10 de julho de 2026
Geral

Receita vence e remédio não chega na farmácia municipal

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Pai do garoto mostra o recipiente do medicamento vazio

Há 40 dias sem a Ritalina (cloridrato de metilfenidato), o corpo de Ede Oliveira Neto, de 11 anos, já apresenta os efeitos da interrupção do tratamento médico: sonolência, falta de concentração e desânimo. A falta, claro, não decorre de alta médica, mas da ausência da medicação para o transtorno de déficit de atenção na Unidade de Assistência Farmacêutica (UAF) da prefeitura. Até a receita médica já venceu, mas o desabastecimento permanece. Segundo a própria prefeitura, a normalização deve ocorrer em janeiro. 

Enquanto isso, o pai do garoto, o aposentado Ede de Oliveira Júnior, de 42 anos, e a mãe dele, a enfermeira Daniela de Souza, 40 anos, já projetam apertar as contas da casa neste final de ano para conseguir comprar a medicação (40 miligramas), que custará cerca de R$ 600,00 cada mês, caso o desabastecimento permaneça no início do ano.

"Ele não poderia ter interrompido o tratamento de forma abrupta; é um remédio de tarja preta e ele toma há três anos", lembra Daniela. "Mas o problema maior mesmo será quando as aulas voltarem. Ele precisa da medicação para minimizar o déficit de atenção", acrescenta. 

O garoto já passou por duas consultas médicas apenas para conseguir as receitas, na expectativa de continuar tentando ir à farmácia municipal e obter a medicação. Um dos documentos já venceu no dia 14 de dezembro e o próximo vence no dia 14 de janeiro.

"Corremos o risco de a segunda receita vencer e ter que agendar médico de novo só para isso. Se para a gente isso pesa, imagina para outras pessoas que não têm condições de ficar voltando ao médico ou de comprar a medicação?", questiona o pai.

EM JANEIRO

Com relação ao medicamento Ritalina, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que, em novembro, houve o término do estoque. O empenho para aquisição da nova remessa saiu em dezembro, segundo a pasta. 

Em contato com a empresa, a secretaria disse que a mesma está em recesso coletivo, devido ao Natal e Ano Novo, e que a entrega só poderá ser feita mesmo em janeiro. "Adiantamos que, quando recebermos, os medicamentos serão prioritariamente entregues na UAF Centro", diz, em nota, a Secretaria Municipal de Saúde.