08 de julho de 2026
Geral

DAE tem tubos para adutora desde 2013

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução
240 metros de tubulação adquiridos pelo DAE para substituição da adutora estão estocados ao ar livre

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) confirmou, nessa quinta-feira (11), que parte da tubulação da mesma adutora que voltou a se romper domingo, deixando milhares de residências sem água, já tinha sido adquirida. O material, entretanto, está exposto, ao ar livre há mais de três anos, sem uso. O presidente da autarquia, Eric Fabris, disse nessa quinta que tomou conhecimento da compra de parte dos tubos nesta semana, após o rompimento de mais um ponto do trecho que interliga a lagoa de captação, no rio Batalha, até a Estação de Tratamento de Água (ETA).      

A aquisição de 240 metros da adutora de fibra de vidro aconteceu em 2013, ano em que o trecho estou três vezes. A repetição das ocorrências no sistema que responde por pelo menos 35% do abastecimento da cidade, por água de superfície, levou o DAE, na época, a abrir processo para a compra dos tubos. Nessa quinta (11), a presidência do DAE foi indagada sobre a informação que circula entre servidores, inclusive no Facebook, de que os tubos permanecem sem uso até hoje.   

"Após o rompimento da adutora de fibra de vidro, que conduz água bruta da captação até a Estação de Tratamento de Água (ETA), ocorrido no último domingo, verificou-se que o DAE havia adquirido, em janeiro de 2013 novos tubos para substituir um trecho de 240 metros dessa adutora do sistema Batalha/ETA, que havia se rompido três vezes naquele inicio de ano. Além dos 240 metros de tubo fundido dúctil foram adquiridos três curvas de 45 graus e duas juntas Gibault, num investimento total de R$ 170.925,92", confirma o DAE.

O presidente do DAE, Eric Fabris, disse que só ficou sabendo agora da existência destes materiais. Segundo ele, os materiais estavam guardados na área do Centro de Manutenção da autarquia, expostos a sol e chuva. Fabris disse que será feita "reavaliação técnica desses materiais para saber se estão em condições de uso, principalmente as juntas, que são de borracha e podem estar ressecadas". Após, será decidido pelo uso dos materiais. 

Fabris disse também que não pretende questionar a decisão administrativa da administração anterior ao não implantar os materiais adquiridos. Segundo ele, caso tenha havido prejuízo à autarquia pela má conservação dos materiais, será aberta sindicância para apurar responsabilidades.

PROCESSO

Na época das três ocorrências de rompimento da mesma tubulação que estourou no último domingo, o DAE também abriu processo interno para elaboração de cotação e posterior projeto para substituição de todo o trecho. A estimativa era de que eram necessários adquirir tubos para cerca de 1.250 metros de extensão. São duas adutoras, instaladas quase em paralelo, que vão da lagoa até a ETA.   

O rompimento, no domingo passado, foi na adutora de fibra de vidro com diâmetro de 24 polegadas. De acordo com a autarquia, a ruptura foi provocada por subpressão na adutora, após uma parada brusca das bombas, em consequência de um pico de energia. Na divulgação pública, via Facebook, sobre a ocorrência é levantada possibilidade de erro operacional no sistema.

Uma das abordagens é de que o sistema é composto por válvulas de proteção com o objetivo de impedir a alegada subpressão na tubulação. Manutenção inadequada das válvulas de proteção e manobras em desacordo com o protocolo operacional estão entre as situações que teriam concorrido para a nova ocorrência. 

A repetição de rompimentos em adutoras, tanto no trecho que leva água bruta até a ETA quanto da estação até o reservatório da Praça Portugal, deixa vulnerável o abastecimento relativo a 140 mil habitantes, com alcance sobre bairros como Jardim Ouro Verde, Jardim Ferraz, Granja Cecília, Jardim América, Jardim Estoril, Altos da Cidade, Centro, Vila Falcão entre outros.