Vez por outra jornais, revistas e entrevistas com especialistas em tudo, fazem referência ao estranho vocábulo. Ele ficava intrigado ao ler e ouvir, prometendo a si próprio entender melhor as mensagens que são espalhadas na mídia. Feriado prolongado é ótimo para resolver pendências da linguagem. Desde os tempos acadêmicos a orientação dos doutos era para manter, sempre ao lado, um minidicionário da língua portuguesa, dentre os existentes indicavam o Aurélio. Dúvidas estariam superadas após consultas. Por mais estranho que o vocábulo poderia ser, não seria mais! Segundo o dicionarista, idiossincrasia era a "maneira de ver, sentir, reagir, própria de cada pessoa".
Eureka! Após momentos de reflexão ele pensou, procurando na memória algo que o tornara idiossincrático. Não foi difícil. Ora, para quem já viveu muitos experiências na vida, era possível que sim! Que tal uma retrospectiva e atualização dessa maneira de ver, sentir e reagir aos fatos do cotidiano com reflexos no bom ou mau humor? Começou, em auto-análise, enumerar algumas implicâncias por coisas que o irritavam muito ou desagradavam sempre. Mentalmente foi recordando algumas antigas e que se tornaram modernas como, por exemplo, som alto e barulhento; ouvir a funcionária da loja perguntar se pode ajudar; ouvir conversas e conversar em filas de bancos; ouvir lamúrias e sentir-se obrigado a ficar on-line 24 horas. Dizem ser imperdoável não responder ao WhatsApp; fanatismo religioso ou esportivo; aranzel dos políticos; crianças ou adultos praticando "bullying"; oferecimento de presentes para manifestar o amor de épocas.
De tanto refletir, começou a implicar com as próprias implicâncias! Reconhecia que o ser humano é imperfeito e limitado. Sabia também que as pequenas coisas formam um grande somatório na vida das pessoas. Resultado: passou a entender que seria muito melhor aceitar com tranquilidade e bom senso as ocorrências da vida sem fazer transbordar o imenso copo d'água. Não era, também, prova de inteligência! - Amigos fizeram alertas de que o bom humor seria o melhor remédio. Aceitar, perdoar e ter paciência. Ao invés de implicar, seria melhor somar esforços em atos contra a violência de toda ordem; contra o abandono das crianças e dos idosos; contra o corrupção e má gestão em todos os níveis de governo; contra os péssimos programas e novelas que funcionam como escolas para o crime; contra os fraudadores e mentirosos. Talvez não seja necessariamente uma reação, mas sim uma ação solidária para o bem. Examinar melhor os próprios pensamentos e sentimentos e apoiar sempre as melhores propostas para transformação das condições sociais. Nesse contexto ele ficaria de bem com a vida e no tocante às implicâncias, elas seriam reduzidas.