08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Alvo fácil

Rafaela Rosa, jornalista
| Tempo de leitura: 2 min

Todos vocês já foram vítimas de diversos crimes. Na maioria dos casos, o bandido não estava armado. Quantas vezes roubaram seus sonhos e tentaram destruir o que você tinha de mais bonito? Lembra daquelas situações que fizeram você acreditar que não possuía qualidades suficientes para determinadas coisas ou quando tentaram encaixar você em uma forma que servia para qualquer um? Dizem que a vítima é o alvo fácil. O tipo mais simples de ser destruído ou fazer com que a sociedade acredite que o louco da história é quem foi ferido, não quem feriu.

Recentemente, fui vítima de assalto. Senti o calibre 38 na minha cabeça e ouvi gritos do bandido que iria atirar se eu não entregasse o celular. Naquele instante, não tive força para abrir a boca. Em pensamento, pedia para Deus não deixar ele me ferir, abaixei a cabeça e entreguei o celular. Ele continuou segurando a arma na minha cabeça em tom de superioridade. Queria mostrar que quem mandava era ele. Ô, moço... Se você soubesse o quanto já apanhei desta vida e quantas vezes minha mãe pediu para eu engolir o choro e não demonstrar fraqueza. Quantas vezes fui intitulada de "bipolar" e "trouxa". Eu tinha um ímã desde os tempos da escola que fazia com que os coleguinhas tirassem sarro de mim. "Vamos magoar a Rafa, ela chora fácil. Se ela reclamar, a gente fala que a culpa é dela."

Sabe, leitor, cresci ouvindo que a culpa era minha, em todas as situações. Eu que via coisa onde não existia, disseram muitas vezes que ser alegre fazia com que as pessoas não me respeitassem. Que a culpa de ser assaltada foi minha. Afinal, por que eu estava na rua 6h50 da manhã? Porque estava indo trabalhar! Por que ando olhando para o chão? Para saber por onde piso e não tropeçar. Fui proibida de chorar ou fazer drama: "Isso acontece com todo mundo". Na delegacia, ouvi que sou apenas mais um número. Alguns amigos afirmaram que outras pessoas passaram coisa bem pior.

Caminho pelas ruas sentindo muito medo e acho que todo mundo é bandido. Descobri que é mais fácil ser acusada de alvo fácil do que admitir que o bandido é um covarde. Não acredito na justiça dos homens, mas sinto que a sabedoria do universo irá colocar tudo em ordem. Já me roubaram tantas vezes, passei por tantas destruições, e estou aqui: firme, forte e seguindo em frente, como se meu coração estivesse intacto. Engoli o choro e fingi ser durona. Sinceramente, será verdade que o destruído é o alvo fácil? Leitor, muitos tentarão fazer você se esquecer de quem realmente é. Mas saiba que todas as respostas estão dentro de você. Entre ser aquele que bate e o que apanhe, escolha a segunda opção. Lembre-se: "Quem semear vento colherá tempestade".