Dados do Projeto de Desmatamento e Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), obtidos com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, revelam que, entre agosto de 2016 e julho deste ano, houve uma queda de 28% no desmatamento de florestas protegidas, administradas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).
O desmatamento total no período foi de 159 quilômetros quadrados, segundo menor já registrado pela série histórica, iniciada há 20 anos. Até então, a menor área desmatada havia sido registrada entre 2010 e 2011, quando chegou a 137 km². Os números devem ser apresentados pelo ministro Sarney Filho na conferência sobre mudança climática da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Bonn, na Alemanha.
A queda do desmatamento, porém, não foi acompanhada no mesmo ritmo, se considerada toda a Amazônia, ou seja, toda a floresta, independentemente de ser ou não classificada como unidade de conservação. Os dados revelam que o desmatamento na Amazônia Legal caiu 16%, saindo de 7.893 km² registrados entre agosto de 2015 e julho de 2016 para 6.624 km² nos 12 meses encerrados em julho deste ano. Atualmente o desmatamento em unidades de conservação federais representa apenas 2,4% do total.
Garimpo. O levantamento mostra um aumento de focos de garimpo ilegal nas áreas protegidas. Em 2017, foram registrados, até o mês de setembro, 949 áreas de mineração, somando 45,8 km² com atividades. Em todo o ano de 2016 o mapeamento apontava 382 áreas, somando 29,3 km².
A fronteira entre os Estados de Rondônia e Amazonas continua a ser um dos principais focos de pressão do desmatamento ilegal, percorrendo a região que avança por Humaitá (AM) - onde as sedes do Ibama e do ICMBio foram incendiadas por garimpeiros - e seguindo pelas reservas próximas do traçado da BR-163, que corta o Pará e chega à região de Itaituba, outro ponto de ação garimpeira ilegal e alvo de fiscalizações.
Não por acaso, essa região do Pará foi a que mais sofreu com o desmatamento de unidades de conservação, com derrubadas drásticas verificadas na área de preservação permanente do Tapajós (32,3 km²), Floresta Nacional do Jamanxim (25,1 km²) - cuja redução de limites é alvo de um projeto no Congresso -, Reserva Extrativista Chico Mendes (18,8 km²) e Estação Ecológica da Terra do Meio (11,5 km²). Juntas, essas quatro unidades sofreram 55% do total de desmatamento mapeado.
Fiscalização
Em 2017, já houve 165 operações de fiscalização pelo ICMBio. O levantamento realizado pelo órgão registra como desmatamento as áreas superiores a 6,25 hectares que tenham sofrido "corte raso", que é a remoção completa da cobertura florestal. Cabe destacar que esses dados representam todos os tipos de desmatamento, incluindo o legal, que é permitido em algumas unidades, como reservas extrativistas e áreas de proteção ambiental.