08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Natal, tempo de reflexão...

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

Mais uma vez, estamos no mês de dezembro. De uma forma tímida e sem a tradicional melodia natalina que o rádio já não toca mais, o Natal vai surgindo no calendário de mesa. Com ele, as esperanças de que a data consiga mudar, pelo menos um pouco, a cabeça das pessoas, que atualmente só sabem cultivar a intolerância.

Mas a tradição prevalece. Nas igrejas são celebradas a Missa do Galo. Muitas famílias fazem uma ceia de Natal completa; outras nem tanto. Algumas crianças recebem o presente de última geração; outras talvez uma bola ou uma boneca. Não quero parecer piegas e sem graça, mas a desigualdade é tanta, que chego a pensar que os adultos não foram uma criança um dia e já esperaram pela visita do Papai Noel, na expectativa de ganhar um presente.

Hoje em dia é quase impossível brinquedos, pois os preços nesta época do ano travam uma briga tão desonesta com os consumidores, que nem as lojas de R$ 1,99 (que de R$1,99 não tem nada) conseguem ajudar na hora das compras. Mas o Natal está chegando e com ele a tão esperada temporada de compras natalinas. É impossível ficar indiferente às promoções da Black Friday (sexta-feira preta), dos shopping centers decorados, das lojas com suas vitrines enfeitadas e ignorar as ruas movimentadas...

Nem que para isso seja preciso lançar mão das economias ou estourar o limite do cartão de crédito. É quase uma obrigação se sentir atualizado com as novidades que desfilam diariamente nos meios de comunicação, em que a televisão e a Internet reinam de forma absoluta, com o simples objetivo de induzir as pessoas a comprarem até o que não precisam. Tudo com a pura intenção de fazer um "drinque de ofertas" e seduzi-las a brindar ao seu status...

Assim, o Natal se torna triste, pois os preços são altos, as crianças são carentes, a democracia é restrita, o Papai Noel é careta, os adultos são quadrados, as mensagens são evasivas, os sorrisos são falsos e as esperanças são remotas. Ainda há muita desunião entre as pessoas, que acabam dificultando o reencontro daqueles que sonham com uma festa mais cristã. Os cartões, com suas mensagens de "Feliz Natal", foram substituídos pelas mídias e redes sociais que se encarregam de enviá-los pelo WhatsApp, Facebook , Instagram...

Abra aquele coração trancado, que impede as pessoas de se procurarem, de se aproximarem e de se encontrarem, para, juntas descobrirem que o Natal é um momento especial de confraternização, de carinho e de amor. Redescubra aquele amor de infância, perdido no passado; aquela amizade de irmãos, esquecida no tempo; aquele abraço de saudade, abandonado na distância, e se reencontre com as pessoas e consigo mesmo. Na porta da casa, uma guirlanda colorida, na sala de estar, uma árvore de Natal toda enfeitada com luzes pisca-piscas, bolas, laços e símbolos natalinos. Sobre a mesinha de canto, um presépio todo ornamentado e um Papai Noel dançando e cantando Jingle Bells. Deixe o Natal nascer em sua vida, como nasceu há milênios, em Belém (Judeia), aquele menino de origem simples, pobre e humilde. Mas que, em uma simples manjedoura, soube demonstrar ao mundo o verdadeiro significado de uma família.