Na Copa do PIB, o Brasil continua entre os lanternas do crescimento. Estamos em 44º lugar entre 47 nações que deveriam ter algum peso na economia mundial. Somando tudo o que foi produzido neste país, em bens e serviços, crescemos de 0,1% no terceiro trimestre de 2017. Esse pibinho foi até comemorado. Gol com a mão não é privilégio do Maradona. Nos últimos 15 trimestres, ou quase quatro anos, os investimentos encolheram brutalmente. Pelo menos agora, o zero não está mais à esquerda da vírgula. A lamentar, os 12,7 milhões de desempregados.
O pior, agora, é que a bola está com os políticos. Os empreendedores nacionais fizeram sua parte, demonstraram que o Brasil pode sair da recessão. A política é que precisa trabalhar em favor da consolidação da confiança dos empresários. Arrumar as contas públicas, tapar o buraco no orçamento. A demora dos deputados em votar a reforma da Previdência e o ajuste fiscal, dificulta a retomada da economia. Ou seja, diminui a esperança de geração de empregos, cultivada em cada lar brasileiro.
Começam as preocupações com o recesso de final de ano. Os parlamentares têm suas ambições voltadas para as bases eleitorais. No ano que vem inicia-se um outro campeonato, com a campanha eleitoral. Será um péssimo momento para votar medidas impopulares. A sociedade estará exprimida entre dois opostos: Lula de um lado e Bolsonaro, do outro. Ninguém é capaz de dizer o que, em termos práticos, a vitória de um dos extremos poderá representar para o país.
Em fevereiro, tem Carnaval. Ou o presidente Temer reúne os 308 votos necessários, na Câmara, para votar com sucesso a reforma da Previdência, ou o abacaxi irá para a geladeira para ser descascado pelo próximo mandatário. Temer já não esconde que vai querer se candidatar para terminar sua missão de "pôr a casa em ordem". Que role a bola.
Os cronistas esportivos estão mais otimistas que os especialistas financeiros. O favoritismo do Brasil é inegável, dentro do seu grupo da Copa do Mundo. Só que, a nossa Seleção é que terá que jogar muito bem, se quiser ganhar. Os adversários estão com times montados para anular o Brasil e menos preocupados em criar chances de gol. Contra uma Inglaterra desfalcada, a seleção teve dificuldades para furar uma linha de cinco defensores. O futebol está globalizado. Costa Rica, Sérvia e Suíça, nossos adversários, têm jogadores nos maiores times europeus.
Na Copa Libertadores, o Grêmio ficou com a taça e ganhou o direito de disputar o mundial de clubes. Em matéria de libertadores, o ministro Gilmar Mendes, do STF, fez três a zero, com sua terceira decisão, em três meses, de libertar o "Rei da Propina" - o empresário de ônibus Jacob Barata Filho. "O rabo não abana o cachorro", como já alertou Gilmar. Sequer se constrangeu com as revelações de ter sido padrinho de casamento da filha de Barata. Até fez um muxoxo: "Ah, o casamento não durou três meses..."
A mulher do ministro, Guiomar, trabalha no escritório de advocacia que defende Barata no escândalo deflagrado pela Operação Ponto Final, da PF. Nada disso abala Gilmar. Muito menos o fato de julgar um pedido de habeas corpus, pulando graus de jurisdição, sem passar nas demais instâncias.
Usando de um velho provérbio português, o ministro do STF praguejou contra as críticas: "Ninguém se livra de pedrada de doido e coice de burro". Muito menos de cabeça de juiz do Supremo. Compreende-se, "a melhor defesa é o ataque.
Nada importa mais, agora, do que a forma como Tite aproveitará os quatro amistosos e o cerca de 20 dias de preparação até a estreia. Ele tem que armar o time para lidar com diferentes desafios impostos pelos rivais. "O escrete é a pátria de calções e chuteiras" (Nelson Rodrigues).
O conhecimento do Brasil passa pelo futebol. Esse esporte também não pode ser condenado pelos puristas como um fator desviante, diante de problemas político-econômicos tão graves. O futebol é a nossa importante manifestação cultural. A cada grito de gol, o brasileiro entra em orgasmo. O futebol tem várias características comuns à arte: criatividade, beleza, imprevisibilidade, celebração do corpo humano, além de provocar efeito catártico na plateia.
A estampa da bandeira, no muro de uma favela carioca - "Rumal ao Ékissa" - subjaz o que nos prenuncia. Foi no Mundial do Brasil. Aquele dos 7 a 1 para a Alemanha.