| Malavolta Jr |
| Nathan Tobias, Vanderlei Gomes e o Gol que o criminoso tentou furtar na manhã dessa quinta-feira (30) |
"A gente cansou de perder as coisas que a gente conquistou com tanto suor". É assim que o pedreiro Nathan Raphael Tobias, 24 anos, justifica a atitude que ele e o colega de trabalho, Vanderlei Gomes, 30 anos, tiveram ontem, depois de serem vítimas de furto por duas vezes, enquanto trabalhavam na reforma de uma residência do Jardim Estoril.
Após perderem bens que estavam dentro dos carros e a paz no serviço, na manhã dessa quinta-feira (30), eles conseguiram deter o suspeito dos crimes e acionaram a Polícia Militar. Preso por tentativa de furto no interior de veículo, o homem, de 40 anos, foi encaminhado à Cadeia Pública de Avaí e seria apresentado hoje ao juiz responsável pelas audiências de custódia.
O primeiro caso, segundo Vanderlei, foi registrado há cerca de dois meses, quando maquinários de construção civil foram levados da Pampa de um outro pedreiro, que trabalha com ele e Nathan na obra. "Mas, como o portão da casa fica fechado, ninguém viu nada", lembra.
Dias antes, os Gols de Vanderlei e Nathan também haviam sido abertos, mas nada foi furtado. "E, em outro dia, o outro pedreiro saiu na calçada e viu um sujeito perto dos carros, em uma moto azul, mas ele disfarçou e foi embora", detalha.
Cerca de 30 dias atrás, a vítima foi Vanderlei. Para complementar a renda da família, ele revende panos de prato e peças de enxoval, que estavam no banco de trás de seu carro, estacionado em frente à residência do Estoril para mais um dia de trabalho.
"A dona da casa tinha se interessado pelos meus produtos e tinha levado para ela ver. Mas, quando fui pegar, a sacola inteira tinha sido levada", lamenta ele, que teve um prejuízo estimado em R$ 1 mil e ainda não conseguiu recursos financeiros suficientes para repor o material.
SEM PAZ
A partir da segunda ocorrência, os pedreiros perderam a tranquilidade. A cada latido de cachorros da vizinhança, a cada ruído do motor de uma moto, um deles ia até o portão da casa para verificar a movimentação na rua e, eventualmente, evitar novos furtos. "Por causa disso, o serviço nem estava rendendo mais do mesmo jeito", relata Nathan.
Na manhã dessa quinta (30), o cão do vizinho voltou a latir e Vanderlei, em mais uma "inspeção de rotina", avistou, entre os vãos da grade do portão, um homem em uma motocicleta azul, parado atrás do Gol de Nathan. "Chamei o colega e ficamos, atrás de uns pinheirinhos na parte da frente da casa, esperando ele abrir o carro. Queríamos pegar no ato", revela.
Dito e feito: assim que o homem abriu o porta-malas, Vanderlei e Nathan entraram em ação. O suspeito chegou a ligar a moto para tentar fugir, mas foi impedido pelos pedreiros, que não foram agressivos e aguardaram a chegada da PM, segundo a descrição do boletim de ocorrência (BO).
Encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ), o homem relatou ser usuário de crack e alegou que tentou furtar pertences dentro do veículo para trocar por droga.
A moto em que ele estava, uma Honda CG Titan, tinha licenciamento vencido e o lacre da placa rompido e foi apreendida. Também foram recolhidas uma chave mixa, uma bateria automotiva e os óculos de sol que estavam com o suspeito, que a Polícia Civil investiga se também são produtos de furto.
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Voz de prisão
O artigo 301 do Código de Processo Penal garante que qualquer cidadão comum pode dar voz de prisão a pessoas flagradas cometendo um crime. Mas, devido ao risco, o delegado Richard Serrano, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Bauru, diz que este tipo de ação não é recomendável.
"A prioridade é a defesa da vida e não do patrimônio, mesmo que você esteja em superioridade numérica. Não há como saber se o indivíduo está com uma arma escondida, uma faca que seja, e, em uma reação violenta, uma tragédia pode acontecer. Uma ação destas é até plausível, mas não aconselhável. A orientação é evitar", completa, indicando a mobilização da Polícia Militar como a melhor solução.
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