08 de julho de 2026
Geral

Ficar parado é tão ruim quanto fumar

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Pedro Iamada resolveu mudar totalmente de vida em 2017; diariamente, ele se exercita na Getúlio

Há um ano, sedentarismo era a palavra que melhor definia a rotina de Pedro Henrique Trindade Iamada. "Eu não fazia exercício e comia só coisa gordurosa", reconhece. Nos últimos 12 meses, ele passou a ter uma vida regrada. "Perdi 18 quilos e tenho mais disposição". Iniciativas como esta são cada mais recomendadas frente a uma realidade preocupante: ficar sem se mexer por muito tempo é extremamente prejudicial para a saúde, podendo ser comparado até mesmo com os males causados pela nicotina.

"Ficar sentado é o novo 'fumar'. Atualmente, já é possível fazer uma conexão de que, quanto mais tempo a pessoa passa sentada, maior é o risco de mortalidade por doenças ligadas ao peso e à falta de exercícios", afirmou a médica norte-americana Rita Raman. Pediatra pela Universidade de Oklahoma, ela alertou sobre os perigos do sedentarismo em palestra ministrada recentemente no Congresso Brasileiro de Nutrologia, realizado anualmente em São Paulo.

Durante o congresso, a especialista observou ainda que a obesidade está associada a diversas enfermidades, como diabetes, doenças cardiovasculares, nas articulações e autoimunes. "Bem como colesterol, artrite e problemas psicossociais, todos ligados à vida sedentária", disse a médica, segundo informações da assessoria da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Cardiologista do Hospital Estadual de Bauru (HEB), o médico Christiano Roberto Barros reitera a afirmação da médica ao comparar os males. "A pessoa fica exposta aos mesmos perigos. Os danos provocados pelo cigarro são praticamente os mesmos causados pela falta de exercícios físicos, no que diz respeito a riscos de mortalidade do paciente". 

A importância de fazer atividade física para proteger a saúde e evitar doenças não é novidade para ninguém. Mas quanto de exercício seria preciso fazer por dia? Barros explica que o recomendado são 30 minutos por dia, cinco vezes por semana. "O organismo foi feito para se manter em atividade. Cada vez mais, a gente passa a maior parte do tempo sentados, principalmente quem trabalha em escritórios. É essencial arrumar um tempo para se exercitar, nem que for dentro de casa ou subindo as escadas do prédio", ensina.

'DISCRIMINAÇÕES'

Problemas psicossociais do sedentarismo também foram abordados pelo médico nutrólogo e presidente da Abran, Durval Ribas Filho, durante o congresso em São Paulo. "Alguns governos ainda não compreendem a importância do tratamento de uma doença crônica, como a obesidade. O obeso sem o remédio engorda e sofre discriminações", frisa. 

MUDANÇA E RESULTADOS

O auxiliar administrativo Pedro Iamada revela: a preocupação com a saúde foi o fator que mais pesou na sua decisão de mudar de hábito. "O meu peso incomodava. Ficava ofegante só de atravessar a rua. Foi, então, que decidi entrar na academia e melhorar a alimentação", conta.

Desde janeiro deste ano, ele passou também a correr na avenida Getúlio Vargas, diariamente. "Consultei um nutricionista e iniciei uma dieta. Cortei comida gordurosa, refrigerante e só bebo a minha cervejinha aos finais de semana", brinca.

A mudança surtiu resultados logo. "Meu sono melhorou, acordo mais disposto. Agora, consigo correr de cinco a dez quilômetros por dia. Para quem ficava cansado só de atravessar a rua", compara.