11 de julho de 2026
Geral

Polícia Civil investe em gestão para buscar maior eficiência

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Youssef Abou Chahin (à esq.), acompanhado dos delegados Marcos Mourão, Ricardo Martines e Luiz Roberto Bertozzo, durante entrevista no JC

Segurança Pública é, antes de tudo, uma questão de boa gestão e investimento em tecnologia. A afirmação é do delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Youssef Abou Chahin, que esteve nessa terça-feira (5) no espaço Café com Política, do Jornal da Cidade.

Em visita a Jaú na segunda, ele falou sobre déficit de 6 mil policiais em todo Estado, provocado pelo anúncio da Reforma da Previdência, conforme o JC divulgou. Frente a essa realidade, o órgão vem reunindo esforços para melhoria no gerenciamento.

"Temos que equacionar o trabalho. Em Bauru, por exemplo, já está funcionando o Plantão Policial, para organizar melhor os serviços e reduzir o tempo de espera do público. Precisamos trabalhar com o que temos. Os policiais estão se desdobrando e atuando por dois, não deixando a peteca cair. E tem dado certo, pois os índices de criminalidade estão controlados e o Estado enxergou essa dificuldade, chamando os remanescentes de concurso em 2013 e também abrindo novo certame", destaca Youssef.

Dentro da proposta de fortalecer a investigação, a Polícia Civil vem investindo na tecnologia para otimização e eficiência dos seus trabalhos. Entre essas ferramentas, o delegado-geral cita a "Delegacia Eletrônica", com o incremento dos registros de ocorrências (BO eletrônico) e o registro audiovisual dos procedimentos em flagrante.

"Nós investimos muito em inteligência. Hoje, temos equipamentos de ponta, como a criação de um banco de dados de DNA. Temos ainda o 'Sistema Detecta', que é excelente com relação a rastreamento de veículos que estejam sendo utilizados por bandidos. Com esse recurso, sabemos a hora e lugar em que o veículo passou e para onde seguiu. É importante frisar que vários crimes graves praticados recentemente foram esclarecidos através dos nossos trabalhos científicos e de inteligência", destaca.

A visita de Youssef nesta terça contou com a presença do diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4), Marcos Mourão, do delegado assistente do Deinter-4 e responsável pela comunicação da Polícia Civil, Luiz Roberto Saud Bertozzo, e do delegado seccional de Bauru, Ricardo Luiz de Paula Martines.

QUEDA DE ROUBOS

Morão reitera que, diante dos desafios por conta do efetivo reduzido, é preciso se reinventar e apostar na qualidade de gestão. "Para superar o déficit, primeiro é necessário passar motivação e comprometimento aos policiais. Reconheço que existe sensação de insegurança, mas os números da nossa região melhoraram, principalmente dos roubos. Em novembro de 2016, foram registrados 146 casos. No mesmo mês desse ano, esse volume caiu para 76. Isso mostra que investir em um bom gerenciamento funciona".

O delegado Bertozzo pontua a importância da comunicação do órgão junto à população como complemento do esforço humano organizado. "A informação melhora e traz a sensação de segurança para a população. Não basta a polícia fazer os bons trabalhos e esclarecer os crimes. Isso tem que vir a público também", declara.

PATRIMÔNIO E TRÁFICO

Titular seccional de Bauru, Ricardo Martines ressalta a oportunidade de mostrar um pouco mais da realidade local ao delegado-geral. "A visita é uma honra nesse sentido, porque ele se aproxima da polícia da região e vê de perto os nossos desafios. Hoje, os maiores são os crimes contra o patrimônio e os de tráfico de entorpecentes", elenca.

'Culpa-se polícia pela violência. Na verdade, polícia é o remédio'

O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Youssef Abou Chahin, destacou os esforços do trabalho de inteligência para desarticular as quadrilhas especializadas em roubos a caixas eletrônicos. Ele reconhece uma migração desses criminosos para o Interior, em razão da vulnerabilidade da segurança pública em pequenas cidades. Mas, pondera que o volume de assaltos dessa natureza caiu cerca de 60%.

"Às vezes, entretanto, esbarramos em alguns entraves da lei. Recentemente, decisão do STF soltou 13 ladrões de caixas eletrônicos devido ao não oferecimento da denúncia no prazo legal. Precisamos de alteração legislativa, mudança nas leis de execuções penais, que hoje dá benefício de cumprir um terço da pena", pontuou Youssef, complementando com um desabafo para rebater criticas que atribuem à Polícia Civil a sensação de insegurança da população.

"Ninguém culpa o médico por uma epidemia e nem o professor pelo analfabetismo, mas culpa-se a polícia pela violência. Na verdade, a polícia é o remédio. Não fomos nós que criamos a criminalidade. Foi todo um contexto do País, os problema sociais que enfrentamos, como a falta de educação e de estrutura", finaliza Youssef.