Há alguns anos atrás, o porta-retrato na sala de visita, no escritório, no quarto, eram os locais em que nós colocávamos as melhores fotos e as que nos remetiam a situações de festas, formaturas, casamentos, enfim, o que nos deixava recordar sobre a vida que tínhamos vivido.
No meu escritório tenho porta-retratos com as fotos do nosso casamento, dois jovens apaixonados que trocaram juras de amor, e estão até hoje juntos. Tenho fotos dos filhos quando pequenos, nas formaturas de colégio e da universidade. Tenho também fotos dos casamentos dos filhos, depois os netos, quando nasceram, com as brincadeiras com os avós, e agora por último colocarei a da primeira eucaristia do Eduardo.
Bem. Hoje, tudo é rápido, na câmara do celular temos todos os tipos de disposição para fotografar o momento atual... Quando penso que havia a máquina de fotografar, seja ela qual fosse, com um rolo com 12, 36 ou 48 fotos: flash e tínhamos que não deixar que a emoção fizesse tremer as mãos e as fotos serem prejudicadas... Depois levava-se o rolo do filme, que não podia ser aberto na luz, para o profissional fotógrafo revelar... e quanta alegria ao vermos as fotos, reveladas e selecionadas para então colocarmos nos porta-retratos.
Hoje vivemos em tempo real. Tira-se a foto, não gostou? Deleta-se e parte-se para outra... daqui a pouco faz-se uma limpeza no celular e deletam-se as fotos todas.... Resultado: a história se foi num simples correr dos dedos...
E o porta-retratos, lá estão eles, fortes e prontos para novas fotos... Sejam de hoje, ontem ou do tempo em que o flash explodia com uma porção de pólvora para iluminar a cena.... Ao meu amigo Guedes, fotógrafo profissional, as nossas homenagens... Pois até hoje ele, com sua máquina a tiracolo, registra os momentos alegres que temos, proporcionando mais e mais fotos para serem "postadas" não no celular, mas em nossos eternos porta-retratos. Ainda há a magia do "retrô" no ar...