07 de julho de 2026
Geral

Transformador

Nelson Gonçalves e Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 16 min

Divulgação
A psicoterapeuta Marilene Krom aponta o efeito revolucionário no ser humano que consegue evoluir em suas relações a partir da compreensão dos sentimentos do outro: a se conquistar 

"O todo sem a parte não é todo. A parte sem o todo não é parte. Mas se a parte o faz todo, sendo parte. Não se diga que é parte, sendo todo". O verso de Gregório de Matos Guerra é uma dimensão poética existencialista da possibilidade transformadora do ser humano através da empatia.

"Ferramenta" fundamental na visão da psicologia, sobretudo a cognitiva comportamental, a empatia tem a capacidade de revolucionar as relações humanas e é um antídoto poderoso contra o egoísmo, o narcisismo e o erro, comum, de pré-julgar a atitude do outro no cotidiano.

A psicoterapeuta, mestre e doutora em, psicologia clínica pela PUC-SP, Marilene Krom, pontua que, ao pé da letra, a expressão vem do grego ('empatheia') e quer dizer "entrar no sentimento".

Na psicologia, o termo foi usado, no início, pelo psicólogo britânico Edward Bradford Titchener, teórico que abordou o estruturalismo como conceito psicológico.

"Há quem confunda empatia com simpatia. A empatia é uma resposta emocional que deriva da percepção do estado ou condição de outra pessoa. Ou seja, é uma posição neutra. Apoiar ou antagonizar são posições posteriores à da empatia", diz.

Assim, ter uma personalidade com sensibilidade empática significa poder compreender o outro, exatamente como a palavra grega diz: entrar no sentimento do outro.

A psicoterapeuta salienta que a empatia começa com a percepção e a compreensão do sofrimento do outro e provoca uma resposta afetiva compatível com a situação do outro.

Praticar empatia implica também desprendimento temporário de criticas, preconceito e opiniões pessoais.

"É compreender que cada um é do seu jeitinho, está dentro do seu tempo e da sua história", comenta Krom.

Por isso, pessoas com características mais egoístas, orgulhosas ou detentoras de conflitos pessoais que envolvem raiva e revolta dificilmente têm dificuldade em "fazer empatia".

Assim, a capacidade de praticar empatia envolve certa maturidade. "Exercer a empatia implica em ser parte do mundo de todas as coisas e pessoas. É uma atitude profunda de caráter humano que implica em responsabilidade com o meio em que vivemos e com o mundo que nos cerca. É sobretudo ampliar a sensibilidade e trabalhar a compaixão pelo sofrimento humano", comenta Marilene.

Desta forma, o caminho da transformação é diretamente proporcional à evolução interna.

"Ensinar ou influenciar seres humanos a serem empáticos e solidários é um tanto complexo e fácil ao mesmo tempo, pois trata-se de atitude diante da vida, que determina uma série de condutas e uma hierarquia de valores", opina.

E cada um pode, de deve, fazer sua parte na longa trajetória da busca transformada através da empatia.

Marilene Krom sugere ações das mais simples às profundas. "Estabelecer acordos e procurar que eles sejam cumpridos. Não esquecer o clima afetivo de carinho elogios e agradecimento. Manter sempre a boa comunicação entre os pais, e com os filhos, e entre os filhos, à divisão e ajuda nas tarefas o clima afetivo. Haver parceria dos pais na educação dos filhos sempre será uma base segura para a família".

E conclui: "Sem dúvida estaremos educando para o mundo seres mais sensíveis, empáticos, solidários e participativos".

Pertencimento, conexão, humanidade: revolução nas relações 

E como exercer a "arte comportamental" de ser colocar no lugar do outro?

Para os psicólogos Arnaldo Vicente e Mauricéia Quinhoneiro, especializados em Terapia Cognitivo Comportamental e com formação em mindfulness (atenção plena), há alguns passos a serem considerados.

"Para se colocar no lugar do outro em primeiro lugar a pessoa precisa estar consciente do próprio lugar, valor e do potencial que desenvolveu até o momento. Estar consciente de sua competência pessoal para cuidar de sua saúde, vida acadêmica e profissional para realizar com segurança pessoal as atividades que vão contribuir para sua sobrevivência e felicidade. A pessoa se torna consciente do que realmente é capaz ou incapaz, de fazer por si mesma e reconhece suas naturais limitações que poderão ser superadas recorrendo aos resgates que existem em seu entorno", contribui Arnaldo.

Mauricéia pondera que "as mais recentes descobertas científicas sugerem que a nossa capacidade de realizar atos de generosidade, de demonstrar um comportamento altruísta e sentir empatia e compaixão é inata e não algo que aprendemos durante a socialização ou pela exposição cultural. Através do processo de socialização aprendemos critérios para a avaliar e diferenciar aqueles que merecem nossa empatia daqueles que não merecem. Assim, a empatia, como outra habilidade, pode ser mais ou menos desenvolvida a partir de inúmeros critérios como aprendizagem, necessidade, motivação, atenção plena, estabilidade emocional, entre outros".

Estando bem consigo, a ação de se colocar do "outro lado" gera mudanças. "Quando a pessoa está 'ok' ela está apta para ser empática, ou seja, para compreender se o outro está 'ok' a partir do que o outro apresenta e não do que ela imagina que o outro é. Reconhecer o outro como ele se apresenta, sendo um observador imparcial ao invés de rotular e negar a realidade, gera a aceitação, a aproximação e a compreensão com sabedoria, gentileza e compaixão sobre o que o outro pode estar sentindo ou pensando. E isso sem esquecer que mesmo se pondo no lugar do outro, você não é o outro", acrescenta Vicente.

Já Mauricéia enfatiza o uso crescente do processo. "A empatia pode ocorrer naturalmente ou ser exercitada através de uma intenção deliberada. Neste caso, vale a máxima de que 'o hábito faz o monge', uma vez que a prática, mesmo que em princípio seja um esforço ou até sacrifício, tende a levar ao aprimoramento desta habilidade. A relevância científica atribuída à empatia e a compaixão tem contribuído para a disseminação de protocolos validados de treinamento destas habilidades através de vários formatos de programas de oito semanas. No Brasil e no mundo, é crescente o número de profissionais das áreas da saúde que estão sendo treinados para atuar nesses programas", cita.

A prática da empatia é, ainda, antídoto ao individualismo. "Ela torna a pessoa mais sensível e consciente de suas necessidades e aumenta o interesse em compreender e colaborar com as necessidades do outro. Ou seja, neutraliza o individualismo excessivo, o egocentrismo e o egoísmo", pontua Arnaldo.

Mauricéia acrescenta: "quanto maior a habilidade de empatia e compaixão, maior o sentimento de pertencimento e conexão. Atentar, acolher ou também agir para ajudar a diminuir a dor do outro tende a promover um maior senso de humanidade".

APTIDÃO

Entretanto, nem todos estão "aptos" a serem empáticos. "Falta de motivação e ignorância são grandes obstáculos. No entanto, mesmo pessoas empáticas, podem ter prejuízo desta habilidade quando estão as voltas com um déficit de energia provocado pelo estresse, além das doenças físicas e emocionais. Fica muito difícil ser empático e compassivo com a dor do outro quando se está sofrendo para administrar as próprias mazelas", esclarece Mauríceia.

Arnaldo Vicente adverte para a necessidade de observar o narcisismo que permanece na vida adulta.

"A criança apresenta o chamado narcisismo infantil, que a faz acreditar que tudo o que ocorre no mundo é por sua obra e conta, como se ela fosse o centro do universo. Tudo bem. É assim que aos poucos ela percebe que o mundo funciona de modo diferente e vai descobrindo a importância do outro para o seu bem-estar. O problema é quando esse narcisismo permanece na adolescência e nas outras fases da vida e se torna um obstáculo para uma interação saudável com o outro".

E como exercer a "arte comportamental" de ser colocar no lugar do outro?

Para os psicólogos Arnaldo Vicente e Mauricéia Quinhoneiro, especializados em Terapia Cognitivo Comportamental e com formação em mindfulness (atenção plena), há alguns passos a serem considerados.

"Para se colocar no lugar do outro em primeiro lugar a pessoa precisa estar consciente do próprio lugar, valor e do potencial que desenvolveu até o momento. Estar consciente de sua competência pessoal para cuidar de sua saúde, vida acadêmica e profissional para realizar com segurança pessoal as atividades que vão contribuir para sua sobrevivência e felicidade. A pessoa se torna consciente do que realmente é capaz ou incapaz, de fazer por si mesma e reconhece suas naturais limitações que poderão ser superadas recorrendo aos resgates que existem em seu entorno", contribui Arnaldo.

Mauricéia pondera que "as mais recentes descobertas científicas sugerem que a nossa capacidade de realizar atos de generosidade, de demonstrar um comportamento altruísta e sentir empatia e compaixão é inata e não algo que aprendemos durante a socialização ou pela exposição cultural. Através do processo de socialização aprendemos critérios para a avaliar e diferenciar aqueles que merecem nossa empatia daqueles que não merecem. Assim, a empatia, como outra habilidade, pode ser mais ou menos desenvolvida a partir de inúmeros critérios como aprendizagem, necessidade, motivação, atenção plena, estabilidade emocional, entre outros".

Estando bem consigo, a ação de se colocar do "outro lado" gera mudanças. "Quando a pessoa está 'ok' ela está apta para ser empática, ou seja, para compreender se o outro está 'ok' a partir do que o outro apresenta e não do que ela imagina que o outro é. Reconhecer o outro como ele se apresenta, sendo um observador imparcial ao invés de rotular e negar a realidade, gera a aceitação, a aproximação e a compreensão com sabedoria, gentileza e compaixão sobre o que o outro pode estar sentindo ou pensando. E isso sem esquecer que mesmo se pondo no lugar do outro, você não é o outro", acrescenta Vicente.

Já Mauricéia enfatiza o uso crescente do processo. "A empatia pode ocorrer naturalmente ou ser exercitada através de uma intenção deliberada. Neste caso, vale a máxima de que 'o hábito faz o monge', uma vez que a prática, mesmo que em princípio seja um esforço ou até sacrifício, tende a levar ao aprimoramento desta habilidade. A relevância científica atribuída à empatia e a compaixão tem contribuído para a disseminação de protocolos validados de treinamento destas habilidades através de vários formatos de programas de oito semanas. No Brasil e no mundo, é crescente o número de profissionais das áreas da saúde que estão sendo treinados para atuar nesses programas", cita.

A prática da empatia é, ainda, antídoto ao individualismo. "Ela torna a pessoa mais sensível e consciente de suas necessidades e aumenta o interesse em compreender e colaborar com as necessidades do outro. Ou seja, neutraliza o individualismo excessivo, o egocentrismo e o egoísmo", pontua Arnaldo.

Mauricéia acrescenta: "quanto maior a habilidade de empatia e compaixão, maior o sentimento de pertencimento e conexão. Atentar, acolher ou também agir para ajudar a diminuir a dor do outro tende a promover um maior senso de humanidade".

APTIDÃO

Entretanto, nem todos estão "aptos" a serem empáticos. "Falta de motivação e ignorância são grandes obstáculos. No entanto, mesmo pessoas empáticas, podem ter prejuízo desta habilidade quando estão as voltas com um déficit de energia provocado pelo estresse, além das doenças físicas e emocionais. Fica muito difícil ser empático e compassivo com a dor do outro quando se está sofrendo para administrar as próprias mazelas", esclarece Mauríceia.

Arnaldo Vicente adverte para a necessidade de observar o narcisismo que permanece na vida adulta.

"A criança apresenta o chamado narcisismo infantil, que a faz acreditar que tudo o que ocorre no mundo é por sua obra e conta, como se ela fosse o centro do universo. Tudo bem. É assim que aos poucos ela percebe que o mundo funciona de modo diferente e vai descobrindo a importância do outro para o seu bem-estar. O problema é quando esse narcisismo permanece na adolescência e nas outras fases da vida e se torna um obstáculo para uma interação saudável com o outro".

E como exercer a "arte comportamental" de ser colocar no lugar do outro?

Para os psicólogos Arnaldo Vicente e Mauricéia Quinhoneiro, especializados em Terapia Cognitivo Comportamental e com formação em mindfulness (atenção plena), há alguns passos a serem considerados.

"Para se colocar no lugar do outro em primeiro lugar a pessoa precisa estar consciente do próprio lugar, valor e do potencial que desenvolveu até o momento. Estar consciente de sua competência pessoal para cuidar de sua saúde, vida acadêmica e profissional para realizar com segurança pessoal as atividades que vão contribuir para sua sobrevivência e felicidade. A pessoa se torna consciente do que realmente é capaz ou incapaz, de fazer por si mesma e reconhece suas naturais limitações que poderão ser superadas recorrendo aos resgates que existem em seu entorno", contribui Arnaldo.

Mauricéia pondera que "as mais recentes descobertas científicas sugerem que a nossa capacidade de realizar atos de generosidade, de demonstrar um comportamento altruísta e sentir empatia e compaixão é inata e não algo que aprendemos durante a socialização ou pela exposição cultural. Através do processo de socialização aprendemos critérios para a avaliar e diferenciar aqueles que merecem nossa empatia daqueles que não merecem. Assim, a empatia, como outra habilidade, pode ser mais ou menos desenvolvida a partir de inúmeros critérios como aprendizagem, necessidade, motivação, atenção plena, estabilidade emocional, entre outros".

Estando bem consigo, a ação de se colocar do "outro lado" gera mudanças. "Quando a pessoa está 'ok' ela está apta para ser empática, ou seja, para compreender se o outro está 'ok' a partir do que o outro apresenta e não do que ela imagina que o outro é. Reconhecer o outro como ele se apresenta, sendo um observador imparcial ao invés de rotular e negar a realidade, gera a aceitação, a aproximação e a compreensão com sabedoria, gentileza e compaixão sobre o que o outro pode estar sentindo ou pensando. E isso sem esquecer que mesmo se pondo no lugar do outro, você não é o outro", acrescenta Vicente.

Já Mauricéia enfatiza o uso crescente do processo. "A empatia pode ocorrer naturalmente ou ser exercitada através de uma intenção deliberada. Neste caso, vale a máxima de que 'o hábito faz o monge', uma vez que a prática, mesmo que em princípio seja um esforço ou até sacrifício, tende a levar ao aprimoramento desta habilidade. A relevância científica atribuída à empatia e a compaixão tem contribuído para a disseminação de protocolos validados de treinamento destas habilidades através de vários formatos de programas de oito semanas. No Brasil e no mundo, é crescente o número de profissionais das áreas da saúde que estão sendo treinados para atuar nesses programas", cita.

A prática da empatia é, ainda, antídoto ao individualismo. "Ela torna a pessoa mais sensível e consciente de suas necessidades e aumenta o interesse em compreender e colaborar com as necessidades do outro. Ou seja, neutraliza o individualismo excessivo, o egocentrismo e o egoísmo", pontua Arnaldo.

Mauricéia acrescenta: "quanto maior a habilidade de empatia e compaixão, maior o sentimento de pertencimento e conexão. Atentar, acolher ou também agir para ajudar a diminuir a dor do outro tende a promover um maior senso de humanidade".

APTIDÃO

Entretanto, nem todos estão "aptos" a serem empáticos. "Falta de motivação e ignorância são grandes obstáculos. No entanto, mesmo pessoas empáticas, podem ter prejuízo desta habilidade quando estão as voltas com um déficit de energia provocado pelo estresse, além das doenças físicas e emocionais. Fica muito difícil ser empático e compassivo com a dor do outro quando se está sofrendo para administrar as próprias mazelas", esclarece Mauríceia.

Arnaldo Vicente adverte para a necessidade de observar o narcisismo que permanece na vida adulta.

"A criança apresenta o chamado narcisismo infantil, que a faz acreditar que tudo o que ocorre no mundo é por sua obra e conta, como se ela fosse o centro do universo. Tudo bem. É assim que aos poucos ela percebe que o mundo funciona de modo diferente e vai descobrindo a importância do outro para o seu bem-estar. O problema é quando esse narcisismo permanece na adolescência e nas outras fases da vida e se torna um obstáculo para uma interação saudável com o outro".

Ana Beatriz Garcia
O casal de namorados Stefani Mariana Pavaneli e Matheus Souza Cardoso dos Santos analisa como exercitar a empatia no cotidiano

A arte de agir considerando outra lente

A empatia não é tarefa de fácil aplicação no dia a dia. A reação pela impulsividade, do momento, distorções comportamentais arraigadas e ego são alguns dos fatores que acabam por desviar o caminho que poderia levar uma pessoa a estar no “lugar do outro”.

Quando Stefani Mariana Pavaneli, de 25 anos, está em meio a um conflito, a decisão de olhar a situação com as lentes da outra parte vem tardiamente. “Na hora, a gente acaba não pensando muito. Eu tenho dificuldade de fazer essa análise. Mas depois, com calma, com o tempo, eu vejo que poderia ter pensado melhor e tomado outras atitudes”, comenta.

E atitudes podem mudar o rumo de uma situação, como conta o namorado da fisioterapeuta, Matheus Souza Cardoso dos Santos, de 27 anos. Ela dá um exemplo a partir de um fato com morador de rua. “Eu sou de São Paulo e, infelizmente, a gente fica sempre alerta. Ano passado, eu e a Stefani estávamos andando na rua, tarde da noite, e um cara começou a vir em nossa direção. Naquele momento, posso até ter sido um pouco impudente, mas resolvi pensar no que aquele homem estava precisando. Ele só queria nos pedir comida”, comenta. “Acho que devemos ter cuidado, mas é importante esse olhar para o outro. Pensar nas circunstâncias e nas necessidades de cada um”, conclui.

A DOIS

Matheus e Stefani namoram há um ano e cinco meses e, durante esse período, afirmam que a empatia é um exercício diário. “Não vou falar que é fácil, mas com os nossos compromissos do dia a dia percebemos que temos sempre que avaliar o que o outro está vivendo para resolver algum problema ou outro”, diz Stefani.

Os relacionamentos interpessoais são repletos de complexidades, desafios. Daniela Rissato, de 45 anos, avalia que mesmo sendo custoso agir de forma empática em algumas circunstâncias, o diálogo é um aliado eficaz. “A conversa é a melhor opção. Por mais que você queira se colocar no lugar do outro, não é fácil. Quando você está em uma discussão, você acredita na sua razão. É difícil, mas com diálogo é possível”, comenta.

DESDE PEQUENOS

Mãe de uma moça de 20 anos e um garotinho de 9, Daniela reconhece que, tendo em vista os desafios do exercício da empatia, ensina seus filhos a lidar com situações de conflito desde pequenos. “Sempre conversei com eles sobre se colocar no lugar no outro. Entender, respeitar as pessoas e nunca fazer para o outro aquilo que não quer que façam para você”, afirma.

EXPERIÊNCIA

E se a receita da empatia for o tempo? Desde pequenos ouvindo os ensinamentos dos pais, criando suas próprias percepções de mundo e encontrando, até na própria profissão, mais uma forma de aprender a ver o outro lado da história. “Eu sou advogado, trabalho com o conflito e, no conflito, a gente tem sempre que analisar os dois lados. Pensar só na sua versão faz com que, no mínimo, você tenha uma análise deformada sobre o que está acontecendo”, comenta Sérgio Aun, de 55 anos.

Ainda que lidando, diariamente, com essa realidade, o advogado avalia que nem sempre as práticas do ofício são empregadas no convívio social. “É difícil. Isso é um exercício que a idade lhe propicia. Com o tempo, você aprende que nem sempre a forma como você analisa, é a correta. A vida vai lhe ensinando e dando um cabedal de convívio, que faz com que você perceba que precisa permitir que o outro seja considerado”, conclui.

Arte de agir considerando outra lente