11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A ferrovia no contexto econômico, social e político no país

Por Wanderley Brosco - chefe geral de estação - EFS | FEPASA
| Tempo de leitura: 3 min

Nenhum País de dimensões continentais como o nosso apresenta uma disparidade tão acentuada na distribuição de cargas por modais de transportes. Na Rússia, a ferrovia ultrapassa 80%, e nos países menores, a exemplo de França e Alemanha, o percentual fica em torno de 45%. No Brasil recai sobre o sistema rodoviário a responsabilidade de escoar 62% de nossas riquezas diante de 24% do ferroviário.

Este País é o que mais depende de rodovias. Apesar de flexível quanto a rotas e pontos de entrega, os veículos emitem índices 'alarmantes' de gases de efeito-estufa. Além disso, com maior custo no transporte de cargas e de manutenção do que outros transportes como o ferroviário e o hidroviário; sem falar de maior gasto de "combustíveis; de vez que 'um único trem poder substituir mais de 40 (quarenta) carretas nas estradas'.

As rodovias 'oneram os cofres públicos' que, muitas vezes, não conseguem atender as necessidades viárias, fator que não se modifica nem com as privatizações, uma vez que estas costumam ocorrer com as estradas ' já prontas e estruturadas'.

Se no Brasil a distribuição de transportes ferroviários se aproximasse dos padrões alemães, economizaríamos, segundo estudos disponíveis nos meios técnicos, vários bilhões de dólares em fretes a cada ano. Basta inferir o que esta cifra representa em termos de acréscimo de preços aos produtos, para concluir: 'perdemos também em competitividade nos mercados mundiais'.

A propósito de nossos "trens de passageiros", solicitados insistentemente pela população, o que se pode afirmar é que o transporte de massas, especialmente nas grandes cidades brasileiras, é bastante carente: não obstante a tecnologia ferroviária haver evoluído muito, ao longo dos anos, em outros Países. O primeiro trem-bala japonês circulando a 210 km horários, de Tóquio a Tokaido, a partir da década de 1960, trouxe grandes benefícios àquele país. O segundo trem de alta velocidade, que une as cidades de Tóquio a Osaka, atingiu a cifra de 300 quilômetros horários. Na Europa, modernos trens encurtam as viagens e permitem ir de um País a outro ou, mesmo dentro das cidades, com o máximo conforto.

O TGV francês bate recorde de velocidade desde 1995 e já chegou a ultrapassar a marca de 545 quilômetros horários. Nos aeroportos, os problemas de mau tempo e de outras obstruções envolvendo interdições de voos causam sérios transtornos à população em face de inevitáveis atrasos.

O "inchaço" produzido pelo crescente trânsito em nossas rodovias, ceifando vidas preciosas, em "números assustadores"; o efeito estufa, os frequentes roubos de cargas nas estradas; os altos prejuízos financeiros na balança comercial brasileira permitem-nos imaginar que a solução esteja em maior participação do modal ferroviário - fazendo inclusive voltar nossos trens de passageiros de grande-percurso para atuarem nos Estados de maior densidade demográfica e 'de maior projeção do País'; iniciando-se pelo trecho São Paulo x Campinas.

Nossa sugestão seria um novo leito de via (exclusivo para trens de passageiros de grande percurso) permitindo alta velocidade, como acontece na Europa e Ásia.

No que tange a evitar despesas com 'desapropriações' para essa construção, não seria o caso de estudos visando aproveitamento de áreas ociosas existentes de ambos os lados de nossas rodovias?