| Fotos: Douglas Reis |
| Jaime também é responsável por dar corda ao maquinário a cada sete dias para que ele funcione |
| A cerca de 50 metros do chão, o voluntário Jaime Prado fazia os ajustes dos ponteiros do relógio |
Após cerca de três meses parado com os ponteiros marcando 18h23, o imponente relógio da torre da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, na Praça Rodrigues de Abreu, Centro de Bauru, voltou a funcionar nessa quinta-feira (18).
O retorno ocorreu graças ao trabalho voluntário do jornalista e apaixonado declarado pela cidade Jaime Prado, que não mediu esforços para subir os 134 degraus da torre e realizar a manutenção. Nessa quinta (18), ele foi ao local para providenciar alguns ajustes finais e para trocar um cabo de aço que segura os pesos, responsáveis pelo funcionamento mecânico do dispositivo.
Jaime conta que o relógio parou, após obras realizadas recentemente na igreja, que passa por processo de reforma e restauração. "Durante uma pintura, a corda do trabalhador enroscou nos ponteiros e ele parou. O vidro também quebrou", relata.
Com quase metade do corpo para fora da torre e a cerca de 50 metros do chão, ele ajustava os ponteiros para testar seu funcionamento, após a limpeza e lubrificação do maquinário, realizada na última quarta-feira (17).
A ação atraiu curiosos. Uma funcionária de um cartório próximo chegou a subir a torre para conhecer o relógio.
'PRECIOSIDADE'
Instalado em 1948 no alto da torre da igreja, localizada na praça Rodrigues de Abreu, no Centro de Bauru, o relógio italiano da marca Michelini foi produzido por uma antiga fábrica na Capital, que funcionou de 1909 a 1969.
"O relógio tem pelo menos 70 anos, é uma relíquia e preciosidade. Já faz um bom tempo que o Jaime presta esse serviço gratuitamente. É meritório, pois é algo que precisa de alguém que tenha esse dom, tem que ser muito preciso", comenta o padre Gustavo Natividade, responsável pela paróquia.
Esta é a segunda vez em quatro anos que o relógio passa por reparo nas mãos de Jaime. Em 2013, após ficar parado por treze anos, o maquinário voltava a marcar as horas em Bauru. Na época, o professor e empresário do Grupo Preve, Duda Trevizani, que morreu no ano passado, patrocinou o conserto. "Desta vez, outro empresário, que não quer ter o nome citado, ajudou a comprar os cabos de aço. Acredito que terei apoio para comprar o vidro também", detalha Jaime.
DE SETE EM SETE DIAS
A ação voluntária vai além do reparo. Com a ajuda do amigo Roberto Pinheiro, também restaurador, Jaime é o responsável por dar corda ao maquinário a cada sete dias para que ele funcione.
"É difícil se programar para isso no dia a dia, mas revezamos e dá certo. Alguns vizinhos até me ligam quando o relógio para. E eu vou, faço por paixão", finaliza Jaime Prado.