08 de julho de 2026
Geral

"Engenharia deve retomar protagonismo"


| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Murilo Pinheiro esteve em Bauru e conversou sobre diversos temas no Café com Política do JC

Em meio à crise político-econômica que levou à desaceleração de obras públicas e privadas e, por consequência, ao desemprego de mais de 50 mil engenheiros nos últimos três anos, os profissionais da área precisam retomar seu protagonismo. É este o lema defendido pelo presidente estadual licenciado do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), Murilo Pinheiro, único candidato paulista à presidência do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), cujas eleições ocorrem em 15 de dezembro.

Pinheiro esteve na semana passada em Bauru para participar de reunião política, dentro das estratégias para divulgação de sua campanha, nesta reta final, em várias regiões do Estado. Antes, ele esteve no Espaço Café com Política do JC, onde analisou o atual momento vivido pela profissão diante da Lava Jato e de propostas do governo federal como a privatização da Eletrobras e a flexibilização da regulamentação profissional de engenheiros estrangeiros.

"Precisamos resgatar o protagonismo da engenharia brasileira, discutir nossa participação e mostrar responsabilidade do profissional da área tecnológica com um País cada vez mais justo e com mais oportunidade a todos os brasileiros", diz Murilo Pinheiro. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - O senhor milita em prol da categoria há cerca de 20 anos. Como avalia as mudanças no cenário da profissão neste período?

Pinheiro - Tivemos falta de crescimento, recessão na década de 1980, e foi um momento difícil. Depois, tivemos um bom momento, quando nós, da Federação Nacional dos Engenheiros, lançamos o projeto "Cresce Brasil Engenharia Desenvolvimento", que deu origem ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007. Na época, devido ao crescimento do País, falava-se até em falta de engenheiros para trabalhar. Depois, com a Lava Jato, o País entrando em crise política e econômica acentuada, o resultado foi bem ruim.

JC - Quais foram as consequências da Operação Lava Jato para os profissionais de engenheira?

Pinheiro - Gestores de construtoras se envolveram em processos de corrupção e estes deveriam ser punidos, não as empresas. Elas exportam tecnologia, com profissionais de altíssima qualidade, com uma capacidade incrível. Estão entre as melhores empresas do ramo no mundo, que faziam obras nos Estados Unidos, na África, e que trabalhava junto com centenas de pequenas empresas. Todas elas também foram prejudicadas.

JC - Quais as perspectivas para a categoria na atual conjuntura político-econômica?

Pinheiro - A engenharia está presente em tudo, então, se não houver crescimento e desenvolvimento, não temos engenharia e, sem engenharia, não temos qualidade de vida e oportunidades. Estamos tentando unir a engenharia no Brasil, por meio do projeto Engenharia Unida, uma aliança entre instituições de ensino, indústrias, empresas de engenharia, profissionais liberais e entidades de classe. A ideia é ter este grupo formado até o dia 15 de dezembro e, a partir de então, discutir e levar ao governo federal propostas factíveis para a retomada do crescimento e desenvolvimento do País. Acredito que, se nos unirmos, vamos conseguir sair da crise muito fortes.

JC - No mês passado, fiscalização do Tribunal de Contas do Estado encontrou mais de 40 obras públicas paradas na região metropolitana de São Paulo e esta é uma realidade que se repete no resto do País. De que maneira ela impacta na profissão?

Pinheiro - No País todo, são mais de cinco mil obras com verbas federais paradas. Se eu fosse dar uma ideia para o presidente da República fazer o País voltar a crescer, eu diria para retomar estas obras. Uma obra traz muita coisa em seu entorno, a economia volta a girar, o comércio, transporte, moradia, empresas.

JC - O Seesp se posiciona contra o plano do governo federal em privatizar a Eletrobras. Qual a principal crítica em relação à proposta?

Pinheiro - A Eletrobras é a maior empresa de energia do País. Querem vendê-la por 30% do seu valor, sem contar que trata-se de um assunto que afeta a todos os brasileiros e que demanda uma discussão bem mais aprimorada, com consulta aos profissionais da área tecnológica. Além do aumento das tarifas, haverá perda de divisas com a privatização.

JC - O governo federal também anunciou a intenção de flexibilizar a regulamentação profissional de engenheiros estrangeiros. Como o senhor vê esta iniciativa?

Pinheiro - Trata-se de um projeto de lei que depende de aprovação no Congresso Nacional e que precisaria ser discutido com o Confea antes. 50 mil engenheiros ficaram desempregados nos últimos três anos no País. Como podemos facilitar a entrada de profissionais estrangeiros sem discutir a recolocação no mercado de trabalho destes engenheiros brasileiros?