09 de julho de 2026
Geral

Um hospital, muitas histórias

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Renan Casal
Antônio Rugolo Júnior, Pedro Tobias, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, Pasqual Barretti, Telma Gobbi e Deborah Cavalcanti Maciel Rosa

O ambiente hospitalar reúne uma porção de histórias emocionantes e no Hospital Estadual de Bauru (HEB), que completa 15 anos neste mês, não seria diferente. Diretores, articuladores políticos, pacientes e funcionários colecionam diversas memórias sobre a unidade de saúde, que foi homenageada em um caderno especial do Jornal da Cidade, na edição da última sexta-feira. Já ontem, houve a sessão solene em comemoração ao aniversário do Estadual.

O evento reuniu autoridades como o deputado estadual e médico Pedro Tobias (PSDB), o presidente da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) - gestora do hospital, Antonio Rugolo Junior, a diretora executiva do HEB, a pneumologista Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, a diretora técnica do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, e o Diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), a primeira gestora do Estadual, Pasqual Barretti.

Na solenidade de ontem, a médica Deborah Maciel Cavalcanti Rosa sentiu um misto de orgulho e gratidão. "Orgulho da nossa equipe, por tudo o que faz, e gratidão pelas pessoas que estão aqui hoje (ontem), que são extremamente importantes e influentes no nosso dia a dia e, dentro de suas especialidades e possibilidades, ajudam a desenvolver o nosso trabalho: parceiros, voluntários, as próprias autoridades, diretores, funcionários etc", explica.

Ela narra que, assim que chegou ao hospital, em 2004, trabalhou na Unidade de Tratamento de Queimados, inclusive, fez o seu doutorado sobre o tema. Conta que, certa vez, um paciente havia se queimado enquanto soltava pipa. "Ele pulou no sistema de distribuição de energia elétrica, tomando um choque altíssimo. Convivi com ele durante meses. Eu me lembro dele até hoje, dos dias felizes e tristes, incluindo a dificuldade na hora de ir embora, devido ao vínculo que criou no hospital", detalha.

A pneumologista informa, ainda, que teve a oportunidade de ver a fé das pessoas enquanto cuidava delas. "Outra vez, uma moça que precisava de cirurgia disse que seria curada sem a intervenção. Dei 48 horas a ela. Repeti o exame e já não tinha mais nada. Eu vivi, ninguém me contou", reforça.

PEDIDO ACATADO

Na cerimônia de ontem, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) lembrou que vivia cobrando o ex-governador Mário Covas para que implantasse o Estadual, em Bauru. "Na última reunião com o secretariado, quando Covas já estava bastante debilitado, olhou para Geraldo Alckmin e pediu para que atendesse o pedido do 'menino de Bauru', como ele me chamava", reitera.

Diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), a primeira gestora do Estadual, Pasqual Barretti relata que esta foi a sua primeira experiência fora do Hospital das Clínicas (HC). "Hoje, a filosofia da FMB e da Famesp é de sempre estabelecer grandes parcerias com o Estado de São Paulo", comenta.

Já o presidente da Famesp, Antonio Rugolo Junior, pretende manter a transparência e buscar a evolução. "Queremos melhorar a qualidade do atendimento e trazer inovações", complementa.

A diretora técnica do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, acredita que o Estadual seja de suma importância para o Estado. "É uma referência grandiosa para 68 municípios e vai muito além disso, já que atendemos todo o Estado ou, até mesmo, fora dele", defende.

AFETO

Quando o assunto é fé, a dona de casa Laura Aparecida Biagi Pereira, de 59 anos, é exemplo. Diagnosticada com câncer no útero, ovário e trompas em 2002, a paciente fez quimioterapia, ficou internada, mas logo voltou para casa.

Em seguida, foi submetida a uma cirurgia e, mais uma vez, precisou da quimioterapia.

Quatro anos se passaram sem que Laura sequer ouvisse falar de câncer, mas a doença voltou, desta vez, no intestino. Novamente, está encarando o tratamento.

"Como passo muito tempo no Ambulatório de Quimioterapia, acabo fazendo amizade com os outros pacientes, fato que ajuda a superar o fardo da doença, a levantar a cabeça e seguir em frente", destaca.

É assim que pensa o aposentado Luiz Antônio de Andrade, de 66 anos, que faz hemodiálise há três. "Tenho de erguer as mãos para o céu e agradecer a Deus, porque estou me tratando", diz.

Lembrando que a porta de entrada para o Estadual é a internação ou o ambulatório.

Primeira médica

Cardiologista, Maria Stela Carvalho Arieta Mantovanini, de 59 anos, começou a trabalhar no dia da inauguração do Estadual.

No início de 2002, a médica passou a morar em Bauru, prestou concurso e passou. "Havia pouca gente e pouca coisa funcionando. Naquela época, começou com os ambulatórios de cardiologia, pneumologia, endocrinologia, dermatologia e reumatologia", lembra.

Segundo Maria Stela, o hospital garantiu a sua permanência na cidade. "Gostei de ter voltado, afinal, sou de Bauru, mas morei 15 anos em São Paulo", diz.

Iniciativa transformadora

Jefferson Savi Brito, de 58 anos, é renal crônico há sete e, desde então, faz hemodiálise três vezes por semana no Estadual. De janeiro a agosto de 2010, começou a apresentar alguns sintomas, como pé inchado, falta de apetite e cansaço físico. "Meu rim não filtrava mais, inchou, a água foi para o pulmão e peguei pneumonia. Fui até o Pronto-Socorro e, à noite, me transferiram para o Estadual. Fiquei na UTI por 18 dias", descreve.

Com seis fístulas - ligações da veia à artéria para aumentar o seu calibre e, com isso, fazer a hemodiálise -, Brito já considera-se morador do Ambulatório de Hemodiálise.

Tanto que, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, em 2014, decidiu decorar o local e não parou mais. "Faço enfeites para o Natal, o Carnaval, a Páscoa, as festas juninas e o Halloween. Me visto de Papai Noel no Natal e de Jason no Halloween. O tratamento é muito pesado e a decoração distrai", conclui.