O desperdício de alimentos é um problema que afeta o mundo inteiro. Todos os anos, cerca de 1.300 toneladas de comida, o que equivale a um terço de tudo o que é produzido para consumo humano, vai parar no lixo, segundo dados da FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. A quantidade de comida jogada fora é quatro vezes maior do que a necessária para acabar com a fome no planeta.
"O brasileiro está colocando em seu prato mais comida do que precisa. Mas existem algumas estratégias para mudar isso, como não se servir com fome, pois irracionalmente você coloca mais comida no prato. Isso também serve para quando vamos fazer compras: com fome, o consumidor leva para casa muito mais alimentos do que precisa. Acabamos comprando um pouquinho de tudo e sempre alguma coisa é desperdiçada", alerta a nutricionista Ronimara Santos.
Para evitar que o consumidor seja seduzido pelos produtos das prateleiras, a nutricionista Haline Dalsgaard, do projeto online "Saúde no prato" recomenda que seja feita uma listinha dos itens que faltam na despensa e dá outras dicas.
"Ao comprar verduras, procure lavá-las e secá-las no dia da compra, antes de armazená-las em saquinhos ou potes, pois assim podem durar até dez dias. E, na hora de cozinhar, dê preferência aos alimentos que estão próximos do prazo da validade, para não ter que descartá-los."
Outra forma de não desperdiçar os alimentos é aproveitando todas as suas partes. Cascas, folhas e talos, também possuem nutrientes e podem ser usados em novas preparações.
"As sobras de arroz podem virar um bolinho, lasanha de arroz, arroz de forno ou risoto. As cascas de melão, melancia, abacaxi, jabuticaba, banana e laranja podem virar uma deliciosa geleia ou até mesmo um bolo", exemplifica a nutricionista Letícia Masulck.
Alergia por faixa etária
Muitos brasileiros já enfrentaram ou conhecem alguém que já teve algum tipo de alergia. É comum que se pense que as crianças são as maiores vítimas, mas um estudo apresentado no congresso anual do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia mostrou que quase metade das alergias alimentares surgem na idade adulta.
"A alergia é uma reação de intensidade exagerada do organismo a determinados estímulos que são inofensivos para a maioria das pessoas. Quando o corpo entra em contato com essas substâncias, há produção aumentada de um tipo de anticorpo chamado imunoglobulina E (IgE). Quanto maior for a produção de IgE, mais intensa será a reação alérgica", explica o médico Nelson Cordeiro, membro do Departamento Científico de Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).
Uma pessoa pode nascer com alergia a alguma substância ou desenvolvê-la ao longo da vida, como acontece com a maioria das alergias de pele. "Quem entra muito em contato com produtos químicos ou mexe com detergentes e outros itens de limpeza pode desenvolver uma alergia a essas substâncias", afirma a dermatologista Paula Chicralla.
É muito importante que um médico seja procurado assim que a alergia aparecer. "No caso da alergia alimentar, nem sempre o resultado positivo ou negativo do exame de sangue pode determinar qual é o causador da alergia. O mais adequado seria um teste de provocação oral em que o paciente come o alimento que pode causar reação", comenta Erica Azevedo, alergista e imunologista.
Por serem doenças crônicas, as alergias não têm cura, mas podem ser controladas. Seguindo esquema de tratamento que inclui controle do ambiente, medicações de alívio das crises e até vacinas, os pacientes podem ficar livres dos sintomas.