08 de julho de 2026
Cultura

Cinquenta tons de entusiasmo

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo Pessoal
Da esq para a dir.: Antônio Renan Ferro, Nadim Buttros, Luiz Carlos Napolitano, Carlos Eduardo Francischone (de branco), Cristiano Fagian, Paulo Malchiades (atrás) e Maurício Travessa: integrantes da banda Os Gatos em clima de aniversário

Há 50 anos, Hélio, Renan, Ado, Artur, Harley e Nadim eram jovens, estudantes de Dois Córregos e apaixonados por música, mais especificamente por jazz e rock'n'roll que embalavam a época. Com entusiasmo e como que de brincadeira, os garotos formaram a banda Os Gatos que, rapidamente, passou a realizar shows e animar bailes em todas as cidades da região.

Depois de alguns hiatos, os amigos - em nova formação - retornam aos palcos em show beneficente na próxima quinta-feira (30), às 21h, no Alameda Quality Center, para comemorar o cinquentenário da estreia.

O evento terá parte da renda revertida para os trabalhos da Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC) e a participação especial de Luciana Pires (leia mais abaixo).

"Cinquenta anos é um marco importante. Eu fico até emocionado em lembrar. Nós tínhamos uns 18 anos na época. Quando estamos juntos é como se a gente voltasse no tempo. Voltamos a ser aqueles meninos de 1967 com a mesma alegria e entusiasmo", comenta o tecladista da banda, Carlos Eduardo Francischone, o Ado.

Já o nome da banda, comenta Ado, não partiu de uma referência aos atributos físicos dos músicos. "No nosso tempo, gato era aquele músico habilidoso. Mas quando associam com beleza, nós não ligamos. Agora, cinquentões, nós somos 'Os gatões'", brinca.

PAUSAS

Ao longo do trajeto, a banda sofreu algumas reformulações. A primeira, foi a substituição de Artur por Bófa, no contrabaixo, ainda antes da primeira pausa do grupo, em 1970. O retorno definitivo foi marcado com um show e a gravação de um CD, em 2007.

Neste momento, Harley, que mora em Minas Gerais, não voltou, sendo substituído por Maurício Travessa, filho de Hélio e também guitarrista. A entrada do saxofonista Cristiano Fagian e de Paulo Melchiades, na percussão também foram alterações na formação original da banda.

Em 2014, uma perda fez com que a banda pausasse mais uma vez. Os amigos e, nessa altura, o filho perderam o colega de banda Hélio, que morreu aos 67 anos. "Ficamos muito abalados e por três anos sem apresentações. Por conta dos 50 anos, resolvemos fazer pelo menos um show e depois decidiríamos o que fazer em relação à banda", comenta Ado.

Para a nova etapa, Os Gatos são Maurício Travessa (Nino), na guitarra; Paulo Melchiades, na percussão e Cristiano Fagian, no sax. Além dos músicos da formação original, Carlos Eduardo Francischone (Ado) no teclado; Luiz Carlos Napolitano (Bófa) no contrabaixo; Antônio Renan Ferro na bateria e Nadim Buttros no vocal.

Reprodução
Os Gatos em formação original, há 50 anos, em Dois Córregos

‘Pulo dos Gatos’: com a corda toda

“Pelo visto, vamos continuar. Já temos shows para o começo de 2018”, conta o tecladista da banda cinquentenária, Carlos Eduardo Francischone

O retorno de Os Gatos foi no show em comemoração ao cinquentenário, na cidade berço da banda, Dois Córregos, em setembro deste ano.

"E pelo visto, vamos continuar. Estamos com a corda toda novamente. Já temos três shows já agendados para o início de 2018", diz o tecladista Carlos Eduardo Francischone, o Ado.

Ele comenta que mais músicas dos anos 70 e 80 estão sendo ensaiadas e já entram para o repertório do show, que conta com canções como "A Volta", "Diana", "Menina Linda" e "Roberta".

"Foi uma época bonita, muito gostosa. Tocamos músicas de qualidade que perduram até hoje e agradam a todos os públicos. Mesmo sendo de outra geração, os jovens também se divertem muito em nossos shows", destaca.

Música que une gerações

Divulgação
A cantora e compositora bauruense Luciana Pires

A noite de festa e comemoração na quinta, no Alameda, terá participação da cantora e compositora Luciana Pires. Nascida em 1990, a dona de um timbre de voz diferenciado não viu o lançamento dos hits dos anos 70 e 80, mas respira música desde a infância, trazendo para suas produções a inspiração de artistas brasileiras como Dolores Duran e Elis Regina.

"As canções que 'Os Gatos' relembram nos palcos sempre foram muito presentes em minha casa, em minha vida. Também sou muito fã da Jovem Guarda. Desde muito novinha, lembro de escutar esses discos com a minha mãe", relembra.

Amigo da família de Luciana, Carlos Eduardo Francischone aproveitou o momento especial para convidá-la para participar com quatro músicas nessa apresentação.

"Ela é profissional de excelência de voz e de interpretação. Uma compositora maravilhosa e de outra geração. Quase duas depois da minha. Fiz o convite e ela, prontamente, aceitou. Vai ser muito legal essa mistura de gerações", comenta.

Com uma carreira marcada por apresentações de sucesso e grandes parcerias, Luciana também está feliz pela oportunidade de dividir o palco com Os Gatos. "Participar desse show será muito especial, muito lindo. Sou fã, já estive em shows. Eles são divertidíssimos. Além disso, Sou parceira da ABCC e, sempre que posso, estou colaborando com a causa", conclui a cantora.