08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Linchamento - a derrota do Estado e o triunfo da babárie

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 2 min

Lemos recentemente a notícia de um homem linchado na Vila Falcão, após ser surpreendido numa tentativa de furto. Apesar da desproporção do ato (homicídio praticado de forma cruel) frente ao fato (um simples furto), creio que é fácil entender a reação da população, embora não pactue com ela. Como todo animal, o ser humano, acuado, tende a reagir com violência.

Esse é nosso grande drama: há muito tempo vivemos no total desamparo da proteção do Estado, seja pelo mal aparelhamento das polícias, seja pela benevolência das leis ou pela interpretações mirabolantes que, a título de serem mais humanitárias, tendem na verdade a minimizar o problema da superpopulação carcerária.

É assim que a Polícia é orientada a maquiar os índices de criminalidade. Uma pessoa encontrada morta com cinco tiros, deixa de pertencer ao índice de homicídios para entrar no índice de encontro de cadáver. É assim, também, que a lei foi alterada para "pulverizar" o crime. O que antes correspondia a 100 homicídios, hoje está subdividida em homicídios, feminicídios, infanticídios e crimes de homofobia. E, assim, os índices despencam, fracionados numa tabela fantástica, onde a morte é subdivida por sexo, idade, cor e até opção sexual...

É também nesse jogo de números que a justiça é "aconselhada" a ser mais "humanitária", aplicando penas alternativas e brandas. Resultado: assistirmos diariamente crimes absurdos, praticados por marginais com extensa ficha criminal, deixando na boca de qualquer cidadão a seguinte pergunta: "Por que um sujeito perigoso como esse ainda estava solto???"

E é assim, na certeza da impunidade, que a criminalidade - na contramão dos índices apresentados pelo Estado - prospera a olhos vistos. Indignada e cansada de viver com medo e enjaulada dentro da própria casa, a população, descrente da capacidade estrutural da polícia, descrente de nossa legislação e de nossa justiça, busca solução no retrocesso - na Lei de Talião, reagindo de forma irracional. De quem é a culpa? Parem, pensem, reflitam... e preparem-se, pois nesse jogo de empurra, onde cada esfera do Estado joga a responsabilidade para o outro ou a varre para debaixo do tapete das tabelas e índices, ainda vamos assistir muitas outras cenas de barbárie, atestado da incompetência de uns, da omissão de outros, da conivência de muitos e da degradação humana que nos atinge a todos...