da Igreja de São Benedito, padre Gustavo Crepaldi, e assistiram a um vídeo institucional com depoimentos de pacientes atendidos pelo Instituto Branemark. Por volta das 11h, a corrente de pessoas de mãos dadas "abraçaram" o prédio e finalizaram o ato entre palmas. O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo manifestou apoio ao ato com a presença delegada Graziela de Almeida Prado Piccino Marafiotti, representando o presidente Claudio Yiukio Miyake.
GRATIDÃO
Acompanhada do esposo, Edna Pedrina Valentin, de 57 anos, afirmou que a gratidão pelo implante dentário recebido há 10 anos, foi o que a motivou a participar do manifesto. "Eu estou aqui pelo bem que me fizeram. Fui muito bem atendida e cuidada por eles, tudo de graça. Acho uma injustiça tirar esse Instituto da nossa cidade", comenta a bauruense.
| Malavolta Jr |
| "Não tenho medo de Imbróglio ficar sem o instituto só por mim, mas por todos que precisam", diz Fátima Candiani, paciente |
Já Fátima Candiani, de 59 anos, ainda não concluiu totalmente o seu tratamento e teme pelo encerramento das atividades. "Tenho um implante em meu maxilar por conta de um câncer que tive. Faço o tratamento há 4 anos e, periodicamente, tenho que vir ao instituto. É preciso sempre fazer o acompanhamento da prótese", comenta. "Foi um tratamento que me custaria quase R$ 10 mil, mas não paguei nada. Não tenho medo de ficar sem o instituto só por mim, mas por todos que precisam", conclui.
Imbróglio
O instituto é alvo de investigação por parte do Ministério Público Estadual (MPE) desde o ano passado. Em setembro de 2017, o órgão interpôs ação civil pública, apontando, por meio de laudo, que o Branemark não garantiu o número mínimo de atendimentos gratuitos ao longo de dez anos de concessão. A entidade, contudo, refuta o argumento, sustentando que cada atendimento deveria equivaler a um procedimento e não a uma reabilitação completa.
Em audiência de conciliação realizada na 2.ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, uma proposta foi apresentada pela prefeitura, mas ainda não há, até o momento, uma definição sobre a situação do local.