| Fotos: Divulgação |
| Espaço usado para reabilitação de crianças está sob risco |
| Douglas Reis |
| Erosão tem aproximadamente 100 metros de extensão e 8 metros de profundidade |
A direção da Sorri Bauru se mobilizou para expor uma situação que vem preocupando há cerca de seis anos: uma erosão que teria começado no terreno da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e avançado para área onde está instalado o Centro de Reabilitação da instituição.
Segundo o presidente da entidade, João Carlos de Almeida, o João Bidu, a Ceagesp já teria sido notificada várias vezes e, agora, o Departamento Jurídico da Sorri prepara uma ação judicial, que deve ser ingressada na Justiça nas próximas semanas.
Segundo Almeida, a instituição conseguiu, no ano passado, que o serviço fosse realizado sem custo algum pela empreiteira responsável pelas obras das marginais da rodovia Marechal Rondon, mas o trabalho não chegou a ser iniciado porque a Ceagesp "enrolou" para autorizar a entrada da equipe na companhia.
"Eles foram devidamente notificados, mas demoraram seis meses para conceder a autorização, aí a empresa já havia ido embora de Bauru. A Ceagesp já enviou equipe de São Paulo para avaliar a área, sempre com promessa de resolução, mas nada foi feito até o momento. Vamos, então, acionar a Justiça e pedir auxílio da prefeitura ou de empresários", pontua.
RISCOS
A última conversa sobre o problema foi feita através do deputado federal Ricardo Izar Jr. (PP) com a direção da Ceagesp, há cerca de um mês, com a presença do vereador Fábio Manfrinato (PP). "Depois disso, não conseguimos mais contato com o diretor José Antônio Marise", destaca um dos conselheiros da Sorri, Brito Júnior.
A erosão, com cerca de 100 metros de extensão e oito de profundidade, está invadindo terreno da entidade. Por conta disso, um prédio usado para reabilitação de crianças está sob risco. "Se o desgaste avançar ainda mais, o atendimento de cerca de 950 crianças vai ficar comprometido", observa a diretora executiva da Sorri, Maria Elisabete Nardi.
Ela critica que a Ceagesp não construiu muro de arrimo quando foi feita a divisão dos terrenos. Ressalta ainda que a Sorri já possui projeto pronto para executar a obra. "Para realizar o serviço é necessário maquinário, terra, construir canaletas e colocar grama", detalha, complementando que a erosão já estaria, inclusive, avançando para a calçada da avenida Nações Unidas.
OUTRO LADO
Gerente-geral da Ceagesp em Bauru, José Antonio Marise declara que o terreno da Sorri fica em uma posição mais elevada em relação ao da Ceagesp. Portanto, ressalta que o problema da erosão teria se agravado quando a entidade construiu o prédio utilizado para a reabilitação das crianças.
"Houve uma impermeabilização que canalizou a água pluvial. Os nossos engenheiros dizem que o problema começou por causa disso e teve origem no terreno da Sorri. Entretanto, nós estamos disponíveis para conversar e tentar encontrar uma saída", frisa o gerente.
Sobre a demora em autorizar a entrada de empresa para realizar o serviço gratuitamente, Marise diz que a permissão se deu antes dos seis meses declarados pela diretoria da Sorri.
"Demorou um tempo, de fato, mas é porque tivemos que encaminhar o pedido para o departamento de engenharia da Ceagesp e depois para o setor jurídico. São trâmites burocráticos necessários", finaliza José Antonio Marise.