| Fotos: Malavolta Jr. |
| Faixa foi colocada por morador de casa localizada na quadra 7 da avenida Duque de Caxias |
| Mensagem provocou reflexão em Ronaldo Macedo, 34 anos |
Quantas vezes no seu dia você parou para agradecer, seja pelo simples fato de viver, por causa de favores, por ter ou não ter algo, ou mesmo ainda por ser ou deixar de ser alguma coisa? Estas são as perguntas que um jovem de 35 anos quis provocar em pedestres e motoristas ao colocar uma faixa na frente da casa onde mora, em plena quadra 7 da avenida Duque de Caxias, região Central de Bauru, com a mensagem: "Agradeça Mais".
Instalada na última quarta-feira (3), a faixa, mais visível no sentido Duque-Nações Unidas, tem chamado a atenção de algumas pessoas que passam por ali. E, pelo que tudo indica, tem cumprido a missão proposta.
"A gente realmente costuma reclamar muito da vida, ao invés de agradecer o que tem. Gostei. Fica a dica para todos em 2018", comentou Ronaldo Macedo, de 34 anos, que caminhava pela Duque de Caxias por volta das 17h dessa quinta-feira (4) e notou a inscrição.
Horas antes, a iniciativa havia rendido ainda relato com tom artístico do jornalista Gabriel Duarte, de 28 anos, que publicou um texto sobre o fato em sua página do Facebook.
"Esta casa fica na Duque de Caxias. Nunca entrei nela. Antes, com frequência, via gente na varanda festejando, bebendo e ouvindo música. Hoje, começo de ano, ela, sem festa, segurava esta faixa - como que mostrando aos que passam em rodas e passos apressados. E, se olhar procura o sol, que nasce no céu azul de janeiro, o recado está dado. Torço para que este ritual se repita, se multiplique, em casas, bichos e gentes", diz trecho do texto.
'MELHOR FICA'
Em entrevista ao JC, o morador do local Eduardo Dubowski contou que a casa, de fato, era uma república de jovens e que abrigava confraternizações frequentes. Mas que, atualmente, a residência é dividida por ele e por outro amigo apenas.
Desempregado e vivendo problemas particulares, ele tem buscado meios para dar a volta por cima da desilusão. Por isso, acabou colocando em prática a ideia da faixa com apoio de uma amiga. "Percebo que, quanto maior a cidade, menos agradecida as pessoas são. Faz tempo que eu queria fazer isso, e a Isabel Pedro ajudou a concretizar, pagando a faixa", cita o morador, que é natural de Salto Grande.
"Se chove, as pessoas reclamam; se faz sol, também. Acontece que, quanto mais você agradece, melhor pode ficar sua vida. Bom, pelo menos não vai piorar", defende Eduardo, contando que se mantém, atualmente, com R$ 30,00 por dia, oriundos da ajuda em um trailer de lanches. Rotina que ele diz dividir ainda com os cursos de barbeiro e radialista.
"Mesmo na 'pindaíba', agradeço sempre. E sei que uma hora a vida vai melhorar. Para isso, tenho até rezado o terço todos os dias", finaliza.