08 de julho de 2026
Nacional

Polêmico limite para a arte é o tema da redação da Fuvest

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Devem existir limites para a arte? Cerca de 20 mil candidatos tiveram de responder a esta pergunta na redação da Fuvest, cuja segunda fase começou ontem. No enunciado, a prova citou as recentes polêmicas que envolveram exposições de artes visuais no País. A proposta surpreendeu professores de cursinhos, que afirmam ser menos comum a Fuvest, porta de entrada para a Universidade de São Paulo (USP), tratar de assuntos mais atuais.

Entre os casos citados pelo exame, estava o da exposição Queermuseu - Cartografias da Diferença da Arte Brasileira. A mostra foi fechada em 2017 pelo Santander Cultural de Porto Alegre após acusações de que o trabalho incentivava a pedofilia, a zoofilia e a blasfêmia.

Estudantes aprovaram o tema. "O fato de ter sido debatido no ano passado favoreceu a gente. Citei o caso do Queermuseu", conta Pedro Azevedo, 18 anos, candidato de Arquitetura. "Foi mais fácil do que eu esperava."

"A arte não deveria ter limites, mesmo se ferir valores de determinados grupos, mas precisa seguir a legislação", defende João Negasti, 25 anos, que usou o argumento em seu texto. "No momento que transgride o que é lei ou norma, a arte não deveria ser tolerada."

O ex-estudante de Economia Pedro Ramos, 20 anos, escreveu que a arte não deve ter limitação. "Afinal, esses temas polêmicos refletem a realidade. Se não for assim, a realidade fica escondida, debaixo do tapete", argumentou ele, que agora pretende cursar Engenharia Mecânica.

"Nos anos anteriores a Fuvest vinha propondo temas abstratos, universais e filosóficos", observa a professora Maria Aparecida Custódio, responsável pelo laboratório de Redação do Objetivo. Na edição anterior do vestibular, por exemplo, o tema foi "O homem pode sair da menoridade", que envolvia conceito do filósofo Immanuel Kant.

"A Fuvest, diferentemente do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), não tem o costume de abordar questões atuais", lembra Carlos Caos, professor. Os candidatos, segundo ele, podem ter se prejudicado por cair "em um lugar comum" na hora de escrever os textos.