| Guido Dotto Júnior |
| Pick-up Ranger teve o teto, o parabrisa e o vidro do lado direito destruídos |
| Vento derrubou uma árvore na quadra 18 da avenida Getúlio Vargas |
| Malavolta Jr. |
| Nações teve pequenos pontos de alagamento nessa quinta (11); previsão é de que chuvas continuem |
Enquanto, em um lado da cidade, o sol e o tempo firme garantiam tranquilidade aos moradores de Bauru, em outro, a chuva, acompanhada de ventos fortes e até granizo, deixou muitas pessoas assustadas. Segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), chuvas de maior intensidade foram detectadas em três regiões isoladas do município. Temporais também causaram estragos na região e em outras partes do País.
Em Bauru, mais de 7 mil imóveis ficaram sem energia, mas não houve registro de danos em maior escala, desabrigados ou feridos. Na Getúlio Vargas, três arvores pau-ferro foram arrancadas e parte do calçamento na altura da quadra 16 foi destruída por rajadas de vento, que atingiram picos de 63,1 quilômetros por hora, velocidade em que pedestres já enfrentam dificuldades para caminhar, segundo a Escala de Beaufort.
Duas das árvores que caíram danificaram uma pick-up Ranger e um Ford Edge que estavam estacionados, conforme relata o segurança Guido Dotto Júnior, que passava pelo local e registrou a cena. "As pessoas ficaram assustadas e algumas correram para tirar os carros que estavam debaixo das demais árvores", detalha.
Dono da Ranger, o comerciante Wilson Gonçalves, 75 anos, não teve tempo para evitar o prejuízo. Ele conta que havia estacionado o veículo há cerca de 15 minutos no local, que fica em frente à sua loja de estofados, quando a forte chuva teve início.
"Quando fui fechar a porta da loja para evitar que entrasse água, vi o que tinha acontecido. Acabou com o teto do carro e quebrou o parabrisa e o vidro do lado direito. Não tenho nem ideia do quanto vai ficar para consertar", lamenta ele, que não tinha seguro da pick-up.
Em razão da ventania, outras duas árvores da mesma espécie ficaram com raízes expostas e, comprometidas, também terão de ser retiradas. Na avenida Odilon Braga, ainda na Vila Aviação, e dentro do Residencial Tavano, no Jardim Colonial, duas árvores também não resistiram à força dos ventos.
QUEDA DE ENERGIA
Chuvas intensas, acompanhadas de granizo, foram registradas em outros pontos da zona sul, como a Vila Universitária, e também na região da Unesp - incluindo o Jardim Colonial e Jardim Contorno. O terceiro foco ficou concentrado nas imediações da Vila Independência e Vila Falcão.
"Não tivemos, por exemplo, chuvas importantes na região do Núcleo Mary Dota", observa o meteorologista José Carlos Figueiredo, do IPMet. As precipitações tiveram início às 14h20 e acumularam, até o fechamento desta edição, 41,2 milímetros.
Apesar do volume considerável, houve registro apenas de pontos de alagamento em alguns locais tradicionais, como a quadra 1 da avenida Alfredo Maia, avenida Nações Unidas e a Praça Primaz Chujiro Otake, mais conhecida como "Rotatória do Relógio de Sol", na Vila Independência. Nas avenidas Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Cruzeiro do Sul, semáforos ficaram temporariamente apagados devido à queda de energia.
Na região central, segundo a Emdurb, dois módulos de potência que mantêm o sistema semafórico de vários cruzamentos queimaram em razão de descargas elétricas e precisaram ser substituídos. Ao todo, 7.346 imóveis tiveram o fornecimento de energia interrompido, de acordo com a CPFL. Por volta das 16h, contudo, o abastecimento já havia sido quase completamente normalizado.
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Substituições na Getúlio
Técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) vistoriaram, ainda nessa quinta-feira (11), as árvores da espécie pau-ferro que caíram na avenida Getúlio Vargas. Eles constataram que todas estavam saudáveis e cederam devido à força dos ventos que atingiram a região.
"Em setembro passado, já havíamos feito a avaliação preventiva de todas as árvores da Getúlio Vargas e as que estavam comprometidas foram substituídas por ipês", acrescenta a titular da Semma, Mayra Fernandes.
As rajadas derrubaram três árvores e comprometeram mais duas, que também serão retiradas para evitar o risco de queda. Os técnicos recomendaram, ainda, a substituição das outras duas árvores pau-ferro remanescentes, que se mantiveram intactas, por espécies mais resistentes.
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Chuvas foram causadas por 3 nuvens gigantes
Nuvem que aterroriza até mesmo pilotos de aviões, a cúmulo-nimbo (ou, em latim, cumulonimbus) é a responsável pelo fenômeno que deixou parte de Bauru submetida a ventos e chuvas fortes, enquanto, em outras regiões, nem uma gota sequer foi avistada. Segundo o meteorologista do IPMet José Carlos Figueiredo, estas grandes nuvens de tempestade são típicas desta época do ano e, nessa quinta-feira (11), chegaram a 17 quilômetros de altura, da base ao topo, em algumas regiões do Estado.
"Elas registram movimentos verticais muito acentuados - processo alimentado pelo calor e umidade - e se formam e se dissipam isoladamente em uma área, ou seja, elas são setorizadas e não se deslocam. Por isso, em algumas regiões de uma mesma cidade, pode não chover", detalha.
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Previsão
Devido à presença de áreas de baixa pressão atuantes no Estado, o tempo permanecerá instável em Bauru pelo menos até terça-feira. Segundo o IPMet, neste período, novas chuvas de intensidade moderada a forte, de curta duração, com ventos fortes e descargas elétricas, podem ocorrer na cidade, principalmente no período da tarde ou noite.
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Prefeitura faz ultrassom em espécies na zona sul
| Divulgação |
| Exames mostram se a árvore oferece risco de queda ou não |
Exatamente no dia em que a queda de árvores causou danos e sustos, uma ação desenvolvida pelas secretarias de Obras e Meio Ambiente e pela Emdurb fez ultrassom de duas árvores da espécie timburi, localizadas nas quadras 1 e 4 da av. Nossa Senhora de Fátima. O objetivo foi verificar as condições fitossanitárias dos exemplares, para que intervenções possam ser feitas na avenida, já que as raízes estão provocando ondulações no asfalto e riscos aos motoristas.
Se o resultado dos exames confirmarem que as árvores estão saudáveis, elas serão preservadas, com a devida ampliação do canteiro central e proibição de estacionamento. "São árvores muito grandes, antigas, que trazem um sombreamento muito importante", explica a titular da Semma, Mayra Fernandes.
O trabalho, realizado por uma empresa de Piracicaba, foi acompanhado por ela e pelo secretário de Obras, Ricardo Olivatto, além do vereador José Roberto Segalla e técnicos da Semma. O exame, que custou R$ 500,00 por árvore, consistiu na fixação de sensores no entorno do tronco, onde são aplicadas marteladas para produzir vibrações no interior e raízes. Dependendo dos sons, é possível detectar se a espécie pode ceder.
| Cecília Ferreira/WhatsApp |
| No Residencial Tavano, no Jd Colonial, uma árvore também não resistiu à força dos ventos |
Veja mais fotos das chuvas dessa quinta (11) e, também, o vídeo: