Almir Sater, na sua composição "Seguindo em frente" diz que "... cada um compõe a sua história...". Maurício escreveu sua história de forma pulsante e com reconhecimento daqueles que conviveram com ele. Em reuniões de trabalho, as vezes subia o tom e parecia rude como um caboclo da roça, mas em seguida se desculpava como um lorde inglês pela sinceridade.
Era um conselheiro assíduo nas reuniões do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Bauru(CMDR), onde compartilhava toda sua experiência e cultura, enriquecendo aqueles encontros. Sua visão política, social e seu conhecimento do segmento rural era sempre um privilégio para os participantes. Era o primeiro semestre do ano de 2009, quando a região de Bauru foi alvo de vários assaltos a mão armada nas fazendas, com roubo de gado, totalizando cerca de 500 cabeças de gado gordo. Em reunião no CMDR para discutir o problema, partiu do Maurício a ideia de editar um Manual de
Segurança Rural, primeiro passo para conscientizar os proprietários rurais do que cada um poderia fazer para sua própria prevenção. Disponibilizou um telefone celular para que a polícia militar pudesse receber ligações, e dessa forma atender prontamente uma necessidade. Tempos recentes enveredou pelo terreno da filosofia, brindando os leitores da Tribuna do Leitor do JC, com questionamentos da realidade atual, sempre iniciados com a indagação Por quê?.
Ali, desfilava sua inteligência e cultura acumulada. Católico de fé e devoto de Nossa Senhora Aparecida, era seguidor do padre Beto na Igreja de Santo Antônio, até que a excomunhão ceifou-o. Assim era Maurício, acessível a todos, humilde, amigo, conselheiro, solidário, apaixonado, vibrante, dedicado, sincero. A família ruralista perdeu um de seus membros mais expressivos e Bauru seu filho proeminente. Seu exemplo serve de inspiração para todos nós.