08 de julho de 2026
Polícia

Aluno é flagrado com maconha em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Problema social, de segurança e de saúde pública, as drogas têm batido a porta das escolas. Na última segunda-feira (13), mais uma unidade de ensino estadual recebeu policiais militares, após um aluno de 14 anos ser flagrado pela agente escolar preparando um cigarro de maconha no pátio e em pleno horário de aula.

Além dele, um outro adolescente de 15 anos, que teria recebido uma pochete do colega com o cigarro e com mais drogas, também foi levado para a diretoria da escola e, posteriormente, para Central de Polícia Judiciária (CPJ). Na delegacia, o adolescente de 14 anos assumiu a propriedade do entorpecente, que disse ter adquirido de um desconhecido na Praça Rui Barbosa, no Centro. Aos policiais, ele disse que pediu para que o de 15 anos apenas segurasse seu pertence por alguns segundos.

O nome do garoto, assim como o da escola, será preservado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Em caso recente, um aluno, também de 14 anos, porém, de outra escola estadual, foi flagrado com uma mochila com 41 pinos de cocaína no interior da unidade.

ATO INFRACIONAL

Após serem interrogados pela Polícia Civil, ambos os adolescentes envolvidos no caso de anteontem foram liberados para os pais, mas responderão pelo ato infracional de posse de drogas. Além do cigarro de maconha, mais 4 gramas da mesma droga foram apreendidas dentro da pochete.

ACOMPANHAMENTO

Por meio de nota, a Diretoria Regional de Ensino (DRE) confirmou que a direção da escola acionou os responsáveis pelos alunos e um destes jovens confirmou que era o responsável pela droga. "Os pais deste aluno já estavam cientes da situação e já recorreram à escola anteriormente para ter orientação a respeito. Tanto é que o jovem já é acompanhado pela psicóloga parceria da unidade e também pelo Conselho Tutelar", diz o órgão.

Ainda de acordo com a DRE, os alunos são frequentemente conscientizados por meio de trabalhos pedagógicos em sala de aula, palestras) e pelo professor mediador.

‘Transformar é preciso’ 

O caso da última segunda-feira (13) chamou a atenção da diretoria estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), que lamentou o sobre o ocorrido .

"É uma situação que tem se tornado comum em escolas, mas que, muitas vezes, os funcionários têm medo de denunciar e expor a situação. O sindicato tem orientado a realização da denúncia", cita Suzi Silva, diretora estadual da Apeoesp. "Só assim teremos alguma chance de resolver o problema, que é social e é externo, mas atinge a escola. É preciso haver uma transformação do espaço escolar, que deve ser agradável para gerar conhecimento. Para isso, os políticos precisam se envolver, assim como as famílias", completa Suzi.

Na escola que foi alvo do problema, a Apeoesp não havia registrado, até segunda, situações parecidas.

RECENTE

Em matéria publicada no final de agosto deste ano, um aluno de 14 anos foi detido depois que funcionários da unidade descobriram que ele carregava 51 pinos de cocaína dentro de uma mochila. Ele alegou ter encontrado as porções fora das dependências da unidade.

Tanto a PM quanto a Polícia Civil alertaram, na ocasião, para o problema da "microtraficância", envolvendo alunos. Sem capacitação profissional para conquistarem um emprego que lhes garantam renda satisfatória, adolescentes se deixam levar pela tentação do "dinheiro fácil" para, assim, adquirir bens de consumo.

PM destaca que casos são pontuais e geralmente envolvem estudantes

Malavolta Jr./JC Imagens
Capitão Ângelo ressalta ações como o Proerd e a Ronda Escolar

O capitão Rodrigo de Ângelo, comandante da 3.ª Companhia da PM, destaca que as ocorrências de tráfico de drogas nas escolas têm sido algo bastante pontual em Bauru. E, segundo ele, estão geralmente ligadas aos próprios alunos das unidades de ensino.

"Não tem havido ocorrências daquele tráfico maciço nas escolas. Daqueles casos em que o traficante externo vai para a escola. O que há são casos em que o próprio aluno é usuário e repassa para outros colegas. E são casos pontuais", destaca o comandante.

Ele afirma que o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) - implantado inicialmente no Rio de Janeiro em 1992 e, depois, expandido para todo o País - tem dado resultado nesse sentido. "As nossas equipes da Ronda Escolar são especializadas no Proerd, mas é importante ressaltar que há também uma equipe que faz apenas a aplicação do Proerd para atingir mais alunos e alcançar mais resultados", complementa o capitão Ângelo.