09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Material escolar "cai na real" e tem até queda de preço

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Ana Beatriz Garcia
Nilo Sérgio Alves Junior mostra mochilas que sofreram queda de preço
Valmir Aucelli aponta redução em preço de alguns itens: “Teve até queda em torno de 20%”

A difícil travessia econômica de 2016 e 2017 ensinou uma lição aos pais sobre a compra do material escolar: é preciso levar a sério o planejamento a partir da lista fornecida pelas escolas, ainda em outubro, e se organizar para fazer a melhor compra.

Fabricantes e lojistas também tiveram o que aprender com o aperto financeiro geral dos últimos meses. Em 2018, as majorações são mais tímidas, apenas para acompanhar correção de impacto inflacionário, na ordem de 5% a 8%, segundo os comerciantes.

"Não adianta assustar o consumidor", pondera Nilo Sérgio Alves Junior, gerente em uma papelaria no Altos da Cidade. "Pelo momento econômico que passamos, nenhum ramo vai conseguir melhorar vendas, agora em 2018, aumentando preços. É o nosso caso também".

Proprietário de outra rede do setor no Centro da cidade, Valmir Aucielli, vai além. "Alguns produtos que subiram muito para a volta às aulas do ano passado, tiveram queda de preço. A mochila, por exemplo, teve uma queda em torno de 20% nas fábricas, se comparada com o ano passado", afirma. "O que não baixou está com preço estável em relação ao ano passado e retrasado, apenas com correção necessária de perda inflacionária", completa.

Outros produtos como cadernos e agendas também são apontados como mercadorias de valor mais baixo. "Este caderno, por exemplo, estava sendo vendido a R$ 25 e passou a custar R$ 11,99. A agenda também teve queda de preço. Mochilas de antigas e novas coleções também estão com um preço mais em conta", afirma Valmir enquanto, aponta os itens que podem dar alívio para o bolso.

MAIS BARATO

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Sabrina Colomera e a filha Maria Eduarda escolhem uma mochila para o novo ano letivo

Com o olhar atento, em meio a diversas opções, Maria Eduarda Colomera Ferreira, de 11 anos, procurava pela "mochila perfeita", em uma papelaria no Centro. "Quero uma jeans com desenho de unicórnio". Enquanto isso, a mãe, Sabrina Colomera, de 35 anos, estava de olho em outro detalhe. "Achei que os preços estão um pouco mais baixos. No ano passado, estava bem salgado", comenta.

Mãe e filha começaram a fazer o orçamento do material já em dezembro e, antes disso, tiraram da lista todos os artigos que poderiam ser reaproveitados. Essa, inclusive, é uma das orientações Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) (confira mais dicas no quadro no final).

LOGÍSTICA

A mudança de postura dos pais, em relação aos gastos, foi outro item nessa conta que chamou a atenção dos lojistas. "Sentimos uma mudança de comportamento que é o avanço considerável de pais mobilizados para fazer compras de forma mais organizada, fora daquele sufoco dos anos anteriores", comenta Nilo.

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Dayana Nataly Simões Machado faz orçamento com os filhos Igor e Maria Julia Machado

Tal logística já fez Dayana Nataly Simões Machado, de 32 anos, economizar bastante em anos anteriores. "No ano passado, a minha cotação mais alta ficou em mais de R$ 500 e a que eu comprei foi a de R$ 380. Economizei mais de R$ 100".

Acompanhada dos dois filhos, Maria Julia e Igor, de 8 e 5 anos, Dayana passava entre as prateleiras da papelaria no Altos da Cidade com prancheta e caneta na mão. "Eu imprimo três cópias da lista e faço o orçamento comparando as papelarias. Tenho dois filhos e essa organização faz toda diferença. Não adianta comprar na emoção", ensina.

ESCOLHA

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Fernanda Pereira Santilio e a filha Marina Santilio Maschio de olho na variedade de cadernos

Na mesma loja, Fernanda Pereira Santilio, de 37 anos, experimentava a 'emoção' de escolher os artigos da lista de materiais junto da filha, Marina Santilio Maschio, de 8 anos. "A gente tenta ver o que ela gosta, mas o que decide é o preço", comenta.

Mesmo assim, a garotinha se diverte vendo os cadernos de diversos personagens e lápis de variadas cores a serem escolhidos. "Eu gosto de vir junto com a minha mãe para comprar meus cadernos. Gosto da capa de gatinho e de coruja, mas vou levar o de unicórnio também", revela a pequena.

Aprender

A educadora financeira Yone Costa, afiliada à Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), destaca que este momento de compras pode ser uma oportunidade para as crianças aprenderem mais a poupar e gastar bem. "É importante que os pais se envolvam e, mesmo com a falta de tempo, não deleguem. Alguns evitam de levar as crianças, mas é interessante que elas participem desse momento e aprendam a dar valor à economia e ao gasto saudável do dinheiro", afirma.

Yone ainda recomenda que os pais pesquisem e planejem os gastos com antecedência para que não se "enrolem" com os gastos do início do ano. "Já comecem a programar a compra do ano que vem deixando uma reserva para esse período", conclui.