07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Olhando pra Lua!

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil. Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru, SP
| Tempo de leitura: 1 min

Numa certa sexta-feira à noite, eu e minha esposa fomos jantar num bistrô aqui da cidade, pedimos um polvo cada e dividimos uma garrafa de um bom vinho tinto português. Pagamos caro, mas valeu a pena pelo jantar (estava delicioso). O lugar era aconchegante e passamos momentos agradáveis juntos. Creio que isso é essencial na vida de um casal, pois são momentos próprios que ajudam a nos aproximar ainda mais, sendo uma espécie de investimento em nós mesmo.

Além disso, acho também que ajudamos a girar a roda de nossa economia, uma vez que o dono do bistrô, a cozinheira, o garçom, a faxineira, o cuidador do carro, o pescador, o transportador... todos envolvidos levaram seu quinhão. Até o governo, nosso sócio permanente, levou sua parte através dos impostos.

E cada quinhão recebido por eles, certamente, foi reaplicado em novas atividades, que por sua vez novamente aplicados também pelos outros, num giro sem fim que acaba multiplicando as trocas e ajudando muita gente. Com isto, é gerada uma onda de riqueza que estava latente, só esperando ser estimulada pelo gasto no jantar, e que foi redistribuída pra sociedade numa reação em cadeia.

Celebramos e movimentamos a economia num típico sistema capitalista, onde a liberdade e o mérito de algo especial resulta nesta dinâmica toda. No socialismo, que é um sistema que privilegia a igualdade em detrimento da liberdade e do mérito, isto jamais aconteceria. Na igualdade socialista seríamos muito parecidos entre nós: não comeríamos o polvo, o dono do bistrô não ganharia nada, e os outros também não. Até o governo ficaria sem sua parte dos impostos e ninguém redistribuiria nada. Estaríamos todos, numa sociedade mais estática e na igualdade do nada, parados olhando pra Lua procurando respostas de como poderíamos melhorar nossas vidas.