09 de julho de 2026
Geral

Prefeitura revisa projeto e propõe "esvaziar" lagoa para evitar tragédias

Tisa Moraes e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Nessa segunda (11), um dia após morte, banhistas se refrescavam na lagoa

Na semana em que mais uma pessoa morreu na Lagoa da Quinta da Bela Olinda, a prefeitura informou que irá concluir a revisão do projeto de revitalização do local com o objetivo de impedir novos afogamentos. Porém, como transformar a proposta em realidade depende de recursos de que o município ainda não dispõe, medidas imediatas poderão ser definidas nos próximos dias para frear o histórico de tragédias, que soma mais de 70 vítimas fatais ao longo das últimas décadas.

A principal sugestão, até o momento, é corrigir o terreno irregular da lagoa e reduzir drasticamente sua profundidade, que, em alguns pontos, chega a oito metros. Apresentada pela Defesa Civil, a proposta prevê que o nível mais profundo chegue a cerca de apenas um metro.

"O levantamento topográfico já está sendo feito para avaliar esta possibilidade, que será levada à discussão em reuniões nos próximos dias. Temos condições de rebaixar a lâmina de água porque a lagoa conta com vertedouros, popularmente conhecidos como ladrão, que controlam o escoamento da água da represa", pontua Sidnei Rodrigues, coordenador da Defesa Civil de Bauru.

Além do órgão, as secretarias municipais de Agricultura (Sagra) e Meio Ambiente (Semma) estão mobilizadas e devem se reunir com o prefeito Clodoaldo Gazzetta também em busca de soluções definitivas para a área. A ideia é reconfigurar o projeto elaborado em 2015 para transformar a lagoa em parque municipal.

Com a obra orçada em R$ 5,4 milhões, todas as tentativas de obter verbas estaduais ou federais foram infrutíferas ao longo dos dois últimos anos. Agora, o objetivo é reduzir o investimento necessário para R$ 1 milhão, o que permitiria à prefeitura reivindicar recursos do Fundo de Interesses Difusos (FID), vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do governo do Estado.

CRIAÇÃO DE PEIXES

Segundo a titular da Semma, Mayra Fernandes, o investimento municipal, a título de contrapartida, seria de 5%. "Mas ainda não sabemos se esta redução de custos vai implicar na elaboração de um projeto completo ou, então, na execução em fases, sendo submetida ao FID a primeira delas", explica.

A recomposição florestal do entorno da lagoa, que totaliza uma área de 60 mil metros quadrados, é considerada uma das intervenções indispensáveis dentro do projeto. Secretário municipal de Agricultura, Chico Maia propõe, ainda, a construção de uma pista para caminhadas e a aquisição de tanques-rede (espécie de gaiolas que flutuam com a ajuda de boias) para a exploração de piscicultura em parte da lagoa.

"A represa é grande e comportaria, com tranquilidade, o lazer dos banhistas e a criação de peixes. A forma como isso aconteceria ainda precisa ser pensada, mas poderíamos fazer uma concessão de uso para a exploração desta atividade, com a comercialização de porções no próprio parque", considera.

Maia defende, ainda, o cercamento da lagoa com alambrados e controle de acesso ao parque por meio de portaria com vigilância nas 24 horas do dia. O uso de cercas já havia sido considerado em outras oportunidades nas administrações passadas, mas nunca foi posto em prática em razão da inviabilidade financeira de manter funcionários no local, já que, sem vigias, os alambrados seriam facilmente vandalizados.

Mais uma morte

Devido ao risco de acidentes, é proibido nadar na Lagoa da Quinta da Bela Olinda, mas os banhistas, normalmente, ignoram os alertas das placas existentes no local. Na tarde dessa segunda-feira (11), um dia após a morte do pedreiro Vágner Pinheiro, 58 anos, banhistas se refrescavam novamente na represa. Segundo o Corpo de Bombeiros, somente em 2017, foram registradas três ocorrências de afogamento na cidade, a maioria em rios e lagos, como o da Quinta da Bela Olinda. No ano passado, foram cinco registros e, em 2015, três casos. Procurada pela reportagem, Maria Helena Menezes, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste-Norte, que abrange a região, adiantou que entrará em contato com autoridades policiais e políticas da cidade para cobrar e discutir soluções com o objetivo de que novas mortes não voltem a acontecer na lagoa.

Vereadores cobram providências imediatas

O registro de mais uma morte na Lagoa da Quinta da Bela Olinda repercutiu na sessão dessa segunda (11) da Câmara. O vereador Natalino da Silva (PV), que tem reduto naquela região - ele é do Pousada da Esperança - cobrou da prefeitura a instalação de um alambrado, pelo menos até que uma solução definitiva seja tomada.

Já Yasmim Nascimento (PSC) sugere que o governo municipal disponibilize um salva-vidas no local, pois, mesmo com placas avisando a proibição do uso da água para banho, a falta de opções na cidade acaba levando muitas pessoas a nadar na lagoa.

Líder do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) na Casa de Leis, o vereador Markinho Souza (PP) também tratou do assunto. Com base eleitoral na região do Núcleo Mary Dota, ele já pleiteou recursos em Brasília para a revitalização da lagoa e propôs ações paliativas enquanto o projeto não for executado.

Markinho pediu aos seus colegas de Câmara que busquem recursos com seus deputados estaduais e federais, através de emendas parlamentares, para viabilizar a obra e transformar a lagoa em um parque com segurança para o lazer da população do entorno.