08 de julho de 2026
Regional

Protesto 'trava' Bauru-Arealva

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

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Momento em que os pneus foram queimados na rodovia
Divulgação
Clima quente: integrantes do movimento atearam fogo em pneus para bloquear rodovia
Douglas Reis
Protesto nesta sexta provocou um grande congestionamento nos dois sentidos da rodovia

Integrantes da União Nacional Camponesa (UNC) bloquearam, na manhã dessa sexta-feira (22), os dois sentidos da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Arealva, em Bauru, próximo ao trevo do Aeroporto Moussa Tobias. Os sem-terra atearam fogo em pneus e foram acusados de truculência durante o ato, que reivindica mais agilidade e transparência na reforma agrária no que diz respeito a entraves judiciais envolvendo a liberação de terras na cidade.

O ato ocorreu das 8h às 9h50 e gerou congestionamento de até cinco quilômetros em ambos os sentidos da rodovia, informou a Polícia Militar Rodoviária. O Corpo de Bombeiros precisou ser acionado para conter o fogo e auxiliar na limpeza da pista. Os policiais estimam a participação de 100 manifestantes no protesto. Já o movimento fala em 140 pessoas.

Uma mulher que seguia de Arealva para Bauru alega ter sido coagida pelos sem-terra. A farmacêutica e empresária Valdirene Carlos Polido Seriani, 43 anos, disse ao JC que tentou negociar a passagem assim que a pista foi interditada, pois seu cachorro Clayde, da raça golden retriever, sentia muita dor e ela o levaria ao veterinário.

"Um senhor arrancou a chave da ignição com o carro ligado. Outros dois tentaram virar o veículo, enquanto alguém segurou meu braço. Aí um deles resolveu apaziguar e pediu para me devolverem a chave e me liberarem, mas quando dei a partida, o carro não pegou por conta do sistema antifurto. Precisei chamar o seguro e agora vou registrar um boletim de ocorrência".

Dirigente nacional da UNC, Marcos Vinicius alega que o movimento liberou ambulâncias e outros motoristas com demandas de saúde e não teria motivo para deixar de liberá-la também. "Eu desconheço esse tipo de ação. Se ela achar que foi prejudicada, deve procurar os seus direitos e nós vamos acionar nossos advogados", frisa.

AGILIDADE

Em relação ao protesto desta sexta, Marcos explica que é reivindicada mais agilidade e transparência no processo de arremate da Fazenda Santo Antônio, a qual faz parte do Complexo Industrial Frigorífico Mondelli. No início deste mês, cerca de 200 famílias do movimento ocuparam a área.

O dirigente reclama de morosidade por parte da Justiça na remarcação do leilão, alegando que o Incra tem interesse em arrematar as terras para destiná-las à reforma agrária. "O Incra fez uma proposta no valor de R$ 27 milhões, com pagamento em espécie. Só que o Judiciário não acatou e está negociando com particular na ordem de R$ 33 milhões, para pagar parcelado. A nosso ver, a Justiça não quer sem-terra aqui", critica.

Conforme o JC divulgou em agosto, um produtor rural de Limeira ofereceu lance de R$ 33.613.021,80, que seriam quitados em cinco parcelas iguais sem juros. A segunda proposta, de R$ 20 milhões a serem pagos em 60 dias, foi apresentada por uma empresa de Bauru. Caso as propostas forem recusadas, um novo leilão terá de ser agendado.

Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo disse que não se posiciona em relação a manifestações sobre questões jurisdicionais. "Se há críticas sobre isso, a parte que se sente prejudicada tem os meios legais para acionar o Judiciário", declarou.

Já o Incra, também em nota, confirma ter interesse em participar do leilão. "Estamos finalizando trâmites administrativos para estabelecer o valor a ser oferecido. Aguardamos uma definição do Judiciário a respeito do leilão do imóvel", pontua.

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Corpo de Bombeiros foi acionado pelo policiamento rodoviária e apagou as chamas nos pneus

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