08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O senhor das moscas

Juliano Schiavo
| Tempo de leitura: 2 min

Esses dias, li "O Senhor das Moscas", de William Golding. O livro traz a história de garotos presos em uma ilha deserta após a queda de um avião. Um deles, Ralph, é escolhido por unanimidade para liderar o grupo e, com isso, tentar trazer alguma ordem em meio ao caos. Ralph tem um espírito democrático: é aberto, escuta as pessoas, busca ser o mais justo possível em meio às adversidades.

Outro garoto é Porquinho, uma criança muito metódica, que analisa a situação e fala o que muitos não têm coragem de dizer. Ele traz fatos que ninguém quer encarar e, por isso, incomoda. Ralph, sempre que possível, o escuta. Por ter espírito democrático e por entender que há posições que devem ser tomadas. Porquinho é como se fosse a ciência, a razão. Ele pensa e analisa o que é viável e o que é possível - e por isso incomoda, pois não há soluções mágicas.

E para contrabalancear a história, há Jack: um garoto que quer ascender ao poder pela imposição da força, apenas pela necessidade de mandar e fazer o que bem entender. Tem posições demagógicas, frias, desumanas. Jack traz soluções mágicas para situações que não têm solução. Sabe articular seus seguidores pelo ódio que espalha e pelo medo que cria. Jamais ouve Porquinho, o garoto que traz fatos. Tem ódio de Ralph, a criança que luta, inclusive, pelas minorias, não buscando privilégios a estes, mas equidade.

Ao terminar de ler o livro, tracei um paralelo de tudo o que tem acontecido no Brasil e senti muito receio pelo que está por vir em 2018. Tenho medo de um líder emergir pelo ódio. Tenho medo, sim, por saber que muitas atrocidades são cometidas pelo silêncio e cumplicidade da maioria. Se você busca o bem, como optar por aqueles que não respeitam o outro? Tenho pena de quem não enxerga o mal que cultiva. Falta esclarecimento.