08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Brasil feudal

Ivan Barbieri
| Tempo de leitura: 3 min

Há muito tempo é tradicional na política brasileira, principalmente nos altos escalões da República e nos estados, o fatiamento no comando de empresas públicas, autarquias federais, estaduais e municipais entre os políticos onde exercem poder e distribuição de cargos para parentes e amigos, verdadeiros futuros cabos eleitorais, para se manterem no poder e usufruir de suas benesses e regalias exorbitantes. São os Feudos ou currais políticos sustentados, vergonhosamente e sem pudor, com o dinheiro dos impostos pagos por todos os brasileiros.

Durante a Idade Média, mais ou menos a partir do século IX (nono) depois de Cristo até o século quinze, dependendo da região ou país, vigorou na maior parte da Europa e alguns países da Ásia, como o Japão, um sistema social e econômico denominado Feudalismo, que se caracterizou pela maneira como países como a França teve o poder central do soberano enfraquecido em detrimento do fortalecimento do poder dos senhores feudais, fatiando o país em vários reinos protegidos por exércitos próprios em fortalezas construídas sobre pontos elevados e estratégicos. O rei, muitas vezes, dependeu da ajuda militar desses nobres para conter invasões bárbaras.

O historiador Henri Pirenne, em sua obra - "História Econômica e Social da Idade Média", às folhas 13 descreve - "O Sistema Feudal é tão só a desintegração do poder público entre as mãos de seus agentes, que pelo mesmo fato de possuir cada um parte do solo, tornaram-se independentes e consideravam as atribuições de que se achavam investidos como parte de seu patrimônio".

Guardando as proporções pelo fato de que se tratam de épocas históricas distantes umas das outras em suas variadas nuances, mesmo assim, abrem-se situações para entender que os políticos de hoje surrupiam para cada um, em sua grande maioria, nacos de espaços de poder dentro de entidades e empresas públicas como se elas fossem suas propriedades, seus Feudos. As práticas ilícitas mudam de aparência de tempos em tempos mas não alteram seus fundamentos ou finalidades corruptas.

Absorvidos em cuidar só de seus interesses, ocupantes do poder legislativo não se preocupam, efetivamente, em atualizar, por exemplo, o nosso Código Penal, tornando as punições para os criminosos e infratores mais adequadas e rigorosas diante do caos provocado pela falta de segurança enfrentada pelo cidadão desprotegido no dia a dia em todos os lugares do país.

Nossa Democracia, funcionando nesses moldes absolutistas e suseranos medievais, transforma-se numa aberração em pleno século XXI. Necessitamos renovar todos os nossos quadros políticos nas eleições de 2018, evitando reconduzir ao poder lideranças corruptas e omissas já conhecidas, sejam de que partido for. Enquanto predominar a politicagem, a boa ciência política que atende os anseios da população não vingará. Hoje, abrigam-se através de vantagens salariais e verbas absurdas, foros privilegiados, fundos partidários etc.

O Brasil passa por uma terrível anormalidade democrática porque quase toda sua população (exceto os políticos com segurança paga pelos contribuintes) carece de segurança pública, atendimento eficiente à saúde, oportunidade profissional, educação e infra estruturas básicas. O que nossa Constituição mãe determina no papel não é colocada em prática pelos nossos representantes omissos.

Agradeço a atenção.