11 de julho de 2026
Geral

Sinserm decide acionar MP por falta de remédios e materiais na rede de saúde

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Sinserm/Divulgação
Lista no mural da enfermagem do PAI, de 15 de dezembro de 2017, indica vários itens em falta
Medicamentos como Buscopan e Tramal estão em falta nas unidades de urgência e emergência
Sindicato denuncia que paciente usava coberta levada de casa para se proteger em maca na UPA do Bela Vista, nesta semana
Além da falta de itens, sindicato critica estrutura precária, como a situação das cadeiras em que os pacientes tomam soro, na UPA do Bela Vista

A falta de medicamentos e insumos na rede municipal de saúde tem tirado o sossego não só de pacientes que dependem dos serviços, mas também dos servidores das unidades. Impulsionado pelas reclamações, mais intensas nesta semana, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) visitou algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o Pronto-Socorro Central (PSC), o Pronto Socorro Infantil (PAI) e as Farmácias Municipais. Após constatar problemas, decidiu que acionará o Ministério Público (MP).

Por meio do protocolo de uma representação, contendo a denúncia, o Sinserm quer provocar o poder público e garantir proteção maior dos serviços ofertados à população. Tanto as quatro UPAs quanto o PSC, PAI e as Farmácias Municipais têm enfrentado problemas com a falta de medicamentos e materiais básicos, segundo o sindicato.

"Faltam desde máscaras para o atendimento quanto remédios de uso rotineiro nas unidades de urgência, como o Buscopan e o Tramal. Nem lençol tem nas UPAs. Os pacientes estão levando de casa e isso é perigoso, porque há risco de contaminação", critica Moisés Cristo, diretor do Sinserm e técnico de enfermagem há três décadas. "E é o servidor quem acaba cobrado pela população. Só que, se está faltando, é por problema de má gestão, não foi feita previsão de consumo".

'SUCATEAMENTO'

Em comunicado, o Sinserm reforça as críticas. A entidade aponta que a cidade vive sucateamento dos serviços públicos municipais, promovido pelo governo de Clodoaldo Gazzetta. E que a situação nas unidades de saúde evidenciaria a precarização, como estratégia adotada para entregar os serviços à iniciativa privada.

O sindicato diz que constatou estantes de medicamentos vazias em várias unidades, gavetas com remédios de um só tipo espalhados, além de uma lista no mural da enfermagem do PAI, com data de 15 de dezembro de 2017, que informa vários itens em falta. "Mais de um mês se passou e até o momento não houve qualquer providência", critica Moisés.

Como o jurídico do Sinserm está em férias, o documento deve ser protocolado no MP apenas na semana que vem, segundo Moisés.

SECRETARIA REBATE

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde diz que, desde novembro, solicitou a compra de medicamentos e insumos para a rede e toda a demanda foi pedida para os fornecedores, mas que os itens estariam pendentes por causa de férias coletivas dessas empresas, sendo que a previsão para entrega é até fevereiro.

A pasta afirma também que, desde o início de janeiro deste ano, vem realizando a solicitação para aquisição adicional de mais medicamentos e insumos para a rede, porém, também enfrentou dificuldade no pedido. A secretaria complementa que o Ministério da Saúde atrasou o repasse de recursos financeiros para o início de 2018.

A pasta detalha, ainda, que 28% dos 172 remédios ofertados estão em falta por pendência com fornecedores. A reportagem solicitou a listagem dos medicamentos ausentes, contudo, não obteve tal informação.

Sobre a acusação de suposto sucateamento dos serviços e entrega à iniciativa privada, a Secretaria Municipal de Saúde nega veemente que haja tal intenção por parte da atual gestão e aponta como descabida a afirmação. "Muito menos que os serviços de saúde do município estão sem qualquer condição de atendimento da população, fato que pode ser observado que não houve qualquer desassistência de pacientes na rede de urgência do município", diz o órgão, em nota.

"Não existe ausência de assistência, pois o próprio SUS prevê que os pacientes podem pegar medicações gratuitamente para tratamento de hipertensão, diabetes, asma e outras doenças na rede privada de farmácias credenciadas no programa 'Aqui Tem Farmácia Popular' apenas com a apresentação da receita médica e documento de identidade", finaliza a secretaria.

SERVIÇO

A Ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde recebe informações por meio do telefone (14) 3104-1452.