08 de julho de 2026
Geral

Gazzetta: 6 prioridades para 2018

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 9 min

Samantha Ciuffa
Clodoaldo Gazzetta: "Estamos corrigindo alguns pontos"

O prefeito de Bauru faz avaliação do primeiro ano, aponta virtudes, reconhece defeitos e elenca seis prioridades para "mudar a cara da cidade em desenvolvimento sustentável, geração de emprego e renda e serviços", como ele diz. Para Clodoaldo Gazzetta, a despeito de outras ações de governo, a implantação do novo eixo industrial (zona Norte), a liberação de área na zona Leste para 5.500 moradias populares, a implementação de leis para o chamado destravamento - revisão do Manejo da Água Parada, extensão do perímetro, classificação da Zona de Indústria, Comércio e Serviços (Zics) e realização do estudo de Manejo do Batalha -, a mudança na cobrança da CIP com concessão para iluminação pública, a abertura de Parceria-Público-Privada (PPP) para serviços de limpeza pública e assumir o Base como Hospital Municipal são prioridades.

Clodoaldo Gazzetta também falou de outras áreas do governo (acompanhe reportagens em outras edições), mas disse que "o foco é colocar as prioridades embaixo do braço para não deixar que elas escapem". Entre os obstáculos, estão fazer a máquina funcionar, ajustar a atuação do time de governo e contar com a Câmara Municipal para aprovar medidas antipáticas em ano de eleição (como aumentar cobrança da CIP e "recriar" cobrança pelo serviço do lixo). Veja os principais pontos dessa parte da entrevista:          

Jornal da Cidade - Qual a sua avaliação do primeiro ano?

Clodoaldo Armando Gazzetta - Acho que assumi a Prefeitura no momento da história mais conturbada no País, com crise econômica de quatro anos consecutivos, com questionamento ético e moral em torno de políticos e na política e no ambiente da socialização das redes sociais. Mesmo eu tendo me preparado para isso e o que fazer para mudar a visão de cidade, peguei esse momento e com uma estrutura igual a de 24 anos, quando fui secretário do Meio Ambiente. Uma estrutura travada para a gestão pública. É difícil. Me sinto realizado por ser o prefeito. Considero ter acordado a maior parte dos compromissos para por a cidade em movimento, com mudanças em legislação, melhoria na situação econômica, pagamos tudo em dia e com ações em andamento. Mas me sinto frustrado por ter de esperar ações por falta de recurso ou por falta de agilidade. É inadmissível ter dinheiro na conta e levar 3 anos para construir uma escola. Esse é o retrato. Mas acho que em grande parte conseguimos fazer essa engrenagem girar.

JC - Que ações você elenca?

Gazzetta - Em infraestrutura, mesmo tendo trazido contratos da gestão anterior, nós é que estamos realizando e vamos pagar a conta. Mudamos os artigos essenciais do Plano Diretor, aprovamos novo Código de Obras para simplificar aprovação de projetos. São ações que vão fazer a diferença em 2018. Temos a vinda de duas faculdades de Medicina, marco na história, com a chancela da USP em uma, a vinda da AS Tietê que vai gerar 700 empregos em alta tecnologia e em energia (eólica) e por ser biólogo comemoro. Conseguimos ajustar em parte a engrenagem interna e criar projeto para vetor habitacional, com 5.500 moradias novas, e dar o start para nova área industrial, com pedido de 6,6 milhões de m2 junto ao Estado.

JC - O que faltou?

Gazzetta - A cidade ainda está com distanciamento entre seus grupos, meios, segmentos. A Prefeitura tem de ser o indutor. E faltou. E isso acomodou as pessoas em seus cantos, sem coparticipação no desenvolvimento. Mudou acesso a APAs, vamos fazer o Plano de Manejo, o Código de Obras é novo, a classificação de Zics entra na Câmara, apontamos eixo para moradias (Leste) e industrial (Norte). Os segmentos começam a participar desse novo momento que estamos criando. A revisão do Plano Diretor começa agora, o zoneamento e o perímetro vão a audiências públicas logo em janeiro, vamos discutir concessões. O bauruense tem de participar. A Prefeitura vai mostrar a proposta de desenvolvimento para médio e longo prazo. E os bauruenses precisam se engajar nesse processo. Serão três anos para que o lema "Bauru em movimento" deslanche agora.

JC - Seu time de secretários, com muitos novos, demorou mais para entender o jogo. Alguns rendem menos, outros mais. Você está satisfeito com seu time?

Gazzetta - A maior parte do secretário tem viés técnico e faltava o viés político. Alguns ainda falta, mas foi e é uma maturação esperada. Estamos tentando lapidar um a um. Agora é cobrar as expectativas que o prefeito tem e a sociedade tem. Temos problemas estruturais a resolver. A partir de 2018 tenho um cronograma de ações prioritárias e agora vamos atrás das respostas com cada um. Eles fizeram o que puderam em um ano difícil. As coisas agora estão arrumadas. Estou satisfeito com o time e não há trocas, até porque nesse momento é que a equipe está preparada para implementar as prioridades a partir de 2018. Vamos cobrar as ações efetivas. Se for necessário fazer ajuste, não tenho nenhum problema em fazer.

JC - Há ações estruturais a fazer, a revisão do PCCS, a reorganização administrativa, etc... Você vai enfrentar isso?

Gazzetta - Fizemos diagnóstico de disso tudo. E estamos corrigindo alguns pontos, como nas licitações, onde já melhorou muito do que era. Compra de medicamentos é um problema grave, o controle não tinha, era tudo feito na mão, o planejamento vai por terra. Já o Plano de Cargos (PPCS) não há equipe no governo capaz de dar diagnóstico amplo. Vamos contratar consultoria especializada para esse raio X, em janeiro, no quadro funcional e na lei e para que sejam apontadas as medidas a serem tomadas. Vamos corrigir isso. Vamos resolver o problema de controle, em estoque, em processos. E me incomoda também os buracos nas ruas, o tempo e qualidade do serviço, o material que usamos e o resserviço. Vamos ver se a Prefeitura consegue fazer isso bem, ou se é a iniciativa privada. Não tenho dificuldade de enfrentar essas ações.

JC - Houve ruídos e tropeços em estratégia, articulação e comunicação política. Você concorda?

Gazzetta - Concordo em tese. Nosso governo foi um dos que mais discutiu política e há grupos internos que discutem ações. Eu ouço outras pessoas, inclusive de fora do governo, para decisões mais duradouras e de porte. A relação com o Legislativo é que preciso adequar. Temos um diálogo franco que às vezes funcionou e às vezes não. Na comunicação temos dificuldade. Temos uma assessoria que produz muito, abastece. Mas precisamos adequar com a população.

JC - Guardei o símbolo da marreta para derrubar o Pronto-Socorro. Sorte que não usaram, mas há receio em assumir e custear um hospital e já há vários problemas na Atenção Básica de Saúde.

Gazzetta - A marreta foi uma simbologia que não condiz com meu perfil. Foi um momento. Mas não tive e não tenho dificuldade em mudar de opinião. O JC mostrou que não dava para derrubar o PS. Mas fizemos pediatria descentralizada e isso melhorou muito o atendimento das crianças, e o protocolo do AVC é um avanço e reduziu número de mortes. Já assumir o Hospital de Base é uma escolha. Queremos reduzir número de mortes por espera por internação. Tivemos a coragem de enfrentar esse desafio, em parceria com o Estado. E ganhamos a Faculdade de Medicina da USP e temos o curso da Uninove. Nosso estudo garante que vamos ter os recursos para aportar R$ 2 milhões/mês no Base. E não vamos precisar fazer nem ajustes, porque vamos credenciar o hospital como unidade-escola, aumentando repasse e temos receita nova no ISS do cartão de crédito. Isso está garantido. E se precisar temos estudo para economizar R$ 20 milhões no ano do que fazemos hoje em Saúde. Mas não vou precisar usar isso agora. E o Estado vai ser gestor parceiro, repassando recursos para os serviços que ele vai manter no Base.

JC - Saúde é cobertor curto. E fica necessidade com saúde de prevenção e resolver demandas da Atenção Básica, este sim papel do município, e custear hospital de porta aberta?

Gazzetta - Vimos a possibilidade de ter novos leitos na cidade. Não são só os 180 leitos do Base, mas os 200 leitos do Hospital das Clínicas. Ai sim, o hospital municipal será 90% para atender nossa demanda. É uma decisão corajosa sim e estamos entrando com a certeza de que o jogo vai ser ganho. E temos um projeto para a Atenção Básica. E também passa pela aprovação da lei da OS pela Câmara em 10 de janeiro próximo. Porque permite remanejar funcionários com entidades no sistema.

JC - O que você quer com a Organização Social e a Fundação?

Gazzetta - Ás vezes, é mais caro fazer pelo serviço público. OS é parceiro privado para prestar serviços e não só na saúde. Servidor público tem competência. Mas às vezes você precisa contratar muito mais servidores para desempenhar aquela função. É repensar estruturas de serviços na Secretaria de Saúde. E para assumir hospital tem de ser por OS. Não tem jeito com lei atual. Queremos melhorar o serviço e romper tabu, porque não é terceirizar. E a Fundação é outra ferramenta para optar por serviços. Tem corrente que acha que a fundação pode ser qualificada como OS. Claro que tem corrente que acha discutível isso. Estamos avaliando. Mas queremos essas ferramentas na mão para decidir. Depois a fundação pode até Bauru sair dela. Hoje ela é fundamental para contratar, como na pediatria e nas UPAs.

JC - Se órgão municipal pudesse ser OS, acabaria com a Emdurb? O que ela será com lixo terceirizado? Uma agência?

Gazzetta - Ela é uma prestadora de serviços e vamos decidir se Emdurb continua assim, se vira autarquia, se pode ser agência com outras finalidades, fiscalizar serviços e realizar alguns como sistema viário e transportes. Mas ela terá outra definição. A Emdurb vai assumir a limpeza de praças, grandes avenidas em 2018. Com o estudo da Caixa Federal, pelo programa do Ministério do Planejamento para resíduos e contratação de empresa para o tratamento do lixo, coleta, e o que o estudo apontar, a Emdurb terá outro papel. Vai ser passado para a terceirizada. O modelo base é o de Piracicaba ajustado.

JC - Sem cobrar nova receita fixa para lixo e com pacote com varrição, poda, aterro, adubo da ETE, coleta e destino final, é difícil atrair o setor privado?

Gazzetta - O estudo da Caixa vai apontar o que tem de ser seguido. O IPTU hoje já tem valor compatível com cada serviço prestado pela Prefeitura. Um deles é destinação e tratamento do lixo. Nossa ideia é não onerar mais as pessoas. É sair do IPTU esse valor e isso ser tarifa. O prazo do estudo é 12 meses. Espero antecipar, mas o modelo vou discutir antes com Câmara e sociedade. A definição do sistema para o lixo será feita pela cidade. O que está decidido é a nova lei da CIP, recompor o valor da receita, e lançar em março licitação para concessão para iluminação pública. Vai mudar a cara da cidade, com LED no parque de iluminação e redução na conta de consumo. E queremos que essa redução na conta reverta em abatimento na conta das pessoas depois. Mas já vou enviar à Câmara a mudança da CIP logo no começo do ano. A iluminação vai mudar a cara da cidade em segurança e urbanismo.